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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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Correndo atrás do rabo
Por Flávio Paiva*

Está em discussão: os clubes de futebol devem ou não cobrar uma taxa das rádios pela transmissão dos jogos? Uma discussão dura, difícil, cheia de escaninhos e entremeios. Há quem defenda a cobrança alegando que as rádios têm faturamento oriundo das transmissões, a partir da venda de inserções, que se dão na forma de spots, jingles ou chamadas. Os anunciantes efetivamente pagam por estas inserções, gerando faturamento para os veículos de comunicação (rádios). Esta é uma posição. Mas há quem seja contra a cobrança. Estes defendem que as rádios prestam um serviço aos clubes de futebol, veiculando informações e promovendo os jogos. E que, portanto, os clubes têm uma mídia gratuita. Esta é outra posição.

Pois bem, vou me posicionar. Fui diretor de marketing do Grêmio de 2005 ao final de 2007 – quase 3 anos, portanto. Este tema, a negociação com os veículos de comunicação, sempre foi delicado de se tratar. Os veículos (sejam rádios, jornais ou TVs) entendem que ajudam a promover os jogos, o que é fato. Porém, eles também faturam com as vendas de publicidade, o que é outro fato. Se tratarmos exclusivamente da questão técnica, seria bem razoável que os clubes tivessem participação nesse faturamento. Poderia ser na forma de um percentual ou de entrega de mídia, caso fosse este o interesse dos clubes. Afinal de contas, o faturamento só existe porque os clubes existem. Se eles deixarem de existir, não haverá o faturamento.

Atualmente, grande parte dos clubes brasileiros têm acordos de permuta com os veículos de comunicação (especialmente jornais). Eles entregam publicidade em seus produtos (publicidade estática, site, etc) e recebem, em contrapartida, um determinado número de centímetros/coluna, que é a escala dos jornais. Ou seja, os clubes não recebem mídia de graça. Assim, torcedores, aqueles anúncios que vocês vêem nos jornais, do seu clube do coração, normalmente são pagos desta forma.

A questão fundamental a ser tratada é a vontade política. É imprescindível que veículos e clubes exponham adequadamente seus pontos de vista, pleitos e defesas. Mas de forma desapaixonada – o que é difícil de ocorrer, tratando-se de futebol. Daí a necessidade da profissionalização real dos clubes de futebol brasileiros: para que o debate se dê de forma técnica, desapaixonada e racional. Sigo defendendo a profissionalização dos clubes de futebol. Sei que há muito caminho pela frente. Muito mesmo. Mas chegaremos lá. E aí teremos uma discussão consistente sobre o que, por que e quanto cobrar.

 

* Flávio Paiva foi diretor de Marketing do Grêmio de 2005 a 2007.

 
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