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Correndo
atrás do rabo
Por Flávio Paiva*
Está em discussão: os clubes de futebol devem ou não
cobrar uma taxa das rádios pela transmissão dos jogos?
Uma discussão dura, difícil, cheia de escaninhos e entremeios.
Há quem defenda a cobrança alegando que as rádios
têm faturamento oriundo das transmissões, a partir da venda
de inserções, que se dão na forma de spots, jingles
ou chamadas. Os anunciantes efetivamente pagam por estas inserções,
gerando faturamento para os veículos de comunicação
(rádios). Esta é uma posição. Mas há
quem seja contra a cobrança. Estes defendem que as rádios
prestam um serviço aos clubes de futebol, veiculando informações
e promovendo os jogos. E que, portanto, os clubes têm uma mídia
gratuita. Esta é outra posição.
Pois bem, vou me posicionar. Fui diretor de marketing do Grêmio
de 2005 ao final de 2007 – quase 3 anos, portanto. Este tema,
a negociação com os veículos de comunicação,
sempre foi delicado de se tratar. Os veículos (sejam rádios,
jornais ou TVs) entendem que ajudam a promover os jogos, o que é
fato. Porém, eles também faturam com as vendas de publicidade,
o que é outro fato. Se tratarmos exclusivamente da questão
técnica, seria bem razoável que os clubes tivessem participação
nesse faturamento. Poderia ser na forma de um percentual ou de entrega
de mídia, caso fosse este o interesse dos clubes. Afinal de contas,
o faturamento só existe porque os clubes existem. Se eles deixarem
de existir, não haverá o faturamento.
Atualmente, grande parte dos clubes brasileiros têm acordos
de permuta com os veículos de comunicação (especialmente
jornais). Eles entregam publicidade em seus produtos (publicidade estática,
site, etc) e recebem, em contrapartida, um determinado número
de centímetros/coluna, que é a escala dos jornais. Ou
seja, os clubes não recebem mídia de graça. Assim,
torcedores, aqueles anúncios que vocês vêem nos jornais,
do seu clube do coração, normalmente são pagos
desta forma.
A questão fundamental a ser tratada é a vontade política.
É imprescindível que veículos e clubes exponham
adequadamente seus pontos de vista, pleitos e defesas. Mas de forma
desapaixonada – o que é difícil de ocorrer, tratando-se
de futebol. Daí a necessidade da profissionalização
real dos clubes de futebol brasileiros: para que o debate se dê
de forma técnica, desapaixonada e racional. Sigo defendendo a
profissionalização dos clubes de futebol. Sei que há
muito caminho pela frente. Muito mesmo. Mas chegaremos lá. E
aí teremos uma discussão consistente sobre o que, por
que e quanto cobrar.
* Flávio Paiva foi diretor de Marketing do Grêmio
de 2005 a 2007.
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