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      Edição 243 - Junho de 2008
 

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A “escola Russa” de exploração em terra
Por Carlos Serapião*

É impressionante como o Brasil conhece pouco o potencial de cooperação com a Rússia – e vice-versa. Entre os BRICs, há uma grande articulação nossa com China e Índia, e também da Rússia com estes dois últimos. Mas não entre Rússia e Brasil.

Uma das áreas de grande potencial é a exploração de petróleo e gás em terra (ou onshore, conforme o jargão do setor). Explico melhor: o Brasil, por razões históricas, concentrou sua exploração e produção na Bacia de Campos, agora na do Espírito Santo e de Santos. Ou seja, no mar (offshore).

Em terra, o Brasil produz muito pouco (menos de 10% do total), por uma razão simples: a Petrobras nunca investiu muito em prospecção de nossas bacias sedimentares terrestres (4,9 milhões de quilômetros quadrados), tipo de formação geológica onde dá petróleo e gás no mundo inteiro. Na verdade, menos de 10% dessas áreas já foram estudadas para fins de avaliação de seu potencial petrolífero.

Nossas bacias terrestres de formação paleozóica e proterozóica são muito semelhantes às bacias produtoras da Sibéria. A experiência russa de prospecção petrolífera em terra é a mais bem-sucedida do mundo e nos interessa muito.

Até hoje, a Petrobras e outros centros de P&D no Brasil conheceram, sobretudo, as experiências americana e canadense de exploração em terra. Está na hora de nos voltarmos também para a chamada “escola russa”. Teremos muito a ganhar, desde a aplicação de métodos potenciais até o aprendizado de tecnologias de geofísica terrestre e de perfuração de poços.

 

* Carlos Serapião Jr., ex-diplomta, consultor e empresário na área de petróleo e gás. Atualmente mora em Moscou.

 
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