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Putin:
um grande estadista ou gênio político?
Por Carlos Serapião Jr*
O novo presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, venceu com quase
70% dos votos, em função de ter sido indicado pelo atual
presidente, Vladimir Putin. A maioria dos russos atribui a atual estabilidade
política e econômica da Rússia ao governo Putin
e deseja um sucessor que dê continuidade a isso. Talvez seja preciso
ter vivido a época de Ieltsin (vivi aqui entre 1994-97, num país
completamente desorganizado e sem rumo político e econômico)
para entender porque os russos adoram, idolatram Putin: ele trouxe ordem
político-institucional e resgatou a auto-estima nacional. E,
como todo grande estadista, teve sorte: a disparada dos preços
do petróleo e gás.
Ao que tudo indica, Medvedev será leal a seu antecessor. Mas
o exercício do poder transforma as pessoas. Será interessante
observar a relação Putin-Medvedev após este último
assumir. Minha visão (puramente pessoal e especulativa) é
que, se Putin começar a intervir no dia-a-dia do governo Medvedev,
tenderá a haver choque; se ficar de fora, se revelará
um gênio, ou seja, passará de grande estadista a gênio
político.
O que Medvedev pode significar para as relações da Rússia
com o Brasil? Não se esperam grandes mudanças, já
que o comércio bilateral é pouco diversificado (carnes
e fertilizantes minerais) e tem lógica econômica própria.
Além de Medvedev representar continuísmo, o Brasil não
é prioridade para a política externa russa e vice-versa.
Isto não significa estagnação do relacionamento
bilateral durante o governo Medveded. Pelo contrário, creio que
um número crescente de empresas russas vão olhar o Brasil
e a América do Sul como espaço para a realização
de comércio e investimento, no contexto de um processo de internacionalização
acelerada do capitalismo russo.
* Carlos Serapião Jr., 42, ex-diplomata, escritor e empresário
na área de comércio exterior, vive atualmente em Moscou.
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