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      Edição 243 - Junho de 2008
 

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Putin: um grande estadista ou gênio político?
Por Carlos Serapião Jr*

O novo presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, venceu com quase 70% dos votos, em função de ter sido indicado pelo atual presidente, Vladimir Putin. A maioria dos russos atribui a atual estabilidade política e econômica da Rússia ao governo Putin e deseja um sucessor que dê continuidade a isso. Talvez seja preciso ter vivido a época de Ieltsin (vivi aqui entre 1994-97, num país completamente desorganizado e sem rumo político e econômico) para entender porque os russos adoram, idolatram Putin: ele trouxe ordem político-institucional e resgatou a auto-estima nacional. E, como todo grande estadista, teve sorte: a disparada dos preços do petróleo e gás.

Ao que tudo indica, Medvedev será leal a seu antecessor. Mas o exercício do poder transforma as pessoas. Será interessante observar a relação Putin-Medvedev após este último assumir. Minha visão (puramente pessoal e especulativa) é que, se Putin começar a intervir no dia-a-dia do governo Medvedev, tenderá a haver choque; se ficar de fora, se revelará um gênio, ou seja, passará de grande estadista a gênio político.

O que Medvedev pode significar para as relações da Rússia com o Brasil? Não se esperam grandes mudanças, já que o comércio bilateral é pouco diversificado (carnes e fertilizantes minerais) e tem lógica econômica própria. Além de Medvedev representar continuísmo, o Brasil não é prioridade para a política externa russa e vice-versa.

Isto não significa estagnação do relacionamento bilateral durante o governo Medveded. Pelo contrário, creio que um número crescente de empresas russas vão olhar o Brasil e a América do Sul como espaço para a realização de comércio e investimento, no contexto de um processo de internacionalização acelerada do capitalismo russo.

 

* Carlos Serapião Jr., 42, ex-diplomata, escritor e empresário na área de comércio exterior, vive atualmente em Moscou.

 
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