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Cultura
das transgressões
Por André Franco Montoro Filho*
O sucesso das atividades produtivas e o crescimento econômico
do País dependem de instituições, normas, usos
e costumes que forneçam estímulos adequados para a produção
de bens e serviços, ou seja, que exista um bom ambiente de negócios.
Componente essencial deste bom ambiente é o respeito à
legislação. O que infelizmente temos visto é o
contrário: o Brasil possui um histórico de séculos
de uma generalizada cultura de transgressões.
Com a redemocratização conquistada nos anos 80, como
natural, acompanhada do pleno exercício da liberdade, a opinião
pública passa a perceber de uma forma clara e condenar comportamentos
transgressores, especialmente de autoridades públicas. Esta constatada
falta de ética que deriva da cultura das transgressões
ameaça a democracia brasileira e prejudica nosso desenvolvimento
social e econômico. É indispensável encontrar caminhos
para superar essa cultura.
Em agosto de 2007, nós do Instituto Brasileiro de Ética
Concorrencial, em parceria com o Instituto Fernando Henrique Cardoso,
promovemos o seminário Cultura das Transgressões –
Lições da História. O objetivo do encontro
era responder se superar essa cultura é condição
para o desenvolvimento. Bolívar Lamounier, Joaquim Falcão,
José Murilo de Carvalho e Roberto DaMatta, quatro brilhantes
pensadores de nosso tempo, refletiram sobre o assunto e disseram que
embora os desvios de conduta tenham atravessado séculos é
possível virar esse jogo, sim. Devemos todos lutar contra estes
males.
Convido você, leitor, a refletir conosco sobre o assunto. O
livro “Cultura das Transgressões – Lições
da História”, fruto deste encontro de debates, estará
disponível para download gratuito no site do ETCO a partir de
1º de março (www.etco.org.br).
Boa leitura!
* André Franco Montoro Filho é presidente executivo
do ETCO – Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial desde
janeiro de 2007. Montoro Filho também foi presidente do BNDES.
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