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Doze
anos depois e tudo igual
Por PauloAfonso Pereira*
Em 1995 tive a oportunidade de ir a Hong Kong, que ainda pertencia
a Inglaterra, e a Guangzhou, na China. Estávamos entre três
brasileiros: o Hugo Springer, do Senai; o Elmar Bones,então editor
da Revista AMANHÃ, e eu. Na China conhecemos três fábricas
de sapatos e ficamos todos impressionados com a precariedade das instalações,
com os equipamentos industriais utilizados e com a falta de segurança
no trabalho. Não havia luvas ou calçados de proteção
ou mesmo máscaras para evitar a inalação de produtos
químicos como a cola de sapateiro. As pessoas também não
estavam uniformizadas. Os 4.500 empregados moravam nas dependências
da própria fábrica e tinham somente dois dias de folga
no mês. Enfim, neste cenário trabalhavam arduamente para
receber o equivalente a cerca de US$ 30,00 mensais.
Quando li 12 anos depois na internet uma matéria sobre as condições
de trabalho atuais na China percebi o porquê do milagre Chinês.
Notei que nada mudou. Apenas a economia do país cresceu, pois
os riscos dos trabalhadores permanecem os mesmos. Desta maneira, é
fácil entender o porquê da venda de produtos feitos com
substâncias tóxicas. Naquele país não existe
a responsabilidade social com os de casa. Que dirá com as pessoas
do restante do mundo. Uma pena! Por isso, quando comprarmos produtos
“made in China” é bom lembrarmos em quais condições
eles são fabricados por lá.
* Ex-presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial
(INPI) e proprietário da consultoria Paulo Afonso Pereira Propriedade
Intelectual, empresa especializada em marcas e patentes
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