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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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É mais barato porque vende mais, ou vende mais porque é mais barato?
Por Milton Pomar*

Às vezes, quem vive na China até se atrapalha com os preços, quando compara com os praticados no Brasil. A diferença é muito grande. Tudo no país oriental é mais barato, da pasta de dente ao ônibus, do jornal à roupa, dos livros à comida. É tudo tão barato em relação aos preços do Brasil, imagine comparados com os da Europa, Canadá, Estados Unidos e Japão. A pergunta na propaganda da bolacha Tostines (título desse texto) sintetiza a situação muito melhor do que qualquer análise de economias de escala, vantagens comparativas, etc. Mas a pergunta pode ser outra: é mais barato na China, ou é mais caro nos países ricos? Será que a estrutura de custos dessas sociedades mais sofisticadas não encareceu as coisas a tal ponto que criou um “problemão” para elas mesmas? A China vende barato, porque produz barato, transporta barato e seus demais custos [salários, impostos, imóveis, juros] são muito baixos. A logística chinesa é invejável, com seus 75 mil quilômetros de ferrovias e um impressionante segundo lugar em cargas transportadas no mundo. Chongqing, o município com 31 milhões de habitantes e maior potência industrial do Oeste, pode se dar ao luxo, ainda, de enviar suas mercadorias em cinco dias por meio do rio, se não houver pressa para chegar ao mar.

Acusam a China de vender tão barato porque subsidia sua produção. Mas os Estados Unidos sempre subsidiaram sua produção agropecuária, por exemplo, e nem por isso conseguem preços competitivos. Eles também precisam subsidiar as exportações desses produtos e taxar o que importam, encarecendo internamente os preços daquilo que entra. Não é uma loucura isso? [Quem quiser sofrer, compare as taxas de juros reais para o consumidor, na China e no Brasil].

Talvez, o maior benefício que a China esteja oferecendo ao mundo seja a quebra de paradigmas, em várias áreas. E um deles, com certeza, é esse dos custos. Por que a pergunta que também pode ser feita é: como o conjunto das populações dos países pobres e em desenvolvimento, pode ter acesso aos bens e serviços produzidos hoje no mundo, se eles não forem muito baratos?

 

* Milton Pomar é gerente-geral da BWP S/A na China.

 
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