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É
mais barato porque vende mais, ou vende mais porque é mais barato?
Por Milton Pomar*
Às vezes, quem vive na China até se atrapalha com os
preços, quando compara com os praticados no Brasil. A diferença
é muito grande. Tudo no país oriental é mais barato,
da pasta de dente ao ônibus, do jornal à roupa, dos livros
à comida. É tudo tão barato em relação
aos preços do Brasil, imagine comparados com os da Europa, Canadá,
Estados Unidos e Japão. A pergunta na propaganda da bolacha Tostines
(título desse texto) sintetiza a situação muito
melhor do que qualquer análise de economias de escala, vantagens
comparativas, etc. Mas a pergunta pode ser outra: é mais barato
na China, ou é mais caro nos países ricos? Será
que a estrutura de custos dessas sociedades mais sofisticadas não
encareceu as coisas a tal ponto que criou um “problemão”
para elas mesmas? A China vende barato, porque produz barato, transporta
barato e seus demais custos [salários, impostos, imóveis,
juros] são muito baixos. A logística chinesa é
invejável, com seus 75 mil quilômetros de ferrovias e um
impressionante segundo lugar em cargas transportadas no mundo. Chongqing,
o município com 31 milhões de habitantes e maior potência
industrial do Oeste, pode se dar ao luxo, ainda, de enviar suas mercadorias
em cinco dias por meio do rio, se não houver pressa para chegar
ao mar.
Acusam a China de vender tão barato porque subsidia sua produção.
Mas os Estados Unidos sempre subsidiaram sua produção
agropecuária, por exemplo, e nem por isso conseguem preços
competitivos. Eles também precisam subsidiar as exportações
desses produtos e taxar o que importam, encarecendo internamente os
preços daquilo que entra. Não é uma loucura isso?
[Quem quiser sofrer, compare as taxas de juros reais para o consumidor,
na China e no Brasil].
Talvez, o maior benefício que a China esteja oferecendo ao
mundo seja a quebra de paradigmas, em várias áreas. E
um deles, com certeza, é esse dos custos. Por que a pergunta
que também pode ser feita é: como o conjunto das populações
dos países pobres e em desenvolvimento, pode ter acesso aos bens
e serviços produzidos hoje no mundo, se eles não forem
muito baratos?
* Milton Pomar é gerente-geral da BWP
S/A na China.
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