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      Edição 243 - Junho de 2008
 

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A importância para a qualidade total do vinho brasileiro
Por Ângelo Salton*

Há alguns anos, estávamos eu e diretores da Vinícola Salton participando de um dos principais eventos de degustação de vinhos internacionais, em Pedra Azul, no Espírito Santo. No evento, notei que no estande ao lado do nosso havia uma movimentação intensa, um entra-e-sai que não terminava nunca. Aí, pensei comigo: “É o enólogo francês que, com sua experiência, deu imagem e qualidade ao vinho chileno" - que estava sendo degustado e provocando todo aquele movimento”. Conclusão finalizada, chamei de lado o nosso diretor técnico – Lucindo Copat – um dos maiores enólogos da história da vitivinicultura brasileira, e comentei com ele que precisávamos produzir um vinho tinto “top”, que fosse uma referência dentro da indústria brasileira e nada ficasse a dever aos melhores vinhos de todo o mundo.

Depois de uma longa conversa, chegamos à conclusão de que a saída era contratarmos um consultor internacional, alguém que já tivesse larga experiência não apenas na América do Sul mas também nos países-chave da Europa. Um nome surgiu naturalmente, indicado pelo próprio Copat – o do enólogo argentino Angel Mendoza, seu antigo professor na Universidade Juan Agustín Mazza, em Mendoza. Ele já havia vinificado 23 safras ao redor do mundo. Além disso, durante 25 anos, foi diretor de uma das mais importantes e antológicas cantinas portenhas – a Trapiche.

Angel Mendoza veio para o Brasil. Tivemos longas reuniões com toda a diretoria da Salton, mais Lucindo Copat. A partir daí, começou uma verdadeira revolução dentro da empresa, com profundas mudanças que começaram no campo e terminaram dentro da nossa vinícola. No campo, mudou-se a maneira de plantar a uva, de adubar, de podar e de colher, sendo que neste último item a revolução foi total – de um total de 15 mil quilos de uva que colhíamos por hectare plantado, passamos a colher apenas 8 mil quilos obtendo, assim, uma uva perfeita, de qualidade total. Na cantina, foram mudados os processos de vinificação e amadurecimento dos vinhos tintos, que passaram a estagiar em barricas novas de carvalho tostado francesas - cujo custo chega, em média, a 800 euros cada.

Durante todo esse processo revolucionário por que passou a Salton, foi criado o primeiro produto, fruto da criatividade da dobradinha Lucindo Copat-Angel Mendoza: o tinto Salton Talento, um corte equilibradíssimo de 60% de Cabernet Sauvignon, 30% de Merlot e 10% de Tannat que, literalmente, encantou os mais importantes críticos especializados brasileiros. Além de elogios rasgados de gente como Jancis Robinson [a única mulher no mundo a ter um título de Master of Wines] e Enrico Bernardo [considerado “o maior sommelier do mundo em 2005”]. De passagem pelo Brasil, Enrico Bernardo colocou o Talento em primeiríssimo lugar frente aos 7 melhores tintos nacionais.

Há pouco tempo eles criaram e nós, com muito orgulho, lançamos o Salton Merlot Desejo, que vem seguindo a mesma rota de sucesso do Talento, fato que comprava, mais uma vez, que a contratação de um Consultor de renome internacional é de suma importância para dar o plus definitivo aos vinhos brasileiros - principalmente os tintos.

 

* Ângelo Salton é presidente da Vinícola Salton, fundada em 1910 por sete irmãos da região italiana de Cison di Valmarino.

 
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