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O
crime que compensa
Por Julio Mottin Neto*
Muito se tem falado em reforma tributária no Brasil e que
é preciso reduzir impostos para combater a informalidade. O problema
da informalidade tomou proporções endêmicas no Brasil
e combatê-lo se torna cada vez mais difícil. O governo
e a maioria dos formadores de opinião estão tomando a
conseqüência como causa e empurrando o problema com a barriga.
Não é reduzindo impostos que se faz parar de crescer o
mercado informal. Aquele que não paga impostos não pagará
independentemente de o valor ser alto ou baixo. Trata-se de uma cultura
criada no Brasil, que vem junto com a cultura da impunidade. Hoje, a
sonegação é um crime que compensa e a sociedade
como um todo contribui – mesmo que involuntariamente – para
isso. Quando compramos qualquer mercadoria ou jantamos em um restaurante,
e não exigimos a nota fiscal, estamos compactuando com um círculo
vicioso, que envolve contrabando, falsificação, violência
e... desemprego.
Por isso, é importante que se opere uma mudança de mentalidade.
A cultura brasileira do “está tudo bem não cumprir
a lei se eu me beneficio” [pagando mais barato pela mercadoria
sem nota, por exemplo] é míope, já que não
pode ver todo o alcance dessas “pequenas contravenções”.
Por isso, é necessário uma ação vigorosa
do Estado no sentido de combater a impunidade. Infelizmente, a mudança
de mentalidade não ocorre espontaneamente, mas só quando
o indivíduo percebe que ganha mais do que perde estando dentro
da lei.
* Julio Mottin Neto é diretor de marketing
da rede de farmácias Panvel
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