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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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Vinhos na terra dos chás
Por Milton Pomar, de Beijing*

Uma das coisas boas da China é a possibilidade de se provar vinhos de (quase) todo o mundo, em restaurantes, bares melhores e até em supermercados – nos quais encontra-se, na faixa de R$ 25,00 a R$ 60,00, a maioria dos tintos e brancos chilenos, uruguaios, alemães, argentinos, portugueses, espanhóis, italianos, franceses, australianos, norte-americanos, sulafricanos... e chineses. O único país cujos vinhos não estão à venda na China é o Brasil, por alguma razão que a própria razão deve desconhecer.

Já ouvi que isso acontece porque não temos como competir com os preços praticados na China. Mas competir com quem? Com os vizinhos, que há anos vendem seus vinhos no mercado brasileiro por preços inferiores aos nossos de qualidade equivalente? Ou com os vinhos chineses, de qualidade inferior aos da Serra Gaúcha?

A inexistência de vinhos tupiniquins na China tem uma única vantagem: obriga-nos a experimentar o que se produz em outros países. Ponto para os bons (e fortes) vinhos australianos e sul-africanos, por exemplo, que investem em promoção há alguns anos, atentos à demanda crescente no maior mercado consumidor do mundo. Os produtores de vinho de (quase) todo o planeta estão no mercado chinês, em primeiro lugar, porque aqui há dezenas de milhões de estrangeiros circulando durante todo o ano. E esse movimento vai aumentar muito nos próximos anos – a previsão é de que a China vai se constituir no principal destino turístico do mundo até 2012.

Quando comento, em todas as oportunidades possíveis, que o Brasil produz vinhos de boa qualidade, meus interlocutores chineses fazem cara de espanto e dizem que nunca viram produtos brasileiros em supermercados e restaurantes. Nem eu, respondo. Nem eu! A ausência do vinho brasileiro só não é mais notada porque na China também falta o café brasileiro (ao contrário do colombiano, que investe sempre em promoção). Até a nossa bebida nacional por excelência – a cachaça – é classificada como “rum” no exterior, segundo quem sabe do assunto, e por isso não consegue conquistar um espaço próprio nas prateleiras e mesas do país onde se bebe muito e de tudo.

 

* Milton Pomar é gerente-geral na China da BWP S/A Consultorias e Participações, uma empresa Brasif. Trabalha com a China desde 1997, tendo visitado nesse período 20 grandes cidades. Nesse ano, passou a residir em Beijing.

 
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