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Vinhos
na terra dos chás
Por Milton Pomar, de Beijing*
Uma das coisas boas da China é a possibilidade de se provar
vinhos de (quase) todo o mundo, em restaurantes, bares melhores e até
em supermercados – nos quais encontra-se, na faixa de R$ 25,00
a R$ 60,00, a maioria dos tintos e brancos chilenos, uruguaios, alemães,
argentinos, portugueses, espanhóis, italianos, franceses, australianos,
norte-americanos, sulafricanos... e chineses. O único país
cujos vinhos não estão à venda na China é
o Brasil, por alguma razão que a própria razão
deve desconhecer.
Já ouvi que isso acontece porque não temos como competir
com os preços praticados na China. Mas competir com quem? Com
os vizinhos, que há anos vendem seus vinhos no mercado brasileiro
por preços inferiores aos nossos de qualidade equivalente? Ou
com os vinhos chineses, de qualidade inferior aos da Serra Gaúcha?
A inexistência de vinhos tupiniquins na China tem uma única
vantagem: obriga-nos a experimentar o que se produz em outros países.
Ponto para os bons (e fortes) vinhos australianos e sul-africanos, por
exemplo, que investem em promoção há alguns anos,
atentos à demanda crescente no maior mercado consumidor do mundo.
Os produtores de vinho de (quase) todo o planeta estão no mercado
chinês, em primeiro lugar, porque aqui há dezenas de milhões
de estrangeiros circulando durante todo o ano. E esse movimento vai
aumentar muito nos próximos anos – a previsão é
de que a China vai se constituir no principal destino turístico
do mundo até 2012.
Quando comento, em todas as oportunidades possíveis, que o
Brasil produz vinhos de boa qualidade, meus interlocutores chineses
fazem cara de espanto e dizem que nunca viram produtos brasileiros em
supermercados e restaurantes. Nem eu, respondo. Nem eu! A ausência
do vinho brasileiro só não é mais notada porque
na China também falta o café brasileiro (ao contrário
do colombiano, que investe sempre em promoção). Até
a nossa bebida nacional por excelência – a cachaça
– é classificada como “rum” no exterior, segundo
quem sabe do assunto, e por isso não consegue conquistar um espaço
próprio nas prateleiras e mesas do país onde se bebe muito
e de tudo.
* Milton Pomar é gerente-geral na China da BWP S/A Consultorias
e Participações, uma empresa Brasif. Trabalha com a China
desde 1997, tendo visitado nesse período 20 grandes cidades.
Nesse ano, passou a residir em Beijing.
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