| por Luiz Fernando Garcia* |
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Pesquisas apontam: empreendedorismo está ligado à
genética
Vivemos em um mundo onde a economia é parte fundamental para
qualquer um. E há muito tempo já se sabe que, sem empreendedores,
a economia não se desenvolve. O empreendedorismo é o dínamo
que move não só o ganho financeiro individual, mas o de
todos. Em 1734, Richard Cantillon, no livro Pioneer of Economic
Theory, já propunha que “em um sistema de mercado,
antes que algo seja finalmente vendido, é necessário que
seja fabricado, transportado, estocado e alguém precisa assumir
o risco que há nestas operações”. Mas quantos
de nós estamos dispostos a assumir riscos financeiros? E mais:
quem banca a energia para aproveitar, de fato, apenas algumas das inúmeras
oportunidades que existem num país em franco desenvolvimento?
Quem de nós costuma imaginar cenários futuros com tantos
detalhes a ponto de torná-los possíveis?
Os seres humanos são seres bio-psicosociais. Portanto, quase
tudo que nos ocorre se apóia num composto de fatores. Em um estudo
que realizei para o MEC em 2000, selecionei 72 estudos sobre empreendedores.
A maioria deles tinha por objetivo identificar as atitudes e comportamentos
de uma pessoa que fazia grande diferença na economia regional
da qual participava. Depois, em 2001, realizei uma pesquisa com 1200
entrevistados dos quais selecionei 188 perfis de pessoas que haviam
tornado reais grandes empresas e apresentavam um perfil diferenciado
em relação a todos os outros. Até aquele momento,
foram identificados aspectos de como estas pessoas captam, organizam
e projetam as informações. Como se motivam ou por que
se motivam e, principalmente, como se comportam. Agora, porém,
sabemos mais: um estudo realizado por cientistas britânicos e
norte-americanos acompanhou a personalidade empreendedora em 1266 pares
de gêmeos. Entre eles havia 609 pares de univitelinos (idênticos
geneticamente) e 657 pares de gêmeos não–idênticos
(com metade da semelhança genética). Comparando a condição
empreendedora entre gêmeos idênticos e não-idênticos,
foi possível identificar a importância dos fatores genéticos.
Entre os gêmeos idênticos a taxa de propensão a tornar-se
empreendedor é de 48%. A partir daí, se percebeu que quase
a metade das possibilidades de um indivíduo se tornar um empreendedor
se deve a fatores genéticos. Este estudo abre caminho para prosseguir
e identificar os genes específicos envolvidos em ser um empreendedor.
O neurologista Joe Tsien, da Universidade de Princeton, Estados Unidos,
alterou o gene batizado de NR2B, no DNA de camundongos (que têm
92% da carga genética igual à da raça humana).
Tsien conseguiu modificar a capacidade dos roedores em encontrar soluções
para problemas – o que chamaríamos, quando nos referimos
a humanos, de memória e inteligência. Em um teste realizado
em um labirinto, os camundongos normais levavam, em média, três
minutos para encontrar comida. Já os que tiveram o NR2B duplicado
precisaram de apenas 42 segundos. E aqueles que tiveram o gene retirado
só encontraram a saída depois de nove horas. O gene parece
ser parcialmente responsável pela capacidade de sobrevivência
em ambientes hostis ou de mudanças bruscas. A hipótese
de que empreendedores possuem uma capacidade maior do gene NR2B pode
ser levada em conta.
Provavelmente, o aspecto biológico ampara as personalidades
realizadoras que conhecemos – que vão de Abílio
Diniz à Ivete Sangalo. Mas acredita-se que míseros 3,5%
da população apresenta este perfil. Logo, do quê
nos serve esta descoberta? Serve para que se possa compreender que é
preciso melhorar as condições para quem quer enfrentar
desafios e tomar iniciativa. Nas trajetórias das pessoas que
compõem esta seleção de notáveis realizadores
estão os aprendizados necessários a impulsionar a capacidade
de realizar de qualquer pessoa. David McClelland, um dos mais conhecidos
estudiosos das motivações humanas, realizou um vasto estudo,
solicitado pela Organização das Nações Unidas,
justamente para identificar uma forma de melhorar a condição
de resultados de pessoas comuns. Este estudo apontou características
de comportamento empreendedor, chamadas de CCE. Entre essas características
estão a capacidade de identificar de oportunidades de negócio
e a iniciativa para aproveitá-las, o comprometimento e a persistência,
a visão em longo prazo e o planejamento de ações
a curto, médio e longos prazos, entre dez características
mapeadas. No comportamento de personalidades empreendedoras há
uma condição comum: uma forte capacidade de definir seu
futuro e, com o impulso dessa visão, determinar e trabalhar nos
passos que precisam ser dados para atingi-lo. É a orientação
que se dá para os esforços que muda o resultado. Essa
gente que faz a diferença só tem um segredo: orienta-se
para os resultados naturalmente.
*Luiz Fernando Garcia é formado em Administração
de Empresas pela Unicamp, com especialização em Mercadologia,
é credenciado pela Organização das Nações
Unidas (ONU) para implementar programas de desenvolvimento de educadores
para o empreendedorismo.
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