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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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Artigo
 
por Bernardo Francisco Pereira Gomes*  

Afinal, o que você tem a ver com o “Basiléia 2”?

O “Acordo de Basiléia” foi criado em 1988, por um comitê de Bancos Centrais e entidades regulatórias de diversos países. O objetivo do acordo foi estabelecer normas internacionais para determinar os recursos próprios mínimos dos bancos, resolvendo distorções nas suas avaliações de risco e liquidez. Com a evolução e complexidade alcançada pela atividade bancária nos últimos anos, foi necessário o aperfeiçoamento das normas e uma nova proposta, divulgada em 2001, passou a ser chamada de “Basiléia 2”.

Uma das principais novidades diz respeito ao risco operacional. As instituições bancárias devem criar processos para aferir os riscos operacionais. Já as entidades de supervisão – por exemplo, os Banco Centrais – precisam definir metodologias para determinar o montante de recursos próprios que cada banco tem de provisionar, de acordo com o seu grau de risco operacional. Resumindo, quanto maior for o risco operacional de uma instituição bancária, maior será a necessidade de provisionamento de recursos próprios.

O risco operacional pode ser definido como risco ou perda resultante de inadequações ou falhas em processos internos, pessoas e sistemas ou de eventos externos. As principais causas de riscos operacionais são resultantes de fraudes internas e externas, relações trabalhistas, práticas comercias, danos a ativos, falhas de sistemas, gestão e execução de processos. Nesta nova versão do acordo, as empresas que fornecem soluções tecnológicas para o mercado financeiro também serão avaliadas quanto aos riscos que podem vir a oferecer para o negócio dos bancos.

Com a evolução observada nas últimas décadas, tornou-se grande o grau de dependência dos bancos em relação aos sistemas de automatização de processos. Um indicador claro dessa situação é o montante investido pelos bancos brasileiros com desenvolvimento e manutenção de softwares, que em 2005 foi de R$ 3,6 bilhões. Desse total, mais de 60% – ou cerca de R$ 2,2 bilhões – são gastos com softwares desenvolvidos por terceiros. Ou seja: empresas de tecnologia que fornecem sistemas para os bancos.

Nesse cenário, grande parte dos riscos dos bancos estão ligados aos seus fornecedores de TI. A partir dessa constatação, fica evidente que, a partir de agora, com o aumento da preocupação dos bancos em aferir e controlar seus riscos operacionais, a avaliação dos fornecedores de sistemas de automação será muito mais rigorosa. Diante destas novas exigências, cabe às empresas do segmento um plano consistente de preparação para essa nova realidade. Fatores como saúde financeira, obsolescência tecnológica, capacidade de investimento, qualidade de atendimento, processos certificados para desenvolvimento de software e equipe adequada à demanda ganharão força ainda maior na avaliação e contratação das empresas fornecedoras de software para as atividades bancárias. Esse processo, certamente, fará o setor de TI amadurecer. As empresas passarão por um processo de maior profissionalização, consolidação e fortalecimento. No final, a implantação do “Basiléia 2” proporcionará maior solidez e segurança não apenas aos bancos, mas também às empresas de software especializadas nesse segmento.

*Bernardo Francisco Pereira Gomes, diretor-presidente da Senior Solution S.A.
bernardo.gomes@seniorsolution.com.br

 
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