| por Bernardo Francisco Pereira Gomes* |
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Afinal, o que você tem a ver com o “Basiléia
2”?
O “Acordo de Basiléia” foi criado em 1988, por
um comitê de Bancos Centrais e entidades regulatórias de
diversos países. O objetivo do acordo foi estabelecer normas
internacionais para determinar os recursos próprios mínimos
dos bancos, resolvendo distorções nas suas avaliações
de risco e liquidez. Com a evolução e complexidade alcançada
pela atividade bancária nos últimos anos, foi necessário
o aperfeiçoamento das normas e uma nova proposta, divulgada em
2001, passou a ser chamada de “Basiléia 2”.
Uma das principais novidades diz respeito ao risco operacional. As
instituições bancárias devem criar processos para
aferir os riscos operacionais. Já as entidades de supervisão
– por exemplo, os Banco Centrais – precisam definir metodologias
para determinar o montante de recursos próprios que cada banco
tem de provisionar, de acordo com o seu grau de risco operacional. Resumindo,
quanto maior for o risco operacional de uma instituição
bancária, maior será a necessidade de provisionamento
de recursos próprios.
O risco operacional pode ser definido como risco ou perda resultante
de inadequações ou falhas em processos internos, pessoas
e sistemas ou de eventos externos. As principais causas de riscos operacionais
são resultantes de fraudes internas e externas, relações
trabalhistas, práticas comercias, danos a ativos, falhas de sistemas,
gestão e execução de processos. Nesta nova versão
do acordo, as empresas que fornecem soluções tecnológicas
para o mercado financeiro também serão avaliadas quanto
aos riscos que podem vir a oferecer para o negócio dos bancos.
Com a evolução observada nas últimas décadas,
tornou-se grande o grau de dependência dos bancos em relação
aos sistemas de automatização de processos. Um indicador
claro dessa situação é o montante investido pelos
bancos brasileiros com desenvolvimento e manutenção de
softwares, que em 2005 foi de R$ 3,6 bilhões. Desse total, mais
de 60% – ou cerca de R$ 2,2 bilhões – são
gastos com softwares desenvolvidos por terceiros. Ou seja: empresas
de tecnologia que fornecem sistemas para os bancos.
Nesse cenário, grande parte dos riscos dos bancos estão
ligados aos seus fornecedores de TI. A partir dessa constatação,
fica evidente que, a partir de agora, com o aumento da preocupação
dos bancos em aferir e controlar seus riscos operacionais, a avaliação
dos fornecedores de sistemas de automação será
muito mais rigorosa. Diante destas novas exigências, cabe às
empresas do segmento um plano consistente de preparação
para essa nova realidade. Fatores como saúde financeira, obsolescência
tecnológica, capacidade de investimento, qualidade de atendimento,
processos certificados para desenvolvimento de software e equipe adequada
à demanda ganharão força ainda maior na avaliação
e contratação das empresas fornecedoras de software para
as atividades bancárias. Esse processo, certamente, fará
o setor de TI amadurecer. As empresas passarão por um processo
de maior profissionalização, consolidação
e fortalecimento. No final, a implantação do “Basiléia
2” proporcionará maior solidez e segurança não
apenas aos bancos, mas também às empresas de software
especializadas nesse segmento.
*Bernardo Francisco Pereira Gomes, diretor-presidente da Senior
Solution S.A.
bernardo.gomes@seniorsolution.com.br
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