| por Homero Rutkowski* |
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O fim da malha fina do leão
A temida “malha fina”, que cruza informações
prestadas pelo contribuinte com as de suas fontes recebedoras e pagadoras,
não é apenas uma ferramenta de fiscalização:
é, também, um mecanismo de “pressão emocional”
sobre os cidadãos. Nascida na era do regime militar, a figura
do leão bravo do imposto de renda, que com sua fome insaciável
busca amedrontar os contribuintes, perdura até hoje na mente
dos brasileiros. Em época de entrega da declaração
de imposto de renda, vê-se, na grande imprensa, a utilização
da imagem do animal como metáfora para uma Receita Federal autoritária
e arrogante ao contribuinte – que se sente um sonegador contumaz
até que se prove o contrário.
Diversos desses cruzamentos realmente existem, como os rendimentos
e retenções de imposto de renda, as operações
de compra, venda e locação de imóveis e veículos,
as despesas com cartões de créditos e a CPMF. Mas, em
muitos casos de retenção na malha fina, as chamadas “inconsistências”
justificadas pela Receita não têm razão de ser.
É o exemplo das despesas médicas e com planos de saúde.
O governo não tem informações detalhadas sobre
esses gastos. Ora, se não há previsão legal que
obrigue qualquer empresa operadora de plano de saúde, hospital
ou clínicas a enviar informações detalhadas à
Receita Federal, não há como saber se há erros
e/ou informações falsas.
Mesmo assim, vários contribuintes estão retidos na
malha fina desde 2001 e ainda não receberam suas restituições.
Nas agências da Receita Federal, explica-se que esses contribuintes
devem aguardar a verificação e processamento ou a notificação
para comparecimento. A única informação que se
consegue é o motivo “genérico” de estar na
malha fina. Não se tem acesso aos dados que o governo possui
do declarante, fato que possibilitaria a identificação
precisa das divergências.
A disseminação do uso da certificação digital
pode ser uma alternativa para este impasse, que prejudica, principalmente,
os cidadãos brasileiros. As assinaturas digitais poderiam dar
segurança para que o contribuinte acessasse as informações
que a Receita Federal tem a seu respeito, mesmo antes de entregar sua
declaração. Dessa forma, poderia-se dar fim a essa fiscalização
arcaica, repressora e arbitrária aos cidadãos. Seria o
início de uma fiscalização preventiva e educativa,
melhorando a imagem do “leão” como parceiro do contribuinte.
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* Homero Rutkowski – contabilista, administrador de empresas
e sócio da Tupi Consultoria Empresarial
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