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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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Artigo
 
por Dieter Kelber*

O caminho para o suicídio empresarial

São poucas as pessoas que nunca ouviram que o capital humano é fator decisivo no sucesso das empresas. Também é conhecida a necessidade constante do aumento da produtividade para garantir a existência de lucros para novos investimentos. Assim, seria de se esperar que as organizações investissem maciçamente na implementação de novas tecnologias e nas pessoas – já que ambas ações são necessárias para que se tenha processos de negócios otimizados e operando com melhoria contínua.

Não é difícil perceber que, na parte da tecnologia, as empresas ampliaram seus investimentos. Hoje, elas têm sistemas de informação altamente complexos como ERPs, BIs, CRMs, entre outras siglas capazes de contribuir expressivamente para o aumento de sua competitividade e produtividade. Mas o que aconteceu com o desenvolvimento do capital humano? Em vez de ser foco de investimento, as empresas optaram por exigir que as pessoas patrocinassem o seu auto-desenvolvimento, ocasionando, assim, uma grande assimetria entre o que as empresas precisam e o que seus talentos buscam.

Ao usar seus próprios recursos, o indivíduo prefere focar num cenário mais amplo, fora de seu ambiente de trabalho. A própria instabilidade no trabalho justifica este comportamento. As conseqüências disso são cada vez mais visíveis. Na busca por competências prontas, as empresas perdem tempo e a rotatividade de funcionários aumenta consideravelmente. Já a produtividade esperada com a implementação de novas tecnologias fica muito aquém de qualquer expectativa – colocando em xeque o retorno do investimento de cada equipamento.

Um exemplo dessa conseqüência está na própria área de tecnologia. Pesquisas recentes mostram que a maior parte das empresas usa apenas de 35% a 45% do total de funcionalidades dos seus sistemas. Isso ocorre porque é cada vez mais difícil escolher e aproveitar corretamente as oportunidades oferecidas pelas tecnologias existentes. Em outras palavras, o melhor aproveitamento da tecnologia depende, mais do que nunca, do ser humano.

As pessoas, porém, continuam chegando ao mercado de trabalho com uma formação bastante deficiente. É necessário criar condições para que elas possam desenvolver suas competências nas práticas empresariais correntes. É indispensável que os gestores do capital humano, sobretudo a área de Recursos Humanos, tenham cada vez mais visão sistêmica, multiculturalidade, interdisciplinaridade e uma alta capacidade de integração. Colaboração é uma competência chave para o sucesso de qualquer organização.

Para que os indivíduos atinjam esse estágio, é imprescindível que as empresas invistam cada vez mais no seu desenvolvimento, tanto com ações de treinamento contínuo como em “mentoring” e “coaching”. Os talentos, em todos os níveis da estrutura organizacional (do chão de fábrica até a presidência), precisam praticar para aprender. Quanto mais preparados estiverem, mais adequadamente irão executar suas tarefas. Ao optarem em não investir maciçamente, as organizações simplesmente estarão limitando o crescimento deste capital, caminhando, assim, para uma situação insustentável – um verdadeiro suicídio.
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* Dieter Kelber é diretor-executivo do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual (INSADI).

 
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