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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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Artigo
 
por Paulo Araújo*

Gestão em Miúdos

Caso você seja ou tenha sido acadêmico de qualquer curso ligado à Administração de Empresas, com certeza irá se lembrar das quatro palavrinhas mágicas que norteiam todo o curso. São elas: planejar, organizar, dirigir e controlar. E assim, aula após aula, são discutidos temas que irão lhe ensinar como praticar as quatro benditas palavrinhas quase que como um mantra. A questão é: será que só planejar, organizar, dirigir e controlar uma organização é o bastante? Não, não basta. Tenho notado que são muitas as variáveis para atingir bons resultados. Podemos tentar complementar o bê-a-bá da Administração e evoluir para novas práticas. É o que chamo de “Gestão em Miúdos”, ou seja, que não tem nada de novo – mas que é essencial na prática e cultura de qualquer gestor.

O essencial em gestão é:

Planejar: Pensou que ia escapar dessa? Não venha com desculpas de que não dá tempo, que o legal é deixar as coisas acontecerem naturalmente. Assim, você tem grandes chances de quebrar a cara. Mas como não é isso o que queremos, reserve um tempo de seu dia para planejar as atividades por escrito. Não deixe apenas na cabeça, pois as chances de esquecer de algo são grandes. Deixe espaço para os imprevistos e saiba que, uma vez planejado, as mudanças são permitidas. Não há nada de errado incluir ou excluir um ou outro item.

Descentralizar: Isso, meu amigo: compartilhar. Repassar tarefas, não tentar abraçar o mundo e fazer tudo sozinho com a velha desculpa de que quando os outros fazem sai do jeito que você detesta. Pura bobagem organizacional. Prepare sucessores, estimule a pró-atividade. Líderes de sucesso têm a qualidade de saber repassar tarefas que ajudem o crescimento dos membros de sua equipe e fazem com que todos se sintam úteis. Liderar é promover o espírito de equipe e não sufocá-lo criando feudos e heróis salvadores da pátria de fachada.

Educar: Promover o desenvolvimento e treinamento das pessoas é um dos grandes fatores de motivação de qualquer empresa. Não basta delegar. Tem de educar, ensinar, repassar conhecimentos, macetes e experiências, aprender a contar histórias. Políticas de treinamento são fundamentais para atrair e reter talentos – afinal, se o diferencial de qualquer empresa está nas pessoas, é preciso investir e preparar todos para novos desafios.

Acompanhar: Agora é hora de fazer aquelas visitinhas para verificar se tudo está indo de acordo – e nada de verificar os resultados no dia da entrega final. Procure acompanhar o que foi delegado, faça elogios ou redirecione os trabalhos caso seja necessário. Não deixe brotar o sentimento de falta de atenção por parte de quem recebeu um novo trabalho. E nem caia na velha tentação de fazer para o outro ou adiantar algumas etapas. Não iniba a criatividade alheia e nunca zombe de idéias que podem parecer ridículas ou fora de propósito – afinal, estas mesmas idéias podem ser a grande sacada de amanhã.

Mensurar: Uma vez finalizado o processo, é preciso medir. Verificar se houve crescimento, acertos ou erros. Dados e fatos são sempre importantes e nos ajudam a enxergam a situação, nunca deixando de levar em conta as circunstâncias que levaram aos resultados atingidos. Pois uma queda de 10% nas vendas, por exemplo, pode ser um bom resultado no caso de ter ocorrido recentemente uma forte crise em seu setor. Os números só pelos números podem não ser muito fiéis na hora de premiar ou penalizar. A pessoa responsável deve apresentar um plano de ação com o esperado: o desvio, a causa, e ação para reverter a situação, com o prazo de execução.

Não se esqueça de que toda história tem um enredo e ele é determinante para um final feliz. Fique atento ao comprometimento com os resultados, só o esforço não leva necessariamente a um bom desempenho. Como podemos ver, para ser um bom gestor há inúmeras variáveis, mas ainda é muito válido o uso das quatro palavrinhas mágicas complementadas com os pontos acima.


* Paulo Araújo é diretor da Quality House Consultoria e Treinamento
site: www.pauloaraujo.com.br

 
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