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      Edição 244 - Julho de 2008
 

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Artigo
 
por Luis Alberto Piemonte

O NOVO PARADOXO DA TECNOLOGIA

As limitações dos sistemas tecnológicos de informação em relação às reais necessidades das empresas foram a maior premissa da área de tecnologia da informação (TI) durante décadas. Quem é um pouquinho mais velho se lembrará da frustração em solicitar relatórios, informes ou demonstrações financeiras – fundamentais para a administração ou acompanhamento dos negócios – customizados, pois eram praticamente impossíveis de serem feitos pelos sistemas da época.

Eram os tempos em que TI se chamava CPD e computador era uma coisa do tamanho de um armário que ficava em uma sala isolada, com temperatura controlada, onde apenas alguns privilegiados podiam entrar. Somente eles eram capazes de interpretar o que os computadores ‘diziam’ e, assim como oráculos modernos (talvez daí tenha surgido a inspiração de uma importante empresa da área), fornecer os valiosos relatórios, mesmo que incompletos ou brutos.

Aos poucos foi acontecendo uma mudança que todos acompanhamos com enorme entusiasmo: o desenvolvimento tecnológico com foco na tecnologia de informação. Os softwares e, posteriormente, os sistemas foram ficando cada vez mais inteligentes. Tanto que começaram a “conversar” entre si e se integrar. A demanda por funcionalidades cada vez mais complexas fez com que o desenvolvimento se acelerasse – uma situação que subsiste até os dias de hoje.

De repente, percebemos que a situação mudou e ficamos surpresos ao analisar a nova realidade. Hoje, sistemas de informação altamente complexos como ERP, BI e CRM são capazes de fornecer não apenas os dados e informações que precisamos como também geram relatórios que nem sequer imaginamos. Chegamos, então, a uma inversão de premissas. Se no passado o problema eram as limitações, atualmente, o que dificulta o trabalho é o não-domínio do excesso de funcionalidades dos sistemas.

Pesquisas recentes mostram que a maior parte das empresas usa apenas de 35% a 45% do total de funcionalidades dos seus sistemas de ERP. Por que isso acontece? A resposta é muito simples: a oferta de informatização em quase todos os setores ultrapassa nossa capacidade de aproveitamento. Essa é a essência da mudança: a tecnologia da informação se coloca agora na frente das necessidades corporativas; não reclamamos mais por falta de funcionalidades. Hoje, ficou muito difícil escolher qual a melhor tecnologia para cada necessidade.

Se antes debochávamos da precariedade da tecnologia, hoje temos de nos esforçar muito para utilizá-la corretamente. Podemos concluir que, na maioria das situações, é difícil para nós escolhermos e aproveitarmos corretamente as oportunidades oferecidas, porque a complexidade ultrapassa nossa capacidade de entendimento. Em outras palavras, que o melhor aproveitamento da tecnologia depende, mais do que nunca, do ser humano. Esta é a conseqüência da mudança. Aqueles que a compreenderem mais rapidamente, buscando formas de harmonizar o potencial intelectual de seus colaboradores com a tecnologia, sairão na frente.

Um exemplo nesse sentido é o Business Process Management Systems (BPMS). Nele, os usuários são responsáveis por comandar conjuntos de sistemas diferentes sem operá-los diretamente. Nessa nova fase da TI, é possível ao usuário utilizar uma linguagem simples para acionar sistemas de complexos níveis tecnológicos que os transformarão em processos de gestão.

Com as tecnologias e metodologias disponíveis, é possível alcançar graus de produtividade antes inimagináveis. Essa tendência permanece claramente visível nos dias de hoje. Porém, com um ingrediente que chama atenção: a necessidade de se voltar a investir no desenvolvimento das pessoas com o objetivo de uma otimização no uso do potencial das funcionalidades das ferramentas e dos sistemas existentes. Esse binômio marcará os próximos anos.

*Luis Alberto Piemonte é Presidente e Consultor do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual, INSADI e da Business Processes School. E-mail: luis.piemonte@insadi.org.br.

 
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