| por João Satt |
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Baianizaram o varejo
Copiar as Casas Bahia não garante o sucesso de ninguém
– a não ser o das Casas Bahia
O varejo, qualquer que seja – de carros, de roupas, e o de eletrodomésticos
e eletrônicos – está comoditizado. Um copia o outro
e, nesse ritmo, todo mundo está cada vez mais igual. A nova onda
é copiar, também, a propaganda do concorrente. O problema
é que, hoje, para fazer a diferença, não adianta copiar
estratégias de comunicação vitoriosas como a da Casas
Bahia. Ora, você não está competindo com a propaganda
do seu concorrente, e sim com o negócio dele. Nenhum diferencial
se sustenta só com uma promessa de mídia. O tempo e a concorrência
tratam de desmanchar tudo que não é consistente.
Não estou afirmando que a boa propaganda não ajuda a vender.
Ao contrário: o papel da boa propaganda é contar uma grande
história de marketing. Mas se você não tem uma estratégia
criativa de negócio, não adianta exigir da sua agência
uma comunicação que encha sua loja de consumidores ávidos
por comprar uma coisa que encontram mais barato na loja do seu concorrente.
Até porque os mesmos produtos de um fabricante ao qual você
associa sua marca numa campanha publicitária estão nas lojas
do seu competidor. Os responsáveis pela comoditização
do mercado são os próprios fabricantes e lojistas. O mercado
se comoditizou pra valer. Porque é fácil – e rápido
– copiar.
A busca obsessiva por superar os concorrentes faz com que as empresas
adotem o benchmarking como ferramenta prioritária. Você
acaba copiando o que o concorrente faz e pronto, ficamos todos muito
parecidos. Curiosamente, as grandes redes varejistas do Brasil, com
raras exceções, foram tomadas pela febre da baianização
da linha de comunicação. Afinal, deu certo para as Casas
Bahia. O curioso é que a única rede que, de fato, cresce
em receita e lucro é a das Casas Bahia. As demais sangram, se
batem, estão perdidas. Isso acontece porque dois corpos não
podem ocupar o mesmo espaço. Se o consumidor pode comprar o original,
porque irá preferir uma cópia? Se ele pode comprar nas
Casas Bahia, porque irá optar por outra rede de varejo?
Como romper com a comoditização? Resposta: traçando
um novo e diferente caminho. Mexendo no seu posicionamento. É
mais difícil e exige coragem, mas quem não fizer isso
terá um futuro rubro nos balanços. É necessário
encontrar uma nova lógica para construir o futuro dos seus negócios
com crescimento e rentabilidade. E essa lógica é se colocar
onde o concorrente não está – acrescentando um valor
que ele não tem. Em vez de queimar margens com ofertas bombásticas
e condições imbatíveis, é preciso construir
um novo modelo de negócio no varejo brasileiro. Um modelo que
consiga atender o consumidor em dois aspectos: satisfação
e preço.
* João Satt é diretor-presidente
da Competence – www.competence.com.br.
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