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Top of Mind 2003 exibe duelos empolgantes, como
Gerdau x RBS, e fracassos de popularidade em categorias
como previdência privada - que até
a classe A/B ignora
Alguns dos oráculos da administração
moderna escreveram que a mente do consumidor é
a trincheira na qual as marcas ganharão
ou perderão a grande batalha do marketing.
Se suas premissas estiverem corretas, há
um punhado de empresas com um considerável
problema ou oportunidade nas mãos.
A pesquisa Top of Mind, que AMANHÃ realiza
no Rio Grande do Sul, desde 1991, com a empresa
Segmento Pesquisas, mostra que os consumidores
gaúchos, quando pensam em certas categorias
de produtos e serviços, simplesmente não
conseguem lembrar de uma só marca.
O ramo de empresas de previdência privada
é, de longe o mais impopular. Nada menos
que 84% dos 1.200 entrevistados puxaram pela memória
e nada. E não se pense que esse
é um percentual inflado pelas numerosas
classes D/E, que não pensam em nada além
dos tostões da velha Previdência
Social. Na elite que habita o alto da pirâmide,
o resultado não é lá tão
diferente: boa parte da classe A/B foi tomada
de amnésia quando convidada a mencionar
o nome de uma empresa de previdência privada.
Pode-se compreender a amnésia do consumidor,
nesse caso, pelo fato de que pouquíssimos
brasileiros têm a cultura de adquirir planos
de previdência privada. Mas o que dizer
da incapacidade revelada por sete, entre dez gaúchos,
de citar a marca (qualquer marca) de um computador,
um item presente nas casas, no trabalho (e nos
sonhos) de tantos brasileiros? "Não
podemos fazer uma associação direta",
adverte Nádia Freire, diretora da Segmento
Pesquisas, de Porto Alegre. "Muitas vezes,
o consumidor não lembra o nome da empresa
ou do produto, mesmo que o tenha adquirido."
É uma verdade que não serve de consolo.
Afinal, voltando aos oráculos do marketing,
marcas precisam de diferenciação
e a impressão que fica é
de que, para os entrevistados, computadores são
todos iguais , assim como concessionárias
de rodovias, máquinas agrícolas
e empresas de convênios de refeição.
Entre os quase 100 itens de produtos e serviços
que constam da pesquisa, há várias
situações opostas a essas. São
os casos em que praticamente todos os entrevistados
trazem alguma marca na ponta da língua.
Em "Banco", por exemplo, só 0,6%
dos consumidores acusaram amnésia de marca.
Nessa categoria, o Banco do Estado do Rio Grande
do Sul (Banrisul) conseguiu ultrapassar o Banco
do Brasil pela pela primeira vez em 11 anos de
pesquisa. A pequena vantagem do Banrisul (29,1%,
ante 26,1% do BB) caracteriza um dos grandes duelos
desta edição do Top of Mind Rio
Grande do Sul. Há outros: em "Vinho",
o Almandén perdeu a liderança para
o Granja União por nove décimos
de ponto percentual.
Nenhum duelo pode ser comparado, porém,
ao que reúne Gerdau e RBS. Desde 1999,
as duas grifes disputam a condição
de grande ícone empresarial do Rio Grande
do Sul. Cada uma havia vencido duas vezes, desde
então. Este ano, a Gerdau desempatou: foi
citada por 6,8% dos gaúchos como a "Grande
Empresa do Rio Grande do Sul". O detalhe
é que a RBS obteve 6,7% das lembranças
apenas um décimo de ponto percentual
a menos.
Maior conglomerado de mídia do Sul do
país, a RBS é, naturalmente, a marca
de mais intensa e constante exposição
pública no Rio Grande do Sul. Esse trunfo
a levou ao pódio das grifes corporativas
mais populares do Estado, posição
que manteve desde a primeira edição
da pesquisa, em 1991. E, possivelmente, essa mesma
visibilidade tornou a RBS o crachá mais
cobiçado pelos gaúchos. Ao perguntar
"Em que empresa você gostaria de trabalhar?",
5,3% dos entrevistados responderam "RBS".
Não é um percentual elevado
nessa questão, as respostas se pulverizam
entre muitos nomes. Também é escassa
a distância para a segunda colocada, a GM,
emprego sonhado por 4,1% dos gaúchos.
Uma outra novidade na pesquisa deste ano, a categoria
"Empresa preocupada com o meio ambiente",
mostra que os tempos são outros no Rio
Grande do Sul. A empresa que os gaúchos
consideram ambientalmente correta é a indústria
de papel e celulose Riocell, com 4,1% das indicações.
Nos anos 70, o mau cheiro exalado pelas chaminés
da empresa que se chamava Boorregaard
ajudou a criar as raízes do movimento am-bientalista
no Rio Grande do Sul. Os investimentos feitos
pela Riocell em métodos de produção
limpa percebe-se agora, reciclaram a sua imagem.
A liderança mais implacável exercida
por uma grife em seu segmento é a da Tramontina,
na categoria "Talheres". Oito em dez
gaúchos não pensam em outra marca.
Em "Telefone celular", a Nokia opera
uma proeza comparável: é a marca
citada por praticamente sete a cada grupo de dez
entrevistados. Não é esse, porém,
o seu maior feito. A Nokia é a líder
do ranking "Marcas emergentes"
aquelas que têm apresentado maior crescimento
em seus índices de lembrança nas
últimas três ediçõesdo
Top of Mind.
A pesquisa também proporciona um tira-teima
de popularidade entre alguns dos maiores escritores
gaúchos. Mário Quintana levou a
melhor, com 17,2% das lembranças, seguido
pelo clã Verissimo: Erico, com 15,9%, e
Luis Fernando, com 2,8%. Ao menos até aqui,
a poesia bateu a prosa.
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