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“Se não
tiver uma equipe saudável, a empresa não será
suficientemente produtiva; e se as pessoas não se tratarem,
os custos com saúde serão ainda maiores no longo prazo”
João Lins, Consultor de capital humano da PricewaterhouseCoopers |
Baixa
produtividade e retrabalho
À primeira vista, soa absurdo afirmar que o empregado com
baixa produtividade custa mais caro à empresa do que aquele
que falta ao trabalho. Mas uma comparação mais atenta
ajuda a entender essa conta. “Numa falta não programada,
a perda de produtividade é de 100% em um dia. Já quando
o empregado vai ao trabalho, mas passa vários dias sem produzir
o que deveria, devido a pequenas complicações de saúde,
as perdas são muito maiores”, explica Brett Gorovsky,
responsável pela pesquisa “2007 Unschedule Absence Survey”,
feita pela consultoria CCH, com 317 empresas norte-americanas.
Além do mais, é comum que as tarefas realizadas pelo
“presenteísta” resultem em retrabalho, com maiores
gastos em energia elétrica, transporte, e alimentação,
elevando o custo por funcionário. E um pequeno problema de
saúde não tratado pode significar, no longo prazo,
aumento dos custos com consultas, medicamentos e, até, com
pensões ou aposentadorias. O professor da FGV, Roberto Heloani,
lembra o caso de uma empresa de informática que proibiu os
funcionários de trabalhar depois do fim do expediente, às
18h. O motivo? A companhia constatou que o custo do retrabalho das
tarefas executadas nas horas extras era muito grande. “Como
os funcionários precisavam de boa memória, após
certo horário produziam muito menos e com qualidade inferior.
Na prática, trabalhavam mais horas, gastavam mais recursos
da empresa e, não raro, acabavam doentes”, conta Heloani.
De acordo com o livro America at Work: Choices and Chalanges
(América e Trabalho: Escolhas e Desafios, sem tradução
para o português), de Edward Lawler, um empregado doente que
vai trabalhar, em vez de ficar em casa, custa o equivalente a US$
255 por ano em perdas de produtividade. Algumas estimativas revelam
que o presenteísmo gera uma perda de US$ 180 bilhões
anuais para as empresas norte-americanas. Outro levantamento, feito
pelo Instituto de Estudos em Saúde e Produtividade, da Universidade
de Cornell, aponta números impressionantes sobre a redução
da produtividade associada a problemas de saúde. Uma pessoa
com artrite produz 9,7% menos. Já o diabetes pode diminuir
a produtividade do trabalhador em até 19,9%. “O impacto
para a empresa se dá em duas dimensões: se não
tiver uma equipe saudável, não será suficientemente
produtiva; e se as pessoas não se tratarem, os custos com
saúde serão ainda maiores no longo prazo”, explica
João Lins, consultor de capital humano, da PricewaterhouseCoopers. |
Presente, mas
doente
Dor de cabeça, febre, problemas gastrointestinais,
resfriados ou gripes, dores musculares, distúrbios de sono, asma
ou crise alérgica. Em maior ou menor grau, não há
quem não tenha pensado em ficar em casa depois de acordar com
um desses sintomas. Alguns especialistas dizem que a pessoa não
deveria mesmo ir trabalhar assim. Afinal, até mesmo pequenas
complicações físicas ou psicológicas podem
interferir no rendimento, contaminar o ambiente de trabalho e, não
raro, gerar mais custos para a empresa. “Com freqüência,
as pessoas vão trabalhar doentes. O autônomo tem de ir
porque não há quem o substitua. O assalariado, porque
tem medo de perder o emprego”, comenta Zuher Hambar, diretor científico
da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anam).
Outro aspecto é que os brasileiros não
têm o hábito de procurar um médico por problemas
que julgam de pouca importância – no máximo se automedicam.
“Ninguém vai ao médico, a não ser que esteja
passando mal”, aponta Thaís Blanco, responsável
da consultoria de benefícios da Hewitt Associates. O problema
é que aquilo que parece uma banalidade para uns pode afetar seriamente
a produtividade de outros. Por isso, até uma dor de cabeça
mais intensa poderia ser motivo para uma recomendação
médica de afastamento do trabalho. Hambar ressalta que, além
de avaliar o limite do corpo de cada paciente, o médico tem a
responsabilidade de investigar sintomas que possam esconder alguma doença
mais complicada. “Mas é importante ter em mente que cerca
de 80% das pessoas não têm doenças, mas apenas sensações
desagradáveis de desconforto físico que não a deixam
render 100%”, alerta Ricardo de Marchi, diretor da CPH Health
Solution. Para avaliar melhor cada situação e, ao mesmo
tempo, detectar quando se trata de algum problema mais grave, a maioria
das grandes empresas mantém estruturas próprias de assistência
à saúde, além de exigir exames clínicos
a cada seis meses.
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As
razões dos norte-americanos |
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65%
Muito trabalho a fazer, prazos estreitos
56% Ninguém para cobrir sua
falta
55% Não quer usar o tempo de
férias
49% Temor de alguma punição
49% Dispensas por doença são
reservadas para outras ocasiões
36% Lealdade à companhia
27 Cultura da companhia desencoraja
o uso dos dias de afastamento por doença
9% Muito difícil trabalhar
em casa
Fonte: 2007 CCH Unscheduled Absence Survey – pesquisa feita
com 317 empresas dos Estados Unidos
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Para os especialistas em RH, está claro que cada colaborador
deve ter a responsabilidade e a consciência de que sua situação
de saúde afeta a empresa. Mas, quando isso não ocorre,
cabe ao líder da equipe observar mudanças de comportamento
ou sintomas de que algo não vai bem com a saúde do colaborador.
É o que acontece na AES Sul, distribuidora de energia do Rio
Grande do Sul. As equipes que atuam nas redes elétricas são
observadas atentamente, pois o responsável precisa ter certeza
de que o funcionário está 100% focado no trabalho antes
de liberá-lo para acompanhar as equipes de campo. “Estar
presente e não completamente atento é perigoso, porque
tanto aquele funcionário quanto seus colegas correm o risco de
morrer se acontecer algo de errado”, explica Luis Cláudio
Rangel Xavier, superintendente de relações humanas da
AES Sul. Se a pessoa não apresenta condições, é
afastada da equipe, podendo, até mesmo, ser liberada do trabalho
– com a compensação por meio do banco de horas.
“Dessa forma, as pessoas vêem como são tratadas e
confiam mais na empresa”, acredita Xavier.
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| Xavier, da AES Sul: condições
físicas e emocionais pesam na hora de liberar as equipes de
campo |
Algo semelhante acontece na unidade brasileira da companhia
farmacêutica norte-americana Bristol-Myers Squibb. “Nós
nos preocupamos com a saúde dos colaboradores, pois qualquer
problema pode se transformar em uma epidemia”, diz Renato Paiva,
gerente de recursos humanos da Bristol. Um estudo da consultoria norte-americana
CCH (2007 Unscheduled Absence Survey) revelou que, em 85% das vezes
nas quais o empregado vai trabalhar com problemas de saúde, trata-se
de gripe ou resfriado, de fácil contágio. Por isso, a
Bristol costuma dispensar funcionários com algum problema de
saúde, principalmente quando há o risco de transmissão
para os demais colegas. Outra solução que pode ser adotada
pelas empresas é dar folga aos empregados, sem descontar do pagamento
– o que é geralmente utilizado com executivos. “Mas
no chão de fábrica é muito mais complicado fazer
isso”, acredita Thaís, da Hewitt.
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