| Fernanda
Arechavaleta

O mês de janeiro começou nebuloso
para o mercado de capitais no mundo todo. Os solavancos das bolsas
norte-americanas e o temor de uma recessão na maior economia
do globo fizeram a bolsa brasileira despencar mais de 20% em três
semanas. Mas em que pesem as preocupações com a
trajetória futura do mercado, é fato que 2007 foi
um ano para lá de excepcional para os investidores em ações.
Na média, o Ibovespa – índice composto pelos
64 papéis mais negociados na Bovespa – teve uma valorização
de 43,6%. É bastante, especialmente na comparação
com a Taxa Selic, que remunera as aplicações em
títulos públicos e terminou o ano em 11,25%. O que
dizer, então, de valorizações superiores
a 80% ou 100% no ano? Pois entre os 20 papéis de maior
liquidez de companhias sediadas na Região Sul, dez tiveram
altas superiores aos 43% do Ibovespa, conforme mostra o ranking
Blue Chips do Sul.
Entre os destaques do ano estão companhias
novatas na bolsa, como Positivo Informática e Lupatech,
ao lado de outras tradicionais que fizeram novas ofertas para
ampliar o capital em circulação ou entraram para
o Novo Mercado – com maiores exigências de transparência
e ampliação de direitos aos minoritários.
Foi o que ocorreu com a Cia. Hering. A têxtil catarinense
surpreendeu com uma alta de 114,29% no ano – a segunda maior
valorização do Sul. O salto é resultado da
reestruturação da companhia, de uma nova oferta
de ações e da entrada no Novo Mercado, em julho.
“O fato é que estamos olhando para uma empresa no
início do ano, quando tinha poucas ações
em circulação, e para outra depois da entrada no
Novo Mercado. Não houve uma valorização constante
dos papéis, mas sim um repuxo devido à nova oferta”,
aponta Renata Coutinho, analista do Banco Santander.

Com valorizações próximas
aos 90%, os papéis da Lupatech e da Positivo Informática
entraram no time das Blue Chips do Sul já no primeiro
ano em que freqüentaram o pregão nos 12 meses –
ambas abriram o capital em 2006. As duas empresas se beneficiaram
do bom momento da economia com as vendas recordes de computadores
e com o aquecimento do setor de petróleo e gás,
que favorece diretamente a Lupatech. “Apostamos na proximidade
com o investidor para explicar o que nossa empresa queria e qual
era o perfil do mercado brasileiro”, afirma Sílvia
Emanoele Sewaybricker, gerente do departamento de relações
com os investidores da Positivo. O aumento da capacidade produtiva
trouxe boas perspectivas de fluxo de caixa futuro – o que
se refletiu na valorização dos papéis. “No
entanto, não se deve esperar uma valorização
tão forte em 2008”, avalia Alexandre Ulm, analista
da Ágora, que acompanha a Positivo.
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| Sede da Bovespa: 2008 começou com
turbulências no mercado de capitais, mas o ganho médio
na bolsa brasileira superou os 40% em 2007 |
Mas se quem havia comprado ações
da Hering, Positivo ou Lupatech se deu bem, imagine quem tinha
no portfolio os papéis da Forjas Taurus. Pelo
segundo ano consecutivo, as preferenciais da companhia gaúcha
lideram o ranking das maiores altas do Sul. Em 2007, os papéis
subiram espantosos 193,44%. E vale lembrar que já haviam
se valorizado no mesmo percentual em 2006. “A empresa está
se modernizando, elevou a produtividade e aumentou a presença
em vários mercados, como é o caso de setor de bens
de capital, com a Taurus Wotan. Esse esforço foi bem avaliado
pelos investidores e se refletiu no comportamento das ações”,
avalia Luís Fernando Costa Estima, diretor-presidente da
Taurus.

A valorização dos dois últimos
anos é resultado da reestruturação iniciada
em 2004. A Taurus soube aproveitar a crise de segurança
que reina nos Estados Unidos, desde os atentados de 2001 para
abocanhar 20% do mercado de armas leves daquele país. Além
disso, adotou uma postura inovadora com grande número de
lançamentos e implantou o sistema de lean manufacturing
– o chamado sistema Toyota de produção, que
busca reduzir os custos como forma de aumentar as margens. “Para
os próximos anos, a estratégia da Taurus é
aumentar a presença no segmento de máquinas operatrizes
de grande porte e na fabricação de capacetes para
o mercado interno”, destaca Rafael Weber, analista da Geração
Futura. Para crescer nesses segmentos, a empresa está investindo
R$ 5 milhões na subsidiária Taurus Wotan e construirá
uma nova fábrica de capacetes na Bahia. Hoje, 17% da receita
vem da comercialização de capacetes.
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