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O tema da reputação corporativa
vem ganhando espaço no mundo dos negócios –
e vai ganhar muito mais. Afinal, diante da grande quantidade de
produtos e serviços semelhantes é natural que as
pessoas comecem a prestar mais atenção também
à companhia que está por trás deles. Com
maior facilidade de acesso à informação,
o consumidor pode avaliar os valores e princípios éticos
da empresa, a responsabilidade socioambiental, o histórico
de presença no mercado e a qualidade dos produtos que vende.
Isso tudo se reflete na reputação da companhia que,
se for positiva, projetará a imagem de suas diversas marcas
– e, é claro, as vendas. É por isso que grandes
empresas como Unilever e Bunge estão expondo com maior
agressividade a marca corporativa. “Antes, havia uma preocupação
isolada com a qualidade e com a marca de cada produto. Hoje, a
atenção se volta para a chancela da empresa, a marca
corporativa”, avalia Levi Carneiro, diretor associado da
Troiano Consultoria de Marca, de São Paulo.
Como acontece com as marcas de produtos e serviços,
estudar e medir o prestígio de um ativo intangível
como a marca corporativa não é tarefa simples. Foi
justamente para avaliar o reconhecimento das principais companhias
sediadas nos três Estados do Sul que a revista AMANHÃ
e a Troiano realizaram a pesquisa “Reputação
Corporativa Amanhã-Troiano”. “Um projeto dessa
amplitude e profundidade para tratar de reputação
corporativa é inédito no Brasil”, afirma Jaime
Troiano, diretor da consultoria.
Um dos diferenciais da pesquisa em relação
a outros levantamentos é que ela foi feita diretamente
com os consumidores e não com um segmento específico
de profissionais – como, por exemplo, executivos. “Fomos
ouvir as pessoas que são, no final das contas, as principais
beneficiárias de uma empresa que tem prestígio”,
explica Troiano. As grandes campeãs em reputação
– que obtiveram a maior pontuação em seus
respectivos Estados – foram a Tramontina, no Rio Grande
do Sul; a Sadia, em Santa Catarina; e O Boticário, no Paraná.
“São companhias que mantêm laços muito
fortes com a população, o que se refletiu no prestígio
revelado pelo levantamento”, afirma Troiano. Chama a atenção,
também, o fato de que as três empresas fabricam produtos
para o consumidor final.
As
vencedoras em cada Estado |

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Para chegar ao chamado Índice de Prestígio
da Marca Corporativa (IPMC), a pesquisa avaliou cinco quesitos:
Qualidade dos Produtos e Serviços, Admiração
e Confiança, Responsabilidade Social e Ambiental, Inovação
e, ainda, Histórico e Evolução. Além
de avaliar o quanto cada marca se identifica com esses quesitos,
os entrevistados definiram qual a importância que eles dão
a cada um desses aspectos. Nos três Estados, a Qualidade
dos Produtos e Serviços foi apontada – pelos próprios
entrevistados – como o atributo mais importante. “Isso
mostra que, se o produto não tiver a qualidade desejada,
não adianta mascarar a reputação com outras
coisas. Esse é o ponto”, diz Troiano.
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“As vencedoras
são aquelas empresas que mantêm laços muito
fortes com a população, o que se refletiu no
prestígio revelado pela pesquisa”
Jaime Troiano, diretor da Troiano Consultoria de Marca |
Arquitetura
monolítica
De fato, numa época em que já apareceram
remédios feitos de farinha, brinquedos com substâncias
tóxicas e leite com soda cáustica, não é
de estranhar que o consumidor valorize mais a qualidade dos produtos
na hora de avaliar a imagem da empresa. Por outro lado, a inovação
– aspecto bastante valorizado no meio empresarial –
não foi considerada tão importante, ficando em quarto
lugar nos três Estados. “Esse é um dado interessante,
porque para os executivos e profissionais dos negócios
a inovação é fundamental, quase uma coisa
sagrada. Mas, para o consumidor, o que importa é a percepção
direta da qualidade do produto ou serviço”, avalia
Troiano.
Essa percepção do consumidor a respeito
da qualidade do produto explica outro aspecto da pesquisa. Nas
três empresas mais prestigiadas, a marca corporativa e a
marca dos produtos se confundem. Quase todos os produtos da Sadia,
por exemplo, são vendidos com a marca Sadia. O mesmo acontece
com Tramontina, que é marca dos produtos e identificação
da empresa. É o que os especialistas chamam de arquitetura
monolítica. Mesmo no caso de O Boticário, que tem
diferentes nomes para suas linhas de perfumes e cosméticos,
todos são vendidos sob a assinatura da marca “O Boticário”.
“Você não diz: comprei um Malbec. Você
diz: comprei um perfume d'O Boticário”, ilustra Carneiro.
A pesquisa mostrou, também, que algumas
empresas conseguiram construir uma imagem de prestígio
mesmo não vendendo diretamente para o consumidor final.
Uma delas é a Gerdau, que aparece muito bem colocada no
ranking do Rio Grande do Sul. O mesmo acontece com Weg e Tigre
em Santa Catarina. Embora uma parte do mercado da Tigre seja formado
por consumidores de varejo, não é todo dia que alguém
compra produtos hidráulicos. No entanto, a Tigre é
a segunda com melhor reputação em Santa Catarina,
ficando entre duas gigantes do setor de alimentos: Sadia e Perdigão.
Por outro lado, companhias como Grendene (RS), Eliane (SC) e Yoki
(PR), que têm produtos para o varejo, não conseguiram
figurar entre as dez primeiras no ranking.
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