Voltar para página inicial
      Edição 239 - Janeiro/Fevereiro de 2008
 

    Matéria de Capa
    Exclusivo
    Especial
    Entrevista
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprimir Dê sua opinião Indique este texto

 

Os solavancos da BOLSA

As angústias dos investidores se revelam nos altos e baixos do Ibovespa (em pontos)

Fonte: Infomoney

 

Transparência sempre

Tendo a transparência como item obrigatório de conduta corporativa, a área de RI não deveria dialogar com o mercado nos momentos de crise apenas para dar segurança ao investidor, mas, sim, para cumprir sua função essencial de informar. “Quando a empresa encara a crise de frente e é transparente, o investidor fica um pouco mais confortável. A atual crise não diz respeito às empresas em si, mas às dificuldades da economia norte-americana com reflexos nas bolsas mundiais. Ainda assim, é importante que as companhias estejam prontas para reforçar seus fundamentos”, argumenta Heloísa, do IBGC. Na ótica de Heloísa, a transparência funciona nos momentos positivos e negativos e, durante qualquer crise, é preciso ser ainda mais transparente, demonstrando que a empresa tem boas práticas de governança corporativa.

Para o gerente de RI da Weg, Luis Fernando Moran de Oliveira, o nervosismo dos mercados não deve ser um vetor de mudança na forma de relacionamento entre a empresa e seus investidores. “O RI tem de estar tão disponível como sempre, mas quando há uma queda generalizada dos mercados pode (ou não) haver a necessidade de reafirmar os fundamentos da empresa e ele deve estar preparado para isso.” A responsabilidade, entretanto, é a mesma. “Quando nos procuram, dizemos que é um movimento normal do mercado e que não há notícia nova em relação aos fundamentos da empresa. Afinal de contas, nós não vendemos ações, vendemos motores e, embora tenhamos a obrigação de ser transparentes e prover informações aos investidores, a decisão tem de ser deles”, observa Oliveira. A verdade é que os fundamentos da empresa são um dos componentes da equação que movem os mercados, mas o simples fato de saber que a companhia está disponível ajuda a reforçar sua credibilidade.

 

Razão ou emoção?

A posição defensiva, ainda que natural, está longe de ser a ideal para as companhias durante uma situação de pânico no mercado. “Há fatores novos no mercado e, também, muitos profissionais recém-chegados. Então, é preciso ter cuidado ao posicionar a mensagem da empresa durante uma crise sistêmica. As companhias tendem a sair se defendendo diante da demanda dos investidores, o que é natural, mas não adequado”, alerta Valter Faria, da TotalRI. Segundo ele, o cenário desenhado pela crise era previsível num mercado que ainda vive um complexo processo de amadurecimento. Por outro lado, traz a oportunidade para que as companhias discutam diversos pontos de sua estratégia de comunicação com o mercado.

Em primeiro lugar, recomenda o consultor, é preciso separar a razão da emoção, e os profissionais de RI, em conjunto com os CEOs e com a área financeira, devem saber identificar os medos e angústias dos investidores, trazendo razão para o mercado. “É fundamental adotar uma linguagem mais adulta para tirar o aspecto emocional da discussão. Em segundo lugar, substituir a visão de curto prazo – que ainda prevalece inclusive na “régua” dos analistas, mais voltados aos resultados trimestrais – por uma cultura efetiva de investimento de longo prazo”, sustenta Faria.

Para Heloísa Bedicks, do IBGC, qualquer investidor sabe que o mercado de capitais é de alto risco e deveria estar consciente de que as turbulências acontecem. “Ou, então, é melhor nem entrar.” É verdade. Mas não é simples, nem rápido, eliminar o lado emocional e agir com sangue-frio, o que exige maturidade dos profissionais responsáveis pelas estratégias de comunicação das empresas. “As expectativas do mercado estão muito confusas e difusas, e há um grande estímulo ao investimento em ações, mas a experiência ainda é nova e o pessoal sofre com emoções de curto prazo. Nesse cenário, uma postura defensiva do RI pode acabar reforçando a emoção em lugar da razão”, lembra Faria. Segundo o consultor, cabe ao RI discutir, sim, os fundamentos da companhia e mostrar ao analista que nada mudou, ou seja, deixar claro que o fator preço está sendo puramente emocional.

O que falta, então, para aprimorar o diálogo entre as áreas de RI e os investidores? “Falta sensibilidade corporativa a respeito da comunicação. É preciso tratar a comunicação como uma ciência, que cria valor e produz resultados, tanto nos bons como nos maus momentos”, opina Faria. Ele admite, porém, que esse é um processo cultural, que exige tempo. Outro fator que pesa é o fato de que a transição de empresa fechada para aberta gera medo no corpo diretivo – e nem sempre há tempo para preparar tecnicamente as equipes caso venham a enfrentar momentos de alta volatilidade e pressão.

 

“Nós não vendemos ações, vendemos motores. E embora tenhamos a obrigação de ser transparentes e prover informações claras aos investidores, a decisão tem de ser deles”

Luis Fernando Moran de Oliveira
Gerente de Relações com Investidores da Weg

 

Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo