Os
solavancos da BOLSA |
As angústias
dos investidores se revelam nos altos e baixos do Ibovespa (em pontos)

Fonte: Infomoney
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Transparência
sempre
Tendo a transparência como item obrigatório
de conduta corporativa, a área de RI não deveria dialogar
com o mercado nos momentos de crise apenas para dar segurança
ao investidor, mas, sim, para cumprir sua função essencial
de informar. “Quando a empresa encara a crise de frente e é
transparente, o investidor fica um pouco mais confortável. A
atual crise não diz respeito às empresas em si, mas às
dificuldades da economia norte-americana com reflexos nas bolsas mundiais.
Ainda assim, é importante que as companhias estejam prontas para
reforçar seus fundamentos”, argumenta Heloísa, do
IBGC. Na ótica de Heloísa, a transparência funciona
nos momentos positivos e negativos e, durante qualquer crise, é
preciso ser ainda mais transparente, demonstrando que a empresa tem
boas práticas de governança corporativa.
Para o gerente de RI da Weg, Luis Fernando Moran de
Oliveira, o nervosismo dos mercados não deve ser um vetor de
mudança na forma de relacionamento entre a empresa e seus investidores.
“O RI tem de estar tão disponível como sempre, mas
quando há uma queda generalizada dos mercados pode (ou não)
haver a necessidade de reafirmar os fundamentos da empresa e ele deve
estar preparado para isso.” A responsabilidade, entretanto, é
a mesma. “Quando nos procuram, dizemos que é um movimento
normal do mercado e que não há notícia nova em
relação aos fundamentos da empresa. Afinal de contas,
nós não vendemos ações, vendemos motores
e, embora tenhamos a obrigação de ser transparentes e
prover informações aos investidores, a decisão
tem de ser deles”, observa Oliveira. A verdade é que os
fundamentos da empresa são um dos componentes da equação
que movem os mercados, mas o simples fato de saber que a companhia está
disponível ajuda a reforçar sua credibilidade.
Razão ou emoção?
A posição defensiva, ainda que natural, está
longe de ser a ideal para as companhias durante uma situação
de pânico no mercado. “Há fatores novos no mercado
e, também, muitos profissionais recém-chegados. Então,
é preciso ter cuidado ao posicionar a mensagem da empresa durante
uma crise sistêmica. As companhias tendem a sair se defendendo
diante da demanda dos investidores, o que é natural, mas não
adequado”, alerta Valter Faria, da TotalRI. Segundo ele, o cenário
desenhado pela crise era previsível num mercado que ainda vive
um complexo processo de amadurecimento. Por outro lado, traz a oportunidade
para que as companhias discutam diversos pontos de sua estratégia
de comunicação com o mercado.
Em primeiro lugar, recomenda o consultor, é preciso
separar a razão da emoção, e os profissionais de
RI, em conjunto com os CEOs e com a área financeira, devem saber
identificar os medos e angústias dos investidores, trazendo razão
para o mercado. “É fundamental adotar uma linguagem mais
adulta para tirar o aspecto emocional da discussão. Em segundo
lugar, substituir a visão de curto prazo – que ainda prevalece
inclusive na “régua” dos analistas, mais voltados
aos resultados trimestrais – por uma cultura efetiva de investimento
de longo prazo”, sustenta Faria.
Para Heloísa Bedicks, do IBGC, qualquer investidor
sabe que o mercado de capitais é de alto risco e deveria estar
consciente de que as turbulências acontecem. “Ou, então,
é melhor nem entrar.” É verdade. Mas não
é simples, nem rápido, eliminar o lado emocional e agir
com sangue-frio, o que exige maturidade dos profissionais responsáveis
pelas estratégias de comunicação das empresas.
“As expectativas do mercado estão muito confusas e difusas,
e há um grande estímulo ao investimento em ações,
mas a experiência ainda é nova e o pessoal sofre com emoções
de curto prazo. Nesse cenário, uma postura defensiva do RI pode
acabar reforçando a emoção em lugar da razão”,
lembra Faria. Segundo o consultor, cabe ao RI discutir, sim, os fundamentos
da companhia e mostrar ao analista que nada mudou, ou seja, deixar claro
que o fator preço está sendo puramente emocional.
O que falta, então, para aprimorar o diálogo
entre as áreas de RI e os investidores? “Falta sensibilidade
corporativa a respeito da comunicação. É preciso
tratar a comunicação como uma ciência, que cria
valor e produz resultados, tanto nos bons como nos maus momentos”,
opina Faria. Ele admite, porém, que esse é um processo
cultural, que exige tempo. Outro fator que pesa é o fato de que
a transição de empresa fechada para aberta gera medo no
corpo diretivo – e nem sempre há tempo para preparar tecnicamente
as equipes caso venham a enfrentar momentos de alta volatilidade e pressão.
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“Nós não
vendemos ações, vendemos motores. E embora tenhamos
a obrigação de ser transparentes e prover informações
claras aos investidores, a decisão tem de ser deles”
Luis Fernando Moran de Oliveira
Gerente de Relações com Investidores da Weg |
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