|
Dos três engenheiros sentados à mesa
para a entrevista, dois se formaram na Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC). Logo em seguida, um terceiro se juntaria
a eles. A assessoria já avisara que Ernesto Heinzelmann
estava mesmo com a agenda “apertada”, naquela tarde
de segunda-feira chuvosa, em Joinville, e que poderia se atrasar
um pouco. Ossos do ofício de presidir uma das maiores empresas
de Santa Catarina e a mais inovadora da Região Sul –
a Embraco. E ele arranjou tempo suficiente não apenas para
participar da entrevista, mas também para guiar um breve
tour por alguns dos laboratórios onde a empresa
desenvolve suas pesquisas.
Isso mostra o entusiasmo de Heinzelmann pelo tema.
“Já falou sobre o POLO?”, perguntou ao colega
Roberto Holthausen Campos, diretor corporativo de tecnologia,
assim que se ajeitou na cadeira. Trata-se do POLO – Laboratórios
de Pesquisa em Refrigeração e Termofísica,
grafado assim mesmo, em maiúsculas. É um dos orgulhos
da Embraco e, de certa forma, coroa uma relação
especial que a empresa mantém há décadas
com a maior universidade de Santa Catarina. Nos 2,5 mil metros
quadrados do prédio de cinco andares erguido no campus
da UFSC, em Florianópolis, funcionam 15 laboratórios
de pesquisa sobre refrigeração e termofísica,
onde trabalham cerca de 80 alunos, coordenados por quatro professores.
Ligado ao departamento de engenharia mecânica do Centro
Tecnológico, as instalações foram construídas
e equipadas numa tríplice parceria entre a Embraco, a Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep) e a própria UFSC.
O POLO pode ser encarado como o símbolo
(bastante concreto) da política de parcerias que a Embraco
mantém com instituições de ensino e pesquisa
no Brasil e no exterior. Essa trajetória começou
há quase 30 anos, com os primeiros contatos com a própria
UFSC e com universidades francesas. Mais recentemente, Heinzelmann
conta ter tido boas surpresas com instituições de
países do Leste Europeu, como Bielorrúsia e Romênia,
além da China. Aos que ainda vêem com desconfiança
esse tipo de parceria, ele explica: elas não visam ao desenvolvimento
de um produto específico, mas à pesquisa em campos
como termodinâmica. “Universidade é para gerar
conhecimento”, garante. Ele reconhece que ainda falta maturidade
de ambas as partes – empresários e instituições
– para que essas parcerias sejam incrementadas e alcancem
o nível das realizadas em países como os Estados
Unidos. “Os empresários ainda não entendem
essa relação.”
 |
| Campos e Heinzelmann:
3% da receita líquida é destinada a investimentos
em P&D |
|