Voltar para página inicial
      Edição 236 - Outubro de 2007
 

    Matéria de Capa
    Especial
    Entrevista
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprimir Dê sua opinião Indique este texto

 

Proteção eletrônica
Uma das principais frentes de preocupação é o acesso a dados eletrônicos. É comum que as empresas não mantenham registros sobre quem mexe nos arquivos ou quando eles foram abertos. Mais que isso, elas permitem que qualquer funcionário tenha acesso até mesmo a arquivos que deveriam ser restritos. O especialista em gestão de risco Sérgio Citeroni, sócio da área de auditoria da Ernst & Young, ressalta que o correto é cada funcionário ter trânsito livre apenas para as informações que lhe dizem respeito – e a empresa deve monitorar quem acessa o que e os motivos que levaram algum funcionário a tentar acessar informações sigilosas. “Por que todo mundo vai ver a folha de pagamentos?”, questiona. Citeroni conta que há casos em que até ex-funcionários conseguem obter informações simplesmente porque não cancelaram seu acesso.

No escritório Koury Lopes Advogados existe um controle rígido sobre cada documento, desde quando é criado. Se ele for confidencial, fica visível apenas para as pessoas que precisam acessá-lo. Se outro funcionário faz uma pesquisa sobre o assunto, não o enxerga. Além disso, tudo que o acontece com o documento fica registrado: quando e por quem é editado, se é enviado por e-mail, copiado ou impresso. A porta USB dos computadores é bloqueada e se algum profissional sai de sua mesa e deixa a máquina conectada à rede, depois de cinco minutos, ela trava automaticamente. Mas os especialistas advertem: controlar o acesso a dados e documentos é diferente de monitorar a correspondência eletrônica do funcionário. As empresas que querem acompanhar como os empregados usam o e-mail devem avisá-los antes, sob pena de ter problemas na Justiça.

Já na ADP, toda informação sobre os clientes é considerada confidencial, o lixo é destruído e os documentos devem ficar guardados sempre em gavetas. “De que adianta um firewall no computador se os documentos ficam à vista em cima da mesa?”, justifica Cruz. Os cuidados são tantos que nenhum arquivo confidencial é enviado para os clientes por e-mail, mas por um sistema alternativo. E para mandar um fax, antes é enviada uma página de teste e confirmado por telefone se a pessoa que deve receber o documento está no outro lado da linha. Só então, é enviado o fax.

Hoje, adverte Cruz, a maior ameaça à segurança das empresas é o que vem sendo chamado de “ataque de engenharia social”, que pode ser real ou virtual. É quando alguém finge ser quem não é. É o caso dos e-mails que se identificam como provenientes do Serasa, da Receita Federal ou de um banco. “Usar a internet hoje em dia é mais arriscado que entrar desarmado na favela do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro”, exagera Paulo Luz, consultor em segurança pública e privada da Ability BR. Segundo ele, um hacker pode invadir os sistemas de uma empresa e não somente captar as informações, mas, também, destruí-las. Portanto, é fundamental ter um setor de informática competente e sistemas de proteção sempre atualizados.

Jérome Stoll, presidente da Renault do Brasil: segredo absoluto sobre o novo carro

O ataque de engenharia social pode ser feito também pelo telefone, quando uma pessoa se faz passar por outra. Nesses casos, o funcionário que atende ao telefone só deveria dar informações sobre o chefe ou até mesmo transferir a ligação após a pessoa que está na linha ter se identificado devidamente. “Essas coisas todas não têm a ver com tecnologia. A proteção vai muito além dos recursos tecnológicos”, avalia, convicto de que o fundamental é que as pessoas tomem atitudes corretas. De qualquer modo, diz ele, não há como blindar a empresa contra a espionagem. “Não existe um sistema 100% seguro, mas, se as pessoas estiverem treinadas, a proteção será bem maior”, diz.

O “engenheiro social” usa as técnicas de indução. Por exemplo, ele faz um favor para uma pessoa, que depois se sente na obrigação de retribuir. O hacker Kevin Mitnick, autor do livro A Arte de Enganar, conta que tinha facilidade para conseguir informações não tanto pelas suas habilidades computacionais, mas por sua capacidade de convencer os outros de que ele era outra pessoa. Outra história parecida é a do impostor e falsificador de cheques Frank Abagnale Jr., mostrada no filme Prenda-Me Se For Capaz. Hoje, Abagnale tem uma empresa de consultoria contra fraudes financeiras.

Para aumentar os níveis de segurança, algumas empresas acompanham o comportamento dos seus principais executivos. “Ninguém gosta de ser monitorado, mas a empresa não tem outra opção”, defende Paulo Luz, da Ability BR. A companhia precisa saber se as pessoas que cuidam das suas informações estratégicas não se comportam de forma arriscada, o que inclui o uso de drogas, bebidas ou companhias desconhecidas. “Digamos que um executivo vai a uma festa, bebe demais e termina a noite com uma mulher linda. Quem garante que ela não estava lá de propósito, com o objetivo de arrancar informações dele?”, questiona Luz.

Pesquisa protegida: indústrias farmacêuticas e de alimentos estão entre as mais espionadas

 

 

Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo