Proteção
eletrônica
Uma das principais frentes de preocupação é o acesso
a dados eletrônicos. É comum que as empresas não
mantenham registros sobre quem mexe nos arquivos ou quando eles foram
abertos. Mais que isso, elas permitem que qualquer funcionário
tenha acesso até mesmo a arquivos que deveriam ser restritos.
O especialista em gestão de risco Sérgio Citeroni, sócio
da área de auditoria da Ernst & Young, ressalta que o correto
é cada funcionário ter trânsito livre apenas para
as informações que lhe dizem respeito – e a empresa
deve monitorar quem acessa o que e os motivos que levaram algum funcionário
a tentar acessar informações sigilosas. “Por que
todo mundo vai ver a folha de pagamentos?”, questiona. Citeroni
conta que há casos em que até ex-funcionários conseguem
obter informações simplesmente porque não cancelaram
seu acesso.
No escritório Koury Lopes Advogados existe um
controle rígido sobre cada documento, desde quando é criado.
Se ele for confidencial, fica visível apenas para as pessoas
que precisam acessá-lo. Se outro funcionário faz uma pesquisa
sobre o assunto, não o enxerga. Além disso, tudo que o
acontece com o documento fica registrado: quando e por quem é
editado, se é enviado por e-mail, copiado ou impresso.
A porta USB dos computadores é bloqueada e se algum profissional
sai de sua mesa e deixa a máquina conectada à rede, depois
de cinco minutos, ela trava automaticamente. Mas os especialistas advertem:
controlar o acesso a dados e documentos é diferente de monitorar
a correspondência eletrônica do funcionário. As empresas
que querem acompanhar como os empregados usam o e-mail devem
avisá-los antes, sob pena de ter problemas na Justiça.
Já na ADP, toda informação sobre
os clientes é considerada confidencial, o lixo é destruído
e os documentos devem ficar guardados sempre em gavetas. “De que
adianta um firewall no computador se os documentos ficam à
vista em cima da mesa?”, justifica Cruz. Os cuidados são
tantos que nenhum arquivo confidencial é enviado para os clientes
por e-mail, mas por um sistema alternativo. E para mandar um
fax, antes é enviada uma página de teste e confirmado
por telefone se a pessoa que deve receber o documento está no
outro lado da linha. Só então, é enviado o fax.
Hoje, adverte Cruz, a maior ameaça à segurança
das empresas é o que vem sendo chamado de “ataque de engenharia
social”, que pode ser real ou virtual. É quando alguém
finge ser quem não é. É o caso dos e-mails
que se identificam como provenientes do Serasa, da Receita Federal ou
de um banco. “Usar a internet hoje em dia é mais arriscado
que entrar desarmado na favela do Complexo do Alemão, no Rio
de Janeiro”, exagera Paulo Luz, consultor em segurança
pública e privada da Ability BR. Segundo ele, um hacker
pode invadir os sistemas de uma empresa e não somente captar
as informações, mas, também, destruí-las.
Portanto, é fundamental ter um setor de informática competente
e sistemas de proteção sempre atualizados.
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O ataque de engenharia social pode ser feito também
pelo telefone, quando uma pessoa se faz passar por outra. Nesses casos,
o funcionário que atende ao telefone só deveria dar informações
sobre o chefe ou até mesmo transferir a ligação
após a pessoa que está na linha ter se identificado devidamente.
“Essas coisas todas não têm a ver com tecnologia.
A proteção vai muito além dos recursos tecnológicos”,
avalia, convicto de que o fundamental é que as pessoas tomem
atitudes corretas. De qualquer modo, diz ele, não há como
blindar a empresa contra a espionagem. “Não existe um sistema
100% seguro, mas, se as pessoas estiverem treinadas, a proteção
será bem maior”, diz.
O “engenheiro social” usa as técnicas
de indução. Por exemplo, ele faz um favor para uma pessoa,
que depois se sente na obrigação de retribuir. O hacker
Kevin Mitnick, autor do livro A Arte de Enganar, conta que
tinha facilidade para conseguir informações não
tanto pelas suas habilidades computacionais, mas por sua capacidade
de convencer os outros de que ele era outra pessoa. Outra história
parecida é a do impostor e falsificador de cheques Frank Abagnale
Jr., mostrada no filme Prenda-Me Se For Capaz. Hoje, Abagnale
tem uma empresa de consultoria contra fraudes financeiras.
Para aumentar os níveis de segurança,
algumas empresas acompanham o comportamento dos seus principais executivos.
“Ninguém gosta de ser monitorado, mas a empresa não
tem outra opção”, defende Paulo Luz, da Ability
BR. A companhia precisa saber se as pessoas que cuidam das suas informações
estratégicas não se comportam de forma arriscada, o que
inclui o uso de drogas, bebidas ou companhias desconhecidas. “Digamos
que um executivo vai a uma festa, bebe demais e termina a noite com
uma mulher linda. Quem garante que ela não estava lá de
propósito, com o objetivo de arrancar informações
dele?”, questiona Luz.
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