| O Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) só foi lançado em janeiro de 2007,
mas setores como o da construção começaram
a engrenar a quinta marcha ainda em 2006. No segmento da construção
imobiliária, o mercado esteve mais do que aquecido com
a abundância de recursos para o financiamento habitacional
e para as contínuas reduções dos juros. Já
no segmento da construção pesada, a retomada dos
investimentos foi favorecida pelo calendário eleitoral
de 2006.
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| Duplicação do trecho Sul
da BR-10: mais dinheiro no caixa das construtoras |
No conjunto, o faturamento de R$ 2,2 bilhões das 22 empresas
do setor de construção listadas em GRANDES &
LÍDERES representa um aumento de 38% sobre as receitas
do setor em 2005. Mais: a média da rentabilidade sobre
a receita líquida foi de 23,42%, quase o dobro do índice
registrado no ano anterior e bem acima do percentual dos outros
três setores que obtiveram rentabilidade de dois dígitos:
Madeira e Florestamento (15,18%), Energia e Petróleo (13,19%)
e Comunicação (12,63%).
O bom desempenho do setor foi puxado pelas grandes construtoras
paranaenses, que tiveram expressivos aumentos nas receitas: CR
Almeida (75,89%), Cesbe Engenharia (102,25%) e Ivaí (74,23%).
Entre as gaúchas, destacaram-se a Sultepa e a Toniolo,
Busnello, que cresceram 35% e 48%, respectivamente. “Depois
de quase três décadas em que o país praticamente
não destinou recursos para a infra-estrutura, qualquer
investimento feito se reflete rapidamente no desempenho do setor”,
assinala Ricardo Portella Nunes, coordenador do Conselho de Infra-Estrutura
da Fiergs e presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Pesada do Rio Grande do Sul.
No ramo da construção imobiliária, o cenário
é ainda mais favorável. De acordo com Amaryllis
Romano, da consultoria Tendências, o volume de recursos
alocados para o financiamento de imóveis aumentou 93% no
ano passado, em comparação a 2005. Para a analista,
o mercado imobiliário desfruta de uma situação
privilegiada. “É um dos poucos setores que possuem
hoje um arcabouço institucional e jurídico acabado,
o que garante segurança para o investidor e para o comprador
do imóvel”, diz. Os instrumentos que garantem maior
segurança jurídica incluem, por exemplo, a alienação
fiduciária, que agiliza a retomada do imóvel em
caso de inadimplência e ainda o chamado patrimônio
de afetação, mecanismo que salvaguarda os interesses
dos financiados, evitando episódios como o da construtora
Encol.
Essa situação institucional favoreceu a entrada
em peso dos bancos privados no financiamento habitacional, antes
praticamente restrito à Caixa Econômica Federal.
A Caixa continua tendo papel de destaque, mas agora é acompanhada
por Bradesco, Itaú, Santander e HSBC, entre outros. O anúncio
do Banco do Brasil de que planeja lançar produtos imobiliários
deverá agitar ainda mais o mercado. “O BB tem uma
capilaridade enorme e poderá levar crédito a regiões
distantes dos grandes centros, que hoje não são
atendidas”, afirma Amaryllis. Além do cenário
macroeconômico favorável, com a queda gradual de
juros, aumento da renda e controle da inflação,
a redução da alíquota do IPI para diversos
materiais de construção é outro fator que
contribui para o aquecimento do mercado imobiliário.
Com o maior faturamento do ranking GRANDES & LÍDERES,
o setor de Energia e Petróleo cresceu 8,5% na comparação
com as receitas obtidas no exercício de 2005. A rentabilidade
média das 23 empresas integrantes do grupo ficou em 13,19%,
pouco abaixo do índice registrado no ano anterior. Tiveram
excelente performance as energéticas Eletrosul (37,8%),
Tractebel (36,2%) e Copel (23%). Na outra ponta, amargaram um
baixo retorno, principalmente as petrolíferas Refap (1,6%)
e Petróleo Ipiranga (1,8%).
Alívio para o agronegócio –
Um dos pilares da economia regional, o agronegócio mostrou
os primeiros sinais de recuperação em 2006. As receitas
das 29 companhias agropecuárias somadas àquelas
de alimentos e bebidas alcançaram R$ 61,9 bilhões.
Mas cada um desses dois segmentos apresentou resultados distintos.
Juntas, as 49 companhias classificadas no setor de Alimentos e
Bebidas conseguiram fechar o ano com um aumento de apenas 1% no
faturamento, mas os principais frigoríficos de aves e suínos
– Sadia, Avipal, Seara, Doux e Predileto – tiveram
um desempenho ainda pior, com redução nas receitas
em relação a 2005. Nesse caso, pesaram os embargos
à carne suína brasileira e a queda na demanda e
nos preços das aves, por conta da febre aviária
– além da desvalorização do dólar,
uma vez que essas companhias exportam boa parte da produção.
Com a queda nas receitas e na rentabilidade, a última linha
do balanço da maioria das empresas veio tingida de vermelho
ou, então, com lucros minguados. Entre os grandes do setor
de carnes, somente a Perdigão e a Coopercentral Aurora
conseguiram aumentar as vendas.
Situação ainda mais desconfortável enfrentaram
as 29 companhias agropecuárias. Elas amargaram uma queda
de 10% nas receitas e um dos quatro piores índices de rentabilidade
média (1,57%). Nesse caso, as cooperativas é que
puxaram o freio de mão – das 21 presentes no grupo,
11 tiveram queda no faturamento e a maioria fechou o ano quase
no zero a zero. Entre as que cresceram, o destaque ficou para
as gaúchas que operam principalmente com soja. Mesmo nesses
casos, porém, os aumentos de receita não foram suficientes
para recuperar a totalidade das perdas registradas em 2005. No
âmbito privado, as três empresas de maçãs
também não tiveram o que comemorar.

*Média das rentabilidades das empresas classificadas em
cada setor.
Para esses três grandes setores da economia do Sul, o
quadro que vem se desenhando em 2007 é bem mais tranqüilo.
No caso das companhias de energia e petróleo, o aquecimento
da economia doméstica – projeta-se um crescimento
de até 4,7% no PIB do país – tem impacto direto
no consumo de energia das indústrias e também na
demanda por combustíveis, especialmente para o transporte
de mercadorias.
No caso das companhias ligadas ao agronegócio, a boa
safra de grãos de 2007 se soma à melhoria no preço
das principais commodities agrícolas, como soja
e milho. “O advento da bioenergia foi um fator altamente
positivo para alavancar os preços de algumas commodities.
Por outro lado, a preservação do status sanitário
para a proteína animal – tanto em relação
ao frango quanto a suínos e bovinos – está
dando um novo empuxo à economia regional”, diz Francisco
Turra, vice-presidente e diretor de operações do
Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
No Paraná, o crescimento da demanda por biocombustíveis
está, inclusive, modificando o perfil das cooperativas
agropecuárias, que planejam ampliar a presença no
setor de açúcar e álcool. “É
o segmento no qual os investimentos das cooperativas mais vão
crescer nos próximos anos. E isso vale tanto para aquelas
que já têm no açúcar e álcool
o seu core business quanto para outras que vão
entrar com força nesse mercado”, afirma Flávio
Turra, gerente técnico e econômico da Organização
das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). De acordo
com o gerente da Ocepar, as cooperativas agropecuárias
paranaenses projetam investimentos de R$ 1 bilhão em açúcar
e álcool nos próximos anos. Sinal de que o futuro
pode reservar muitas surpresas para o agronegócio da Região
Sul, especialmente no diz respeito à diversificação
da produção agrícola.

*Soma das receitas daquelas empresas que figuram no ranking GRANDES
& LÍDERES
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| Usina de Campos Novos: hidrelétrica
agregou 880 MW à capacidade de geração
do Sul |
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