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      Edição 234 - Agosto de 2007
 

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Num ano em que a economia regional cresceu pouco,
a retomada das obras de infra-estrutura ajudou a turbinar
as receitas de setores como o da construção
 

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só foi lançado em janeiro de 2007, mas setores como o da construção começaram a engrenar a quinta marcha ainda em 2006. No segmento da construção imobiliária, o mercado esteve mais do que aquecido com a abundância de recursos para o financiamento habitacional e para as contínuas reduções dos juros. Já no segmento da construção pesada, a retomada dos investimentos foi favorecida pelo calendário eleitoral de 2006.

Duplicação do trecho Sul da BR-10: mais dinheiro no caixa das construtoras

No conjunto, o faturamento de R$ 2,2 bilhões das 22 empresas do setor de construção listadas em GRANDES & LÍDERES representa um aumento de 38% sobre as receitas do setor em 2005. Mais: a média da rentabilidade sobre a receita líquida foi de 23,42%, quase o dobro do índice registrado no ano anterior e bem acima do percentual dos outros três setores que obtiveram rentabilidade de dois dígitos: Madeira e Florestamento (15,18%), Energia e Petróleo (13,19%) e Comunicação (12,63%).

O bom desempenho do setor foi puxado pelas grandes construtoras paranaenses, que tiveram expressivos aumentos nas receitas: CR Almeida (75,89%), Cesbe Engenharia (102,25%) e Ivaí (74,23%). Entre as gaúchas, destacaram-se a Sultepa e a Toniolo, Busnello, que cresceram 35% e 48%, respectivamente. “Depois de quase três décadas em que o país praticamente não destinou recursos para a infra-estrutura, qualquer investimento feito se reflete rapidamente no desempenho do setor”, assinala Ricardo Portella Nunes, coordenador do Conselho de Infra-Estrutura da Fiergs e presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Rio Grande do Sul.

No ramo da construção imobiliária, o cenário é ainda mais favorável. De acordo com Amaryllis Romano, da consultoria Tendências, o volume de recursos alocados para o financiamento de imóveis aumentou 93% no ano passado, em comparação a 2005. Para a analista, o mercado imobiliário desfruta de uma situação privilegiada. “É um dos poucos setores que possuem hoje um arcabouço institucional e jurídico acabado, o que garante segurança para o investidor e para o comprador do imóvel”, diz. Os instrumentos que garantem maior segurança jurídica incluem, por exemplo, a alienação fiduciária, que agiliza a retomada do imóvel em caso de inadimplência e ainda o chamado patrimônio de afetação, mecanismo que salvaguarda os interesses dos financiados, evitando episódios como o da construtora Encol.

Essa situação institucional favoreceu a entrada em peso dos bancos privados no financiamento habitacional, antes praticamente restrito à Caixa Econômica Federal. A Caixa continua tendo papel de destaque, mas agora é acompanhada por Bradesco, Itaú, Santander e HSBC, entre outros. O anúncio do Banco do Brasil de que planeja lançar produtos imobiliários deverá agitar ainda mais o mercado. “O BB tem uma capilaridade enorme e poderá levar crédito a regiões distantes dos grandes centros, que hoje não são atendidas”, afirma Amaryllis. Além do cenário macroeconômico favorável, com a queda gradual de juros, aumento da renda e controle da inflação, a redução da alíquota do IPI para diversos materiais de construção é outro fator que contribui para o aquecimento do mercado imobiliário.

Com o maior faturamento do ranking GRANDES & LÍDERES, o setor de Energia e Petróleo cresceu 8,5% na comparação com as receitas obtidas no exercício de 2005. A rentabilidade média das 23 empresas integrantes do grupo ficou em 13,19%, pouco abaixo do índice registrado no ano anterior. Tiveram excelente performance as energéticas Eletrosul (37,8%), Tractebel (36,2%) e Copel (23%). Na outra ponta, amargaram um baixo retorno, principalmente as petrolíferas Refap (1,6%) e Petróleo Ipiranga (1,8%).

Alívio para o agronegócio – Um dos pilares da economia regional, o agronegócio mostrou os primeiros sinais de recuperação em 2006. As receitas das 29 companhias agropecuárias somadas àquelas de alimentos e bebidas alcançaram R$ 61,9 bilhões. Mas cada um desses dois segmentos apresentou resultados distintos. Juntas, as 49 companhias classificadas no setor de Alimentos e Bebidas conseguiram fechar o ano com um aumento de apenas 1% no faturamento, mas os principais frigoríficos de aves e suínos – Sadia, Avipal, Seara, Doux e Predileto – tiveram um desempenho ainda pior, com redução nas receitas em relação a 2005. Nesse caso, pesaram os embargos à carne suína brasileira e a queda na demanda e nos preços das aves, por conta da febre aviária – além da desvalorização do dólar, uma vez que essas companhias exportam boa parte da produção. Com a queda nas receitas e na rentabilidade, a última linha do balanço da maioria das empresas veio tingida de vermelho ou, então, com lucros minguados. Entre os grandes do setor de carnes, somente a Perdigão e a Coopercentral Aurora conseguiram aumentar as vendas.

Situação ainda mais desconfortável enfrentaram as 29 companhias agropecuárias. Elas amargaram uma queda de 10% nas receitas e um dos quatro piores índices de rentabilidade média (1,57%). Nesse caso, as cooperativas é que puxaram o freio de mão – das 21 presentes no grupo, 11 tiveram queda no faturamento e a maioria fechou o ano quase no zero a zero. Entre as que cresceram, o destaque ficou para as gaúchas que operam principalmente com soja. Mesmo nesses casos, porém, os aumentos de receita não foram suficientes para recuperar a totalidade das perdas registradas em 2005. No âmbito privado, as três empresas de maçãs também não tiveram o que comemorar.


*Média das rentabilidades das empresas classificadas em cada setor.

Para esses três grandes setores da economia do Sul, o quadro que vem se desenhando em 2007 é bem mais tranqüilo. No caso das companhias de energia e petróleo, o aquecimento da economia doméstica – projeta-se um crescimento de até 4,7% no PIB do país – tem impacto direto no consumo de energia das indústrias e também na demanda por combustíveis, especialmente para o transporte de mercadorias.

No caso das companhias ligadas ao agronegócio, a boa safra de grãos de 2007 se soma à melhoria no preço das principais commodities agrícolas, como soja e milho. “O advento da bioenergia foi um fator altamente positivo para alavancar os preços de algumas commodities. Por outro lado, a preservação do status sanitário para a proteína animal – tanto em relação ao frango quanto a suínos e bovinos – está dando um novo empuxo à economia regional”, diz Francisco Turra, vice-presidente e diretor de operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

No Paraná, o crescimento da demanda por biocombustíveis está, inclusive, modificando o perfil das cooperativas agropecuárias, que planejam ampliar a presença no setor de açúcar e álcool. “É o segmento no qual os investimentos das cooperativas mais vão crescer nos próximos anos. E isso vale tanto para aquelas que já têm no açúcar e álcool o seu core business quanto para outras que vão entrar com força nesse mercado”, afirma Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). De acordo com o gerente da Ocepar, as cooperativas agropecuárias paranaenses projetam investimentos de R$ 1 bilhão em açúcar e álcool nos próximos anos. Sinal de que o futuro pode reservar muitas surpresas para o agronegócio da Região Sul, especialmente no diz respeito à diversificação da produção agrícola.


*Soma das receitas daquelas empresas que figuram no ranking GRANDES & LÍDERES

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