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      Edição 234 - Agosto de 2007
 

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Olhando apenas para os números, a elite das companhias da Região Sul não tem o que reclamar de 2006. Em um ano pressionado pelo dólar em queda, por exemplo, o Valor Ponderado de Grandeza (VPG) das 500 maiores empresas gaúchas, catarinenses e paranaenses cresceu 10%. Criado por AMANHÃ e PricewaterhouseCoopers, o indicador resulta da média ponderada entre receita bruta, patrimônio e lucro líquido. No total, o patrimônio líquido das 500 deu um salto de 20%, alcançando R$ 132,6 bilhões. Também entrou mais dinheiro no caixa das empresas do Sul. A receita bruta acumulada no ano passado evoluiu 5,2% – um pouco acima do PIB brasileiro que, no mesmo período, cresceu 3,7%.

O fortalecimento das empresas tem suas razões. Calcada no agronegócio, a economia da Região Sul voltou a se recuperar com a melhora na safra brasileira de grãos – que foi 4,1% maior. Com aumentos mais expressivos do que a média, as colheitas de soja e milho do Paraná (19,8%), Mato Grosso (18,9%), e Rio Grande do Sul (17%) empurraram a média nacional para cima. “O setor agrícola teve bons resultados graças à combinação de uma boa safra com preços melhores”, analisa Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

 

Sede de investimentos – Não é só o campo que está em ebulição. Em 2006, setores como construção civil e energia também tiveram bom desempenho. “Há um desejo da classe empresarial de investir, de produzir mais, enfim, melhorar a sua performance”, atesta Francisco Turra, vice-presidente e diretor de operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Tanto é assim que, em 2006, o banco financiou R$ 1 bilhão nos três Estados do Sul. Este ano, até o mês de junho, a instituição já havia emprestado R$ 557 milhões – um aumento de 60% sobre o volume de crédido concedido no mesmo período do ano passado. Sinal de que a sede por investimentos é crescente. A razão é que o consumidor brasileiro está indo com maior avidez às compras. Os sinais da virada já apareceram no balanço de alguns varejistas. O faturamento da Lojas Renner, por exemplo, deu um salto de 26,3%, no ano passado. Tudo graças ao aumento de consumo das camadas populares. “Uma parte dessa demanda é coberta pelas importações e o restante, pela produção nacional. E nossas indústrias estão aproveitando o momento”, reflete Leonardo Monasterio, economista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFP).

Mudanças à vista – Se depender da velocidade do movimento de fusões e aquisições, o time da elite das empresas dos três Estados do Sul vai sofrer profundas transformações. Não somente pelo fato de as empresas da região se tornarem objetos de cobiça de grandes players globais ou mesmo nacionais. Algumas das companhias listadas no ranking GRANDES &LÍDERES também estão indo às compras – contribuindo para esquentar ainda mais o jogo das fusões e aquisições. No ano passado, por exemplo, a Gerdau havia comprado ativos no México e Peru. ALL, Bematech, Datasul e Lupatech foram outras companhias da região que despontaram como compradoras de empresas durante o ano de 2006.

Essas e outras estrelas do ranking GRANDES&LÍDERES estão surfando, com sucesso, a nova onda de fusões e aquisições – no ano passado, foram 560 operações envolvendo empresas brasileiras, o que representou um aumento de 44% sobre o número registrado em 2005, de acordo com relatório da PricewaterhouseCoopers. E a onda ainda está longe de perder o ímpeto. Na primeira metade do ano, por exemplo, a catarinense Weg comprou a gaúcha Trafo, e a Gerdau arrematou, num lance estratégico, a norte-americana Chaparral Steel – a maior aquisição em toda a história da centenária siderúrgica gaúcha. A Gerdau fez ainda outras três aquisições de pequenas siderúrgicas na América Latina e nos Estados Unidos. Datasul e Lupatech também continuaram com posturas compradoras.

No sentido inverso, algumas companhias da Região Sul se deixaram seduzir por ofertas de aquisição. A transportadora gaúcha Mercúrio foi parar nas mãos da holandesa TNT, enquanto a paranaense Leão Junior, dona da marca Mate Leão, acabou comprada pela gigante norte-americana Coca-Cola. O maior negócio, no entanto, envolveu a venda do grupo Ipiranga. Em março, Braskem, Petrobras e o grupo paulista Ultra pagaram US$ 4 bilhões para ficar com todos os negócios da Ipiranga, até agora a maior companhia do Sul em faturamento e que, dividida, não terá mais posição de destaque no ranking GRANDES&LÍDERES, a partir do próximo ano.

 ONDE ESTÃO AS EMPRESAS

 

 

O poder das bilionárias

Dentre as 500 empresas de GRANDES & LÍDERES, 44 tiveram receita bruta superior a R$ 1 bilhão no ano passado. São 22 gaúchas, 13 paranaenses e 11 catarinenses. Embora bilionárias, Tim Sul, Cimento Rio Branco e Embraco saíram da lista porque foram incorporadas por suas controladoras, com sede fora do Sul. Celular CRT e Global Telecom foram incorporadas à Vivo S.A., que agora consta na lista por ter mantido a sede em Londrina (PR). Calçados Azaléia e a cooperativa C.Vale tiveram queda nas receitas e deixaram o clube do bilhão. As novatas do grupo são a GVT, que até 2005 não divulgava o balanço, e Ulbra, Vonpar e Corsan, que conseguiram ultrapassar, no ano passado, a barreira do R$ 1 bilhão em receitas. O poder de fogo dessas companhias – quase sempre sustentáculos de inteiras cadeias produtivas – pode ser visto pela comparação dos indicadores desse seleto grupo com os dados do conjunto das 500 empresas do ranking GRANDES&LÍDERES.

 

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