| Olhando apenas para os números, a elite das
companhias da Região Sul não tem o que reclamar de 2006.
Em um ano pressionado pelo dólar em queda, por exemplo, o Valor
Ponderado de Grandeza (VPG) das 500 maiores empresas gaúchas,
catarinenses e paranaenses cresceu 10%. Criado por AMANHÃ e PricewaterhouseCoopers,
o indicador resulta da média ponderada entre receita bruta, patrimônio
e lucro líquido. No total, o patrimônio líquido
das 500 deu um salto de 20%, alcançando R$ 132,6 bilhões.
Também entrou mais dinheiro no caixa das empresas do Sul. A receita
bruta acumulada no ano passado evoluiu 5,2% – um pouco acima do
PIB brasileiro que, no mesmo período, cresceu 3,7%.
O fortalecimento das empresas tem suas razões. Calcada no agronegócio,
a economia da Região Sul voltou a se recuperar com a melhora
na safra brasileira de grãos – que foi 4,1% maior. Com
aumentos mais expressivos do que a média, as colheitas de soja
e milho do Paraná (19,8%), Mato Grosso (18,9%), e Rio Grande
do Sul (17%) empurraram a média nacional para cima. “O
setor agrícola teve bons resultados graças à combinação
de uma boa safra com preços melhores”, analisa Flávio
Turra, gerente técnico e econômico da Organização
das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Sede de investimentos – Não é
só o campo que está em ebulição. Em 2006,
setores como construção civil e energia também
tiveram bom desempenho. “Há um desejo da classe empresarial
de investir, de produzir mais, enfim, melhorar a sua performance”,
atesta Francisco Turra, vice-presidente e diretor de operações
do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Tanto é
assim que, em 2006, o banco financiou R$ 1 bilhão nos três
Estados do Sul. Este ano, até o mês de junho, a instituição
já havia emprestado R$ 557 milhões – um aumento
de 60% sobre o volume de crédido concedido no mesmo período
do ano passado. Sinal de que a sede por investimentos é crescente.
A razão é que o consumidor brasileiro está indo
com maior avidez às compras. Os sinais da virada já apareceram
no balanço de alguns varejistas. O faturamento da Lojas Renner,
por exemplo, deu um salto de 26,3%, no ano passado. Tudo graças
ao aumento de consumo das camadas populares. “Uma parte dessa
demanda é coberta pelas importações e o restante,
pela produção nacional. E nossas indústrias estão
aproveitando o momento”, reflete Leonardo Monasterio, economista
e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFP).

Mudanças à vista – Se depender
da velocidade do movimento de fusões e aquisições,
o time da elite das empresas dos três Estados do Sul vai sofrer
profundas transformações. Não somente pelo fato
de as empresas da região se tornarem objetos de cobiça
de grandes players globais ou mesmo nacionais. Algumas das companhias
listadas no ranking GRANDES &LÍDERES também estão
indo às compras – contribuindo para esquentar ainda mais
o jogo das fusões e aquisições. No ano passado,
por exemplo, a Gerdau havia comprado ativos no México e Peru.
ALL, Bematech, Datasul e Lupatech foram outras companhias da região
que despontaram como compradoras de empresas durante o ano de 2006.
Essas e outras estrelas do ranking GRANDES&LÍDERES estão
surfando, com sucesso, a nova onda de fusões e aquisições
– no ano passado, foram 560 operações envolvendo
empresas brasileiras, o que representou um aumento de 44% sobre o número
registrado em 2005, de acordo com relatório da PricewaterhouseCoopers.
E a onda ainda está longe de perder o ímpeto. Na primeira
metade do ano, por exemplo, a catarinense Weg comprou a gaúcha
Trafo, e a Gerdau arrematou, num lance estratégico, a norte-americana
Chaparral Steel – a maior aquisição em toda a história
da centenária siderúrgica gaúcha. A Gerdau fez
ainda outras três aquisições de pequenas siderúrgicas
na América Latina e nos Estados Unidos. Datasul e Lupatech também
continuaram com posturas compradoras.

No sentido inverso, algumas companhias da Região Sul se deixaram
seduzir por ofertas de aquisição. A transportadora gaúcha
Mercúrio foi parar nas mãos da holandesa TNT, enquanto
a paranaense Leão Junior, dona da marca Mate Leão, acabou
comprada pela gigante norte-americana Coca-Cola. O maior negócio,
no entanto, envolveu a venda do grupo Ipiranga. Em março, Braskem,
Petrobras e o grupo paulista Ultra pagaram US$ 4 bilhões para
ficar com todos os negócios da Ipiranga, até agora a maior
companhia do Sul em faturamento e que, dividida, não terá
mais posição de destaque no ranking GRANDES&LÍDERES,
a partir do próximo ano.
O
poder das bilionárias
Dentre as 500 empresas de GRANDES & LÍDERES, 44 tiveram
receita bruta superior a R$ 1 bilhão no ano passado. São
22 gaúchas, 13 paranaenses e 11 catarinenses. Embora bilionárias,
Tim Sul, Cimento Rio Branco e Embraco saíram da lista porque
foram incorporadas por suas controladoras, com sede fora do Sul.
Celular CRT e Global Telecom foram incorporadas à Vivo S.A.,
que agora consta na lista por ter mantido a sede em Londrina (PR).
Calçados Azaléia e a cooperativa C.Vale tiveram queda
nas receitas e deixaram o clube do bilhão. As novatas do grupo
são a GVT, que até 2005 não divulgava o balanço,
e Ulbra, Vonpar e Corsan, que conseguiram ultrapassar, no ano passado,
a barreira do R$ 1 bilhão em receitas. O poder de fogo dessas
companhias – quase sempre sustentáculos de inteiras
cadeias produtivas – pode ser visto pela comparação
dos indicadores desse seleto grupo com os dados do conjunto das 500
empresas do ranking GRANDES&LÍDERES.

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da edição 234 de AMANHÃ.
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