Voltar para página inicial
      Edição 230 - Abril de 2007
 

    Matéria de Capa
    Especial
    Entrevista
Capa da edição



 
Quer receber notícias exclusivas da revista Amanhã?

(digite seu email)

 
Imprima esta matéria Dê sua opinião Indique este texto

Número um do mundo, a Arcelor-Mittal ainda não deixou claro qual o futuro das suas operações no Brasil. Mas os grupos locais acompanham cada movimento do bilionário indiano, o novo rei do aço


Marcos Graciani

No tabuleiro do xadrez siderúrgico existe, literalmente, um rei. Ele se chama Lakshmi Mittal, 56 anos. O bilionário indiano é o controlador do grupo siderúrgico que desponta como o número um do mundo. Dono de uma fortuna pessoal de US$ 23,5 bilhões, o empresário desembarcou no Brasil, depois de arrematar a francesa Arcelor, em junho do ano passado. A Arcelor-Mittal, como ficou conhecida após a aquisição, tornou-se um gigante da siderurgia, com faturamento de US$ 60 bilhões, 360 mil funcionários e capacidade produtiva de 109,7 milhões de toneladas. Mesmo assim, o grupo siderúrgico tem apenas 10% da produção mundial de aço.

Quando visitou o Brasil, em agosto de 2006, Mittal disse que o país será usado como uma plataforma para o crescimento futuro do grupo. Mas certamente não é por causa das belas paisagens que o indiano quer fincar pé no Brasil. Em primeiro lugar, o país tem minério de ferro abundante. Isso não só reduz o custo da matéria-prima para as usinas do grupo como facilita uma aliança estratégica com um fornecedor global como a Companhia Vale do Rio Doce. A abundância de matéria-prima e o baixo custo da mão-de-obra são fatores que aumentam a competitividade brasileira na produção de aço semi-acabado. No Brasil, uma tonelada sai por cerca de US$ 200, enquanto na China sai por US$ 290. Esse custo chega a US$ 300 nos Estados Unidos, US$ 320 no Japão e US$ 330 na Alemanha. Claro, o Brasil não é o mais competitivo do mundo, já que na Índia e na Ucrânia esse valor é de US$ 170, e na Rússia, de US$ 150. “Mas somos competitivos o suficiente para justificar uma grande expansão futura da Arcelor-Mittal no Brasil e, a partir daqui, na América Latina”, afirma Carlos Serapião Júnior, diplomata licenciado e consultor em comércio exterior radicado em Moscou.

 

No processo de concentração mundial das siderúrgicas, as empresas brasileiras certamente estão entre as consolidadoras

Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia

O principal chamariz para a companhia indiana é o futuro Pólo de Cação, um conjunto de projetos envolvendo a Vale, o governo do Espírito Santo e outras empresas. O empreendimento fica em Anchieta, a 70 quilômetros de Vitória. No local já existem um Terminal Portuário de águas profundas da Samarco Mineração e um complexo de usinas de pelotas de minério de ferro em expansão. Existe também um terminal de apoio off-shore para exploração e produção de petróleo. Com a restrição de áreas no porto de Tubarão, agravada pelo pico de demanda por minério, o Pólo de Cação vem na hora certa. “Não é para menos que o local tem atraído pesos-pesados como a Mittal, que planeja construir uma megassiderúrgica na região”, avalia José Luís Canejo, ex-executivo da Vale e atualmente consultor de empresas.

Planos para o Brasil – No Espírito Santo, cogita-se uma parceria entre Mittal e Vale – e para breve. O rumor é reforçado pelo fato de, há pouco tempo, um ex-funcionário da Vale ter assumido o comando da área de matérias-primas do grupo indiano. “A aproximação entre as duas companhias está aí para todo mundo ver”, conta um funcionário da Acesita que prefere não ser identificado. Além do mais, a Vale costuma participar como minoritária em projetos de expansão de grandes clientes. “A Vale pode muito bem entrar como minoritária nesta nova planta da Mittal, para viabilizar o negócio”, diz José Maria Novaes, da MetalMec, consultoria capixaba na área de siderurgia.

Unidade da Arcelor-Mittal, na Europa: grupo é candidato a adquirir mais usinas no mundo

Para outros analistas, a aproximação entre Vale e Mittal é apenas política de boa vizinhança. “Há um interesse mútuo em manter relações estáveis”, diz Luiz Alberto Binz, analista da Geração Futuro. Procurada por AMANHÃ, a CVRD não quis se pronunciar sobre o assunto. Mas com a Vale, ou sem ela, uma coisa é certa: a expansão latino-americana da Mittal vai começar pelo Brasil.

Ao arrebatar a Arcelor, a Mittal levou junto os planos de crescimento do grupo europeu. A Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), no Espírito Santo, é um exemplo. A Arcelor já planejava concluir até junho o projeto de expansão da CST, que vai aumentar em 50% a produção atual de 5 milhões de toneladas anuais. O investimento custou aos cofres europeus cerca de US$ 1 bilhão. A Vega do Sul, unidade do grupo em São Francisco do Sul (SC), também pode receber um aporte para ampliar a produção. Ainda dentro das possibilidades de expansão estão as usinas da Belgo Mineira, em João Monlevade e Juiz de Fora (MG). É verdade que, por enquanto, esses planos continuam no papel.

Uma quarta peça que poderia ser movida pela Mittal no tabuleiro brasileiro seria uma nova ampliação da CST. Para os analistas, um único movimento da Mittal pode indicar qual será o futuro do grupo no país. “Se decidir investir na Belgo, com certeza será um sinal de que a Mittal quer fazer do Brasil uma base para seus negócios”, crê Germano Mendes de Paula, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).


Copyright © Revista Amanhã - Conectt Marketing Interativo