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Aquecimento global e questões
energéticas
Com o aquecimento global em pauta, o senhor acredita
que é possível ter proteção ecológica
e desenvolvimento econômico ao mesmo tempo?
Não. É preciso escolher se as pessoas querem desenvolvimento
econômico primeiro. Estão certos aqueles que colocam
o bem-estar pessoal em primeiro lugar. O aquecimento global é
uma coisa muito teórica e longínqua para as pessoas
comuns. Se elas puderem optar, vão escolher o desenvolvimento
econômico. Todo desenvolvimento econômico traz algum
impacto no aquecimento global, mas não se tem certeza do
quanto. É uma escolha de base teórica. Quando o
país se desenvolve, muitas vezes,utiliza técnicas
e padrões de consumo de energia que são menos danosos
para o clima, certo? Sabemos que os países que produzem
muito dióxido de carbono, como Índia e China, é
porque usam técnicas muito pobres. Na Europa e nos Estados
Unidos, são usadas técnicas evoluídas. Se
olharmos por esse ângulo, o desenvolvimento também
é uma maneira de melhorar as condições do
meio ambiente, porque são usadas melhores técnicas
e se consome menos energia para produzir a mesma quantidade.
O que o senhor pensa sobre a anunciada crise do petróleo?
Está em toda parte, mas não quer dizer que seja
verdade. Não existe crise de energia. As reservas de petróleo
são enormes. O grande problema é que a maioria delas
não é explorada, porque é um processo muito
caro. Se o preço do petróleo sobe, então,
podemos acessar novos recursos que nunca foram explorados. Agora,
reservas imensas foram descobertas no Oeste africano. São
mais importantes que as da Arábia Saudita e do Iraque.
Não foram exploradas até agora porque ficam no fundo
do mar e, novamente, é muito caro. Existem várias
alternativas para o petróleo. É uma questão
de preços. O problema é a relação
entre o preço e o tipo de energia que usamos. Também
é verdade que todo mundo tem interesse em aumentar a diversidade
de fontes de energia. É por isto que todos os países
ocidentais são a favor do etanol. O etanol não é
uma solução perfeita porque você tem que plantar
uma grande quantidade de milho e outros grãos – e
isto consome grande quantidade de água. Por isso, não
é uma grande solução.
O Brasil está certo quando procura se posicionar
como líder na produção de etanol?
Sim. Eu lembro que, quando isto começou, há muitos
anos, com o “Pró-álcool”, não
parecia ser muito racional, porque o governo brasileiro subsidiava
e a mistura de etanol e óleo ficava muito cara para o país.
Hoje, parece que uma boa estratégia para o Brasil. Com
o aumento do preço, a escolha brasileira está se
tornando mais racional. Mais uma vez, não devemos pensar
que o Brasil é uma nova Arábia Saudita ou que etanol
vai substituir petróleo. É apenas parte do processo
de diversificação. A economia do Brasil não
deve confiar demais no etanol.
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