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Futuro do Brasil e o governo Lula
Como o senhor vê o futuro do Brasil?
A situação não é ruim. Eu vim aqui
pela primeira vez há 25 anos e, se compararmos aquela época
e a de hoje, há muitos resultados positivos. Primeiro em
termos políticos. Naquela época, era o fim da ditadura
militar; agora, é uma democracia. A própria democracia,
apesar de não ser perfeita, evoluiu. Vocês têm
o Fernando Henrique Cardoso (FHC), que é um centro-direitista,
têm Lula, que é um centro-esquerdista. É uma
democracia sem violência e com continuidade de política
econômica, mesmo com a troca de comando. Isso é um
enorme progresso, pois, finalmente, os brasileiros e os investidores
sabem para qual direção o país está
caminhando. O próximo presidente pode ser de esquerda ou
de direita, mas a economia permanecerá a mesma. Em segundo
lugar, o lado econômico. Os resultados não são
espetaculares, mas também não são ruins.
Em vez de levar em consideração apenas o crescimento
do PIB, é preciso olhar outros índices, como a queda
da taxa de mortalidade infantil. Um dos problemas que ainda não
foram resolvidos é que os negros permanecem à margem
da sociedade, o que pode ser um resultado do crescimento vagaroso.
Mas globalmente o país não está indo tão
mal.
Por que o senhor considera que globalmente o país
não vai mal?
Globalmente, e também em termos ideológicos, está
tudo certo. Trata-se de um país muito mais liberal do que
era há 25 anos, tanto política quanto economicamente.
Em 1985, era proibido importar computadores no Brasil porque decidiram
que eles deveriam ser fabricados aqui. No entanto, os PCs produzidos
internamente não funcionavam. Dessa forma, as empresas
brasileiras não conseguiam competir com o resto do mundo.
Para importar um computador, era uma enorme burocracia, era preciso
receber autorização do governo federal, além
de corromper políticos. Em 1985, liberalismo significava:
eu quero comprar um computador. Hoje, o Brasil está inserido
na globalização. Por isso, eu não ligo se
as pessoas dizem que são liberais ou anti-liberais: tenho
mais interesse nos resultados. Lula não se denomina um
liberal, mas ele introduziu uma noção de continuidade
na política econômica do Brasil e isto é muito
bom. Vindo da denominada “esquerda”, há um
sentido de legitimidade do povo: um governo de esquerda, fazendo
o que o Lula faz, indo para os Estados Unidos, lidando com Bush,
reduzindo despesa dos Estados. Se tudo isso fosse feito por um
governo de direita, provocaria uma revolução. As
pessoas diriam que estão vendendo o Brasil para Bush. Mas
é o Lula, “então deve ser certo”, “é
um sistema muito bom”.
Lula faz um bom governo, na sua opinião?
Não estou envolvido no debate político, vejo as
coisas com uma distância histórica. Eu encontrei
Lula pela primeira vez nos anos 80. Naquela época, ele
era leninista, trotskista, era uma espécie de revolucionário
de sua época. Eu achava que ele era basicamente um oportunista.
Hoje, ele se livrou daquela baboseira ideológica e entendeu
que se o Brasil deseja ser um país desenvolvido, deve partir
para a globalização, para o mercado livre. Lula
foi esperto o suficiente para não se tornar uma espécie
de Hugo Chávez, mas muito pragmático para entender
que o bom para o Brasil é fazer parte da comunidade global
e ter uma zona de livre comércio com os Estados Unidos,
já que ali está o maior mercado para os produtos
brasileiros e o maior investidor no Brasil. Acho que o Lula está
fazendo a coisa certa. Já essa corrupção
no dia-a-dia do governo não é problema meu.
No início do ano, o governo brasileiro anunciou
um programa para acelerar o desenvolvimento econômico, baseado,
principalmente, no investimento em infra-estrutura, como rodovias.
O senhor acredita que essa é uma maneira de acelerar o
desenvolvimento econômico?
A infra-estrutura é essencial para o desenvolvimento econômico.
Quando você constrói uma estrada, ela dá acesso
ao mercado da região. Então infra-estrutura é
absolutamente necessária. Mas deve ser privada ou pública?
Digo que pode ser privada e pode ser pública. Os melhores
aeroportos são privados; as melhores estradas, também.
Então, às vezes existe uma certa confusão
neste debate. Mais uma vez eu digo que o liberalismo é
uma questão de liberdade de escolha. O governo deve se
perguntar: qual é a melhor maneira? Dinheiro dos pagadores
de impostos ou dos consumidores? Na Europa, por exemplo, por muito
tempo, todas as estradas e comunicações eram públicas.
Hoje, 25 anos depois, elas são privadas. A infra-estrutura
pode muito bem ser privada
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