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Liberalismo político e econômico
Dizem que você é um liberal e alguns se
arriscam a dizer que você é um liberal extremista.
Você se vê assim?
Ser liberal não tem o mesmo significado no Brasil, nos
Estados Unidos e na França. Se eu fosse brasileiro, acho
que eu não seria um. No caso dos Estados Unidos, o liberalismo
é mais orientado pelo livre mercado, mas na França
é diferente. Lá, a tradição do liberalismo
é mais política do que econômica. Toda a história
do liberalismo francês foi calcada na luta pelos direitos
humanos, das liberdades pessoais, da democracia. Minha maior atividade
na França é lutar pelos direitos humanos e, atualmente,
pelos direitos humanos na China. Então, sou um liberal
na versão francesa. Economia livre, para mim, é
apenas um mecanismo. Agora, extremista, eu não sou, isso
não tem sentido. A maior fraqueza do liberalismo na França
e na Europa é o de não ser extremo. Somos muito
orgulhosos e centristas. Na política francesa, por exemplo,
eu sou conhecido como um centrista.
O liberalismo, na América Latina, é uma
ideologia de pessoas brancas, principalmente?
Sim, porque essa é a história do Brasil e da maior
parte da América Latina. No século 19, a palavra
liberalismo era usada pela aristocracia latino-americana como
uma idéia para justificar e manter seus privilégios
– como acontecia no Sul dos Estados Unidos, na época
da guerra civil. Devemos lembrar que também em nome do
liberalismo as pessoas eram contrárias à libertação
dos escravos. Tudo isso foi um tipo de manipulação
do conceito francês. É isso que eu quero dizer quando
falo que, se eu fosse brasileiro, provavelmente não seria
liberal. Reafirmo, liberalismo na França e na Europa oriental
representa luta pelos direitos humanos. É por isso que
somos a favor da democracia e do mercado livre - mas somente se
este mercado contribuir para a liberdade das pessoas.
E como o mercado livre pode favorecer as pessoas?
Se você observar a história da economia vai ver que
o mercado livre é uma distração da aristocracia
tradicional e que, se o mercado não é livre, a economia
permanece estagnada. Dessa forma, as pessoas que estão
no topo permanecem lá e as que estão embaixo, não
sobem. O mercado livre é uma força muito revolucionária
na economia porque permite que todos possam fazer parte: é
um sistema de oportunidades iguais para as pessoas. Quando não
há mercado livre, você não tem oportunidade.
Na falta de progresso de economia nesse mercado, você pode,
individualmente, manter somente as conexões políticas.
No comunismo, você está com o partido ou não
– como na China atualmente. Se você está com
o partido, tudo bem; caso contrário, não tem progresso.
No estatismo, acontece o mesmo. É um sistema de oportunidades
baseado em conexões políticas. Assim, o sistema
do mercado livre é relativamente democrático, e
isto tem sido demonstrado pela experiência. Com o livre
mercado, o crescimento econômico, você tem mais qualidade,
mais oportunidades. Ou seja, é um sistema mais democrático.
Por isso, liberais são a favor do mercado livre, e não
por razões políticas. Não sou um defensor
dos negócios, eu não sou um homem de negócios.
Eu sou a favor das oportunidades iguais e apóio o mercado
livre em nome dessas oportunidades.
E quem deve ser responsável pelas áreas
de educação e saúde?
Depende. Acredito que a educação e saúde
básica devem, geralmente, ser providas pelo Estado, porque
não são atividades lucráveis. Por isso, a
comunidade empresarial não tem interesse. Mas o mais importante
é que as pessoas tenham opção de escolha,
que eu possa comparar, não importando se é público
ou privado. O problema é que as opções de
escolha inexistem nas operações estatistas.
Os brasileiros têm escolha?
No Brasil, só se você tiver dinheiro. Se você
não tem, a escolha não existe, especialmente com
relação à educação. O sistema
educacional no Brasil é para poucas pessoas e este é
o maior problema do país há muitos anos. Entre os
brasileiros, todo o debate sobre liberalismo é ideológico
e teórico: ou você é a favor do mercado ou
é a favor do Estado. E este tipo de debate é pouco
interessante. O debate tem que ser: damos às pessoas o
direito de escolha?
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