| Marcos
Graciani e Simone
Fernandes

A partir de 1º de janeiro, abre-se um novo
ciclo na história do Grupo Gerdau, negócio fundado
pelo imigrante alemão Johannes Heinrich Kaspar Gerdau,
em 1901, e que conserva, até hoje, o trunfo de jamais ter
passado um ano sequer sem dar lucro. Jorge Gerdau Johannpeter
entrega ao filho, André, a cadeira de presidente na qual
sentou, pela primeira vez, em 1983, e de onde liderou um dos mais
bem-sucedidos casos de internacionalização de uma
empresa brasileira. Não é uma simples troca de nomes,
e sim uma mudança de modelo de gestão. Ao mesmo
tempo em que André se torna o CEO (Chief Executive Officer),
respondendo pela liderança estratégica da companhia,
seu primo, Claudio Gerdau Johannpeter, filho de Klaus, um dos
três irmãos de Jorge, assume como COO – Chief
Operating Officer. Em português, o equivalente a um diretor-geral
de operações, cargo que não existia no organograma
do grupo.
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A decisão de compartilhar o poder (veja
quadro com as responsabilidades de cada um) causou surpresa. Afinal,
desde o ano 2000, quando se iniciou o processo de transição
da quarta para a quinta geração, formada pelos 16
filhos de Jorge, Klaus, Germano e Frederico, tudo apontava para
a escolha pura e simples de um sucessor para o cargo de presidente.
Na medida em que um dos cotados, Carlos Gerdau Johannpeter, primogênito
de Jorge, foi cuidar de seus próprios empreendimentos e
deixou o processo de seleção, que incluía
17 executivos profissionais, as opções foram se
consolidando entre os primos André e Claudio. Era um ou
outro. A Gerdau preferiu um e outro. E teve êxito. A julgar
pela valorização inicial de suas ações,
os investidores não viram na decisão um risco de
que o grupo perca a unidade de comando.
“Não foi surpresa o desenho final”,
diz o analista Germano Mendes de Paula, professor da Universidade
Federal de Uberlândia. Para ele, o que a Gerdau fez foi
reproduzir um modelo que já vem implementando há
muitos anos. “Embora o Jorge fosse o presidente, que aparece
mais, as funções eram divididas entre os irmãos
de acordo com a especialidade de cada um.” Nesse formato,
Frederico sempre atuou como o responsável pelo setor financeiro,
uma expertise que herdou do pai, Curt Johannpeter. Klaus,
o pai de Claudio, funcionou como o cérebro tecnológico
e Germano, o talento comercial. Como presidente, Jorge completava
o time, azeitando as relações institucionais do
grupo, tarefa que o projetou como um dos principais líderes
empresariais do país.
Esse modelo, segundo relatos da família,
começou com Curt Johannpeter, que assumiu a direção
do negócio em 1946. Ele incentivou os filhos Klaus, Germano,
Frederico e Jorge a desenvolver habilidades complementares para
que pudessem trabalhar juntos.
“A gestão dentro da família
Gerdau transmite confiança e credibilidade”, elogia
o diplomata licenciado Carlos Serapião Júnior, consultor
de comércio exterior na Rússia, um dos países
que mais produzem aço no mundo. “O desafio agora
é replicar a harmonia que existiu até a quarta geração”,
identifica Felipe Monteiro, doutor em Administração
Internacional pela London School of Economics.
Eis a questão: esta tradição
de harmonia, tão rara em negócios que envolvem diferentes
ramos de uma família, continuará a ser a marca registrada
dos Gerdau Johannpeter? André e Claudio têm em comum
a idade, 43 anos, e uma ligação que vem desde a
infância. “Os dois têm papéis extremamente
importantes e complementares. São primos, mas é
como se fossem irmãos. Toda nossa família é
muito ligada e somos muito amigos”, define Carlos, irmão
de André.
Velho amigo da família, um dos donos da
Sparta Consultoria em Investimentos, Antônio Carlos Baldi,
também vê em André e em Claudio competências
complementares (leia os perfis de ambos), mas ressalta
a estrutura de apoio que ambos terão. “Os pais e
os tios de André e Claudio não deixarão de
participar”, diz Baldi. “Todos eles formam, na verdade,
uma equipe.”
Nessa equipe, Jorge Gerdau Johannpeter continua
a presidir o Conselho de Administração. Aliás,
não houve mudanças no colegiado que formula as diretrizes
sobre políticas, estratégias e controles. Todos
os conselheiros permanecem em seus lugares. Além dos irmãos
Frederico, Germano e Klaus, e de Carlos Petry, todos na função
de vice-presidente, o Conselho é integrado por nomes como
o do economista André Lara Resende e do ex-presidente do
Banco Central Affonso Celso Pastore.
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| Sidenor, na Espanha: a primeira operação
da Gerdau para se consolidar fora das Américas |
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