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      Edição 227 - Dezembro de 2006
 

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Quem são os primos André e Claudio Gerdau Jonhannpeter, como eles dividirão o comando do grupo Gerdau e qual é o tamanho da missão que eles herdaram da quarta geração dos barões do aço


Marcos Graciani e Simone Fernandes

A partir de 1º de janeiro, abre-se um novo ciclo na história do Grupo Gerdau, negócio fundado pelo imigrante alemão Johannes Heinrich Kaspar Gerdau, em 1901, e que conserva, até hoje, o trunfo de jamais ter passado um ano sequer sem dar lucro. Jorge Gerdau Johannpeter entrega ao filho, André, a cadeira de presidente na qual sentou, pela primeira vez, em 1983, e de onde liderou um dos mais bem-sucedidos casos de internacionalização de uma empresa brasileira. Não é uma simples troca de nomes, e sim uma mudança de modelo de gestão. Ao mesmo tempo em que André se torna o CEO (Chief Executive Officer), respondendo pela liderança estratégica da companhia, seu primo, Claudio Gerdau Johannpeter, filho de Klaus, um dos três irmãos de Jorge, assume como COO – Chief Operating Officer. Em português, o equivalente a um diretor-geral de operações, cargo que não existia no organograma do grupo.

A decisão de compartilhar o poder (veja quadro com as responsabilidades de cada um) causou surpresa. Afinal, desde o ano 2000, quando se iniciou o processo de transição da quarta para a quinta geração, formada pelos 16 filhos de Jorge, Klaus, Germano e Frederico, tudo apontava para a escolha pura e simples de um sucessor para o cargo de presidente. Na medida em que um dos cotados, Carlos Gerdau Johannpeter, primogênito de Jorge, foi cuidar de seus próprios empreendimentos e deixou o processo de seleção, que incluía 17 executivos profissionais, as opções foram se consolidando entre os primos André e Claudio. Era um ou outro. A Gerdau preferiu um e outro. E teve êxito. A julgar pela valorização inicial de suas ações, os investidores não viram na decisão um risco de que o grupo perca a unidade de comando.

“Não foi surpresa o desenho final”, diz o analista Germano Mendes de Paula, professor da Universidade Federal de Uberlândia. Para ele, o que a Gerdau fez foi reproduzir um modelo que já vem implementando há muitos anos. “Embora o Jorge fosse o presidente, que aparece mais, as funções eram divididas entre os irmãos de acordo com a especialidade de cada um.” Nesse formato, Frederico sempre atuou como o responsável pelo setor financeiro, uma expertise que herdou do pai, Curt Johannpeter. Klaus, o pai de Claudio, funcionou como o cérebro tecnológico e Germano, o talento comercial. Como presidente, Jorge completava o time, azeitando as relações institucionais do grupo, tarefa que o projetou como um dos principais líderes empresariais do país.

Esse modelo, segundo relatos da família, começou com Curt Johannpeter, que assumiu a direção do negócio em 1946. Ele incentivou os filhos Klaus, Germano, Frederico e Jorge a desenvolver habilidades complementares para que pudessem trabalhar juntos.

“A gestão dentro da família Gerdau transmite confiança e credibilidade”, elogia o diplomata licenciado Carlos Serapião Júnior, consultor de comércio exterior na Rússia, um dos países que mais produzem aço no mundo. “O desafio agora é replicar a harmonia que existiu até a quarta geração”, identifica Felipe Monteiro, doutor em Administração Internacional pela London School of Economics.

Eis a questão: esta tradição de harmonia, tão rara em negócios que envolvem diferentes ramos de uma família, continuará a ser a marca registrada dos Gerdau Johannpeter? André e Claudio têm em comum a idade, 43 anos, e uma ligação que vem desde a infância. “Os dois têm papéis extremamente importantes e complementares. São primos, mas é como se fossem irmãos. Toda nossa família é muito ligada e somos muito amigos”, define Carlos, irmão de André.

Velho amigo da família, um dos donos da Sparta Consultoria em Investimentos, Antônio Carlos Baldi, também vê em André e em Claudio competências complementares (leia os perfis de ambos), mas ressalta a estrutura de apoio que ambos terão. “Os pais e os tios de André e Claudio não deixarão de participar”, diz Baldi. “Todos eles formam, na verdade, uma equipe.”

Nessa equipe, Jorge Gerdau Johannpeter continua a presidir o Conselho de Administração. Aliás, não houve mudanças no colegiado que formula as diretrizes sobre políticas, estratégias e controles. Todos os conselheiros permanecem em seus lugares. Além dos irmãos Frederico, Germano e Klaus, e de Carlos Petry, todos na função de vice-presidente, o Conselho é integrado por nomes como o do economista André Lara Resende e do ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore.

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