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      Edição 223 - Agosto de 2006
 

    Matéria de Capa
    Economia no zero a zero
    O combustível do Sul
Capa da edição

 
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O setor de energia dá um salto de receita e rentabilidade –
e se firma como o mais poderoso da elite empresarial da região
 

Ao cercar uma unidade da Petrobras com soldados do exército e decretar a nacionalização das reservas bolivianas de gás natural, em maio, Evo Morales colocou centenas de indústrias do Brasil sob a ameaça de um novo tipo de “apagão”. De uma hora para a outra, governo e empresários passaram a estudar meios de diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência em relação ao gasoduto da Bolívia – que, sozinho, sustentava 8% da demanda energética brasileira. A região mais engajada nesse esforço foi o Sul. Como demonstrou a edição 221 de AMANHÃ, publicada em junho deste ano, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul eram os únicos Estados do país que dependiam totalmente da Bolívia para ter acesso ao gás. Tudo levava a crer que, em breve, eles deixariam de lado o combustível em favor de outras alternativas mais seguras. Hoje, porém, passados apenas três meses, o quadro é bem diferente daquele projetado pelos especialistas. A crise diplomática com Morales parece ter amainado e as indústrias do Sul seguem fiéis ao gasoduto que liga a Bolívia e o Brasil. E mais: as contas revelam que o consumo do combustível cresceu na região mesmo durante o impasse. Só no Paraná, por exemplo, o consumo de gás natural cresceu 18% no primeiro semestre, um salto recorde para o período. Em Santa Catarina, Estado que mais depende do insumo, a alta foi de 10%.

Os dados dão uma medida do ritmo vigoroso em que vêm crescendo as indústrias de energia e petróleo, o setor mais forte da elite empresarial da Região Sul. Apoiadas no crescimento do consumo e nos incentivos do governo – que deseja diversificar a matriz energética do país –, as empresas do segmento somaram uma receita bruta de R$ 60,6 bilhões em 2005. Trata-se de um crescimento de 18,2% em relação ao total do ano anterior. Para uma região cujo PIB permaneceu estacionado, o índice é, no mínimo, admirável. “Há grandes investimentos sendo feitos no setor, puxados principalmente pela Petrobras e por suas refinarias, como a Repar e a Refap”, conta o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do núcleo de conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Só a paranaense Repar, por exemplo, acaba de concluir um investimento de R$ 2 bilhões em obras de expansão e modernização. Na Refap, um projeto semelhante demandou R$ 1,1 bilhão em recursos e aumentou em 58% a capacidade instalada de processamento. Os investimentos, é claro, fazem o setor crescer em tamanho. Além disso, é preciso levar em conta o belo desempenho do Grupo Ipiranga, que controla duas grandes distribuidoras de combustíveis no país. Sozinho, o conglomerado cresceu 15% em 2005 e passou a responder por 46% do faturamento do setor em GRANDES & LÍDERES.

Confira, abaixo, quais são os setores que têm maior faturamento e maior média de rentabilidade no ranking GRANDES & LÍDERES organizado por AMANHÃ em parceria com a Price. O texto integral desta reportagem está disponível somente na versão impressa de AMANHÃ.

 

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