| Ao cercar uma unidade da Petrobras com soldados
do exército e decretar a nacionalização das
reservas bolivianas de gás natural, em maio, Evo Morales
colocou centenas de indústrias do Brasil sob a ameaça
de um novo tipo de “apagão”. De uma hora para
a outra, governo e empresários passaram a estudar meios
de diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência
em relação ao gasoduto da Bolívia –
que, sozinho, sustentava 8% da demanda energética brasileira.
A região mais engajada nesse esforço foi o Sul.
Como demonstrou a edição 221 de AMANHÃ, publicada
em junho deste ano, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul eram os únicos Estados do país que dependiam
totalmente da Bolívia para ter acesso ao gás. Tudo
levava a crer que, em breve, eles deixariam de lado o combustível
em favor de outras alternativas mais seguras. Hoje, porém,
passados apenas três meses, o quadro é bem diferente
daquele projetado pelos especialistas. A crise diplomática
com Morales parece ter amainado e as indústrias do Sul
seguem fiéis ao gasoduto que liga a Bolívia e o
Brasil. E mais: as contas revelam que o consumo do combustível
cresceu na região mesmo durante o impasse. Só no
Paraná, por exemplo, o consumo de gás natural cresceu
18% no primeiro semestre, um salto recorde para o período.
Em Santa Catarina, Estado que mais depende do insumo, a alta foi
de 10%.
Os dados dão uma medida do ritmo vigoroso em que vêm
crescendo as indústrias de energia e petróleo, o
setor mais forte da elite empresarial da Região Sul. Apoiadas
no crescimento do consumo e nos incentivos do governo –
que deseja diversificar a matriz energética do país
–, as empresas do segmento somaram uma receita bruta de
R$ 60,6 bilhões em 2005. Trata-se de um crescimento de
18,2% em relação ao total do ano anterior. Para
uma região cujo PIB permaneceu estacionado, o índice
é, no mínimo, admirável. “Há
grandes investimentos sendo feitos no setor, puxados principalmente
pela Petrobras e por suas refinarias, como a Repar e a Refap”,
conta o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador
do núcleo de conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social (Ipardes). Só a paranaense Repar,
por exemplo, acaba de concluir um investimento de R$ 2 bilhões
em obras de expansão e modernização. Na Refap,
um projeto semelhante demandou R$ 1,1 bilhão em recursos
e aumentou em 58% a capacidade instalada de processamento. Os
investimentos, é claro, fazem o setor crescer em tamanho.
Além disso, é preciso levar em conta o belo desempenho
do Grupo Ipiranga, que controla duas grandes distribuidoras de
combustíveis no país. Sozinho, o conglomerado cresceu
15% em 2005 e passou a responder por 46% do faturamento do setor
em GRANDES & LÍDERES.
Confira, abaixo, quais são os setores que têm maior
faturamento e maior média de rentabilidade no ranking GRANDES
& LÍDERES organizado por AMANHÃ em parceria
com a Price. O texto integral desta reportagem está disponível
somente na versão impressa de AMANHÃ.


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