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      Edição 220 - Maio de 2006
 

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Em que ocasiões você mereceria ter sido demitido?
Quando eu me arrependi de algum investimento malfeito, de entrar na hora errada em alguma coisa, de eventualmente ter sido injusto com alguém. Eu sempre me cobrei muito isso de manter uma retidão. Sempre fui muito exigente, muito detalhista para aceitar os erros naturais que todos cometem, e que eu, também, até hoje cometo. Acho que você ser um grande empresário é acertar mais do que errar, mas não tem como não errar. O índice de acerto fica maior e daí você tem um grande sucesso. Já houve momentos, porém, em que eu realmente falei: puxa, por que eu fiz assim? Mas eu nunca choro sobre leite derramado. O que passou passou, olho pra frente e tento resolver da melhor forma possível.

Você tem ministrado palestras em eventos de recursos humanos. Qual tem sido a essência de suas apresentações?
Eu falo basicamente sobre gestão e liderança. Acho que as pessoas identificam em mim um administrador com uma certa competência, e nisso até exageram um pouco. Mas eu estou aí para tentar passar ao jovem executivo que está começando carreira, ou mesmo para o empreendedor que já tem o seu negócio, quais são, na minha visão, os principais fundamentos na gestão dos negócios e na liderança.

O que faz um bom líder quando erra?
Primeiro, sabe reconhecer seu erro – o que é difícil quando a pessoa se acha acima do bem e do mal. E, no segundo movimento, sabe corrigir rumos. Ou seja, você errou e você reconhece que errou. A pior coisa que você pode fazer é insistir no erro e levar a empresa para o buraco. Você tem de saber corrigir rumos rapidamente. Eu prefiro ficar vermelho um minuto do que amarelo para o resto da vida. Você tem de tomar decisões rápidas – o que é essencial para se ter sucesso no mundo de hoje. A decisão pode ser muito ruim naquele momento, mas vai extirpar o mal pela raiz para que você não sofra disso no futuro.


“Não há como comparar o Duda Mendonça, um publicitário
de talento reconhecido, e o Marcos Valério, que é um
homem de negócios que estava em publicidade.
Há uma larga distância entre eles”

Até que ponto essa sua característica ajuda a conquistar contas de grandes anunciantes, como a das Casas Bahia?
Eu não sei te dizer até que ponto essa característica de gestão e liderança é a principal. Hoje, eu tenho de ter capacidade de atrair talentos para o meu negócio. Talento gera bom trabalho, bom trabalho gera satisfação de clientes e satisfação de clientes gera investimento. E assim cresce a roda do sucesso. Ser muito transparente e honesto com meus clientes, trazer para eles os melhores recursos do mercado, fazer um trabalho digno, pertinente, que seja adequado, recomendar não fazer quando é preciso... Com isso, acho que meus clientes se sentem gratificados e satisfeitos com a gente por atendermos sua necessidade de comunicação da melhor forma possível.

O ano de 2006 está sendo bom ou ruim para a propaganda brasileira?
Um ano bom. Um ano que tem dois eventos grandes. Um deles é a copa do mundo. E o outro é a própria eleição, que movimenta o mercado. Depois de três anos ruins, até 2004, o mercado já reagiu em 2005, que foi um grande ano. O primeiro trimestre de 2006 já mostrou que a tendência do ano é de crescimento outra vez. E nós, que somos líderes de mercado, estamos nessa maré. Somos a maior agência do Brasil, o maior grupo de comunicação, e estamos sentindo que nossos clientes estão acelerando.

Até que ponto os escândalos passados vão interferir no orçamento das campanhas eleitorais?
Eu, graças a Deus, não participo disso. Eu não tenho conta de governo e muito menos faço campanha de marketing político. Já fiz no passado. Mas não é uma área em que eu saiba transitar bem. Não gosto. Estou feliz de não estar participando e acho que foi bom para o mercado separar o joio do trigo. Muitas agências competentes e honestas trabalham para o governo. O governo em geral não pode ser sacrificado por alguns órgãos ou por algumas pessoas que transitavam de forma não muito ética. Mas acho que, com as normatizações que foram feitas para as eleições deste ano, essas limitações ao uso de recursos vão tornar as campanhas bem mais controladas. Acho que isso vai fazer bem para o mercado. Não é ilegal doar. O ilegal é você não ter como declarar a origem do dinheiro doado ou doar dinheiro por fora. Portanto, que as pessoas entendam que no mundo inteiro existe doação de campanha e que entrem com esses recursos de forma ordenada e correta. Acho que normatizar foi bom para o Brasil. Não acho que vai ser o ideal, ainda vai ter muita sujeira rolando, mas acho que já estamos melhor do que no passado.

O envolvimento de Marcos Valério e Duda Mendonça no escândalo do mensalão abalou a credibilidade dos publicitários brasileiros?
O que o Brasil costumeiramente faz é não separar as coisas. O Marcos Valério eu separo do Duda Mendonça em uma larga distância. O Duda Mendonça é um publicitário reconhecido, com talento. O Marcos Valério é um homem de negócios que estava em publicidade. O fato de ter acontecido esse tipo de episódio com algumas pessoas não deve sacrificar todas as agências e todos os publicitários do mercado. Não acho isso justo. Como não acho justo acusar indistintamente empreiteiras, bancos só porque nestes setores possa existir algum tipo de atividade que não é correta. Não se pode acusar um setor inteiro. Nem o próprio governo. Não são todos os políticos que são corruptos. A publicidade tem grandes nomes, grandes agências, que fazem um trabalho fantástico nesse nosso país e que é reconhecido no mundo inteiro. Não é justo que a atividade de uma ou duas pessoas leve todo o resto desse nosso mercado para dentro desse mesmo problema.

Quando é que se está fazendo uma boa contratação? Quando se está contratando um líder?
Não. Você não contrata só líderes. Você contrata pessoas dos mais diversos perfis. A boa contratação é a daquela pessoa que tem um bom caráter, uma boa índole, que tem vontade de trabalhar coletivamente – porque hoje em dia você não consegue mais trabalhar sozinho em nada, a menos que seja profissional liberal. Se você trabalhar em empresa, precisa ter a habilidade de trabalhar com pessoas. E ter visão, determinação, paixão – aquelas características de que eu falei antes. São as características, é o perfil que a pessoa tem de ter para obter sucesso.  

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