| Erik
Farina

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Aurélio,
da Geral: clientes em rédea curta |
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Ao voltar para o Brasil em 1996,
depois de quatro anos levantando torcidas na Europa,
o então jogador de futebol gaúcho
Roberto de Assis Moreira encontrou um cenário
econômico bem diferente do que deixara para
trás. Com a criação do Plano
Real, o governo havia dado fim ao pesadelo da
superinflação – e, por conseqüência,
as cadernetas de poupança já não
rendiam tanto quanto antigamente. Agora, pessoas
com muita grana no bolso começavam a procurar
uma nova alternativa de aplicações.
Durante alguns dias, Assis analisou seus investimentos
no país, quase todos em imóveis.
Logo, se deu conta de que estava perdendo dinheiro:
a liquidez do setor imobiliário é
tradicionalmente baixa, e as casas e apartamentos
que Assis mantinha no país se valorizam
num ritmo inferior à inflação.
Para reencontrar o caminho do lucro, o ex-jogador
decidiu pedir ajuda a um banco. E recorreu a um
pacote de serviços que, na época,
ainda era recente no Brasil: o private bank.
Por meio dele, os bancos se encarregavam de administrar
os bens de clientes endinheirados. O principal
produto oferecido era a gestão de fortunas,
também conhecida como wealth management
– pela qual o patrimônio líquido
dos clientes era investido em títulos públicos,
moedas estrangeiras, bolsa de valores e outras
opções, conforme a necessidade dos
contistas. Assis não se arrependeu da escolha.
“Foi o melhor negócio para mim, pois
tenho pouco tempo para acompanhar o mercado financeiro”,
diz ele, que hoje presta assessoria para jogadores
de futebol. Hoje, quase dez anos após assinar
o primeiro contrato de gerenciamento de sua fortuna,
Assis confia 60% de tudo o que juntou na vida
aos gerentes de três bancos internacionais.
“São profissionais experientes, e
fico tranqüilo por saber que eles cuidam
com carinho do meu dinheiro”, explica o
ex-atleta. Além de um cliente fiel, os
bancos encontraram em Assis um ótimo propagandista.
Sempre que possível, ele divulga esse tipo
de serviço entre os jogadores aos quais
assessora – entre eles, o irmão Ronaldinho
Gaúcho, do Barcelona, um dos atletas mais
bem pagos do mundo.
O caso de Assis ocorreu durante
o primeiro boom de gestão de fortunas
no Brasil. A febre foi motivada pelo surgimento
em larga escala de novos ricos no país.
Com a entrada do mercado brasileiro na era da
globalização, as multinacionais
passaram a adquirir diversas companhias brasileiras
– e os antigos donos se viram subitamente
às voltas com inusitadas quantias de dinheiro.
No final da década de 90, no entanto, os
juros dispararam, a economia estancou e o promissor
segmento de wealth management entrou
em um período de maré baixa.
Hoje, um novo boom nesse
mercado começa a se evidenciar no horizonte.
“A estabilidade econômica e a retomada
do crescimento do PIB colocam o país, outra
vez, em uma situação muito favorável
para o negócio de gestão de fortunas”,
acredita Eduardo Oliveira, CEO do banco suíço
UBS no Brasil. A população de milionários
brasileiros, por sinal, não pára
de crescer: uma pesquisa divulgada em junho pelo
banco Merryll Lynch mostra que o número
de pessoas no país com mais de US$ 1 milhão
para investir chegou a 96 mil em 2004 –
7,1% a mais do que no ano anterior. Muitas dessas
novas fortunas surgiram no embalo do agribusiness
e do ótimo desempenho das exportações
brasileiras. Hoje, a soma do patrimônio
líquido dos milionários brasileiros
ronda os US$ 75 bilhões. Um verdadeiro
tesouro para os profissionais do wealth management.
Não por acaso, vários bancos nacionais
e internacionais, públicos e privados entraram
na briga pelos clientes classe A nos últimos
dois anos – entre eles, o Banco do Brasil,
o UBS e o norte-americano Bank Boston. “O
momento é favorável e os bancos
não querem perder a chance de abocanhar
sua fatia de mercado”, explica Paulo Meirelles,
diretor comercial de private bank do
Unibanco, uma das primeiras instituições
brasileiras a apostar nesse serviço.
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Oliveira,
do UBS: Brasil promete |
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O clima pode ser propício
para a gestão de fortunas, mas conquistar
clientes nesse segmento nunca é fácil.
Afinal de contas, o serviço se dirige principalmente
a empresários, altos executivos e profissionais
liberais – gente acostumada a negociar e
a identificar as melhores oportunidades de investimento.
Agradar a um público tão exigente
é tarefa espinhosa. “Os clientes
são muito cuidadosos no momento de escolher
quem irá cuidar de seu dinheiro. Nesse
setor, a competência e a confiança
têm peso de ouro”, afirma Marco Antônio
dos Santos Martins, diretor da Geral Asset Management,
braço de gestão de fortunas da Corretora
Geral, de Porto Alegre.
Se conquistar a clientela é
um trabalho árduo, mantê-la satisfeita
exige ainda mais jogo de cintura. A Corretora
Geral, por exemplo, desenvolveu um método
para isso. Antes de assumir uma conta, a instituição
realiza diversas reuniões com o cliente
e faz uma análise rigorosa de sua vida
financeira: de onde vêm seus investimentos,
quais seus projetos para o futuro etc. Com esses
dados, a equipe de consultores elabora uma carta
de investimento que se encaixe às necessidades
do milionário. “Alguns clientes nos
procuram dizendo que têm um perfil agressivo.
Depois de realizar a análise, no entanto,
nós verificamos que o que ele deseja é
investir em títulos públicos, a
opção mais conservadora”,
conta Martins. “É sempre importante
fazer um exame cuidadoso antes de decidir quais
as opções mais apropriadas a cada
caso.”
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| Agência do Bank
Boston, em Porto Alegre: de olho nos milionários |
Outra estratégia para fidelizar
os milionários é oferecer uma batelada
de serviços paralelos. Quem utiliza a gestão
de fortunas do BankBoston, por exemplo, também
pode contar com outros tipos de consultoria financeira.
Além de administrar o dinheiro do usuário,
o banco dá dicas para lidar com a estrutura
tributária brasileira e auxilia processos
de sucessão em empresas familiares. “O
cliente do private bank busca serviços
que ultrapassem a gestão de fortunas. Ele
quer uma assessoria para toda sua vida financeira”,
afirma Júlio Ziegelmann, superintendente
executivo de wealth management do BankBoston.
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