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      Edição 212 - Julho de 2005
 

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Não chegou a ser um espetáculo de crescimento. Mas em matéria de desempenho, certamente foram as 100 maiores empresas de Santa Catarina que brilharam na Região Sul, em 2004. Somada, a receita bruta das líderes do Estado deu um salto de 24,8% em relação a 2003 e, pela primeira vez, ultrapassou o faturamento das 100 maiores do Paraná. Mesmo com dinheiro no caixa, porém, as companhias não relaxaram. Reduziram despesas, investiram na eficiência – e lucraram mais. A média de rentabilidade sobre receita das líderes bateu em 6,3%, o melhor índice do Estado desde que o ranking GRANDES & LÍDERES passou a focar a Região Sul, em 2001.

As empresas do setor de alimentos foram as que brilharam. Mais uma vez, Bunge, Sadia e Perdigão ocuparam, respectivamente, o 1º, o 2º e o 3º lugar no ranking de Santa Catarina. O peso dessas três gigantes pode ser medido pela soma de suas receitas: R$ 27,9 bilhões, o equivalente a 43,7% de tudo que as top-100 catarinenses faturaram em 2004. O desempenho até poderia ter sido melhor, não fosse o embargo da Rússia à carne brasileira – que emperrou as exportações e atingiu em cheio Santa Catarina, um dos maiores produtores de carne suína do país. O embargo russo só terminou em novembro de 2004.

Àquela altura, as empresas já vinham prospectando novos mercados, especialmente na Ásia e no Oriente Médio. A reabertura, portanto, serviu apenas para tirar um pouco do atraso. A Sadia, por exemplo, acabou fechando o ano com um lucro de R$ 438,8 milhões. Um resultado bom, é claro – mas levemente inferior ao registrado em 2003, quando não houve embargo nenhum.

Indústria têxtil: ano foi de recuperação – mas resultados poderiam ter sido melhores.

O ano passado também foi de recuperação para as empresas têxteis, que desta vez ocuparam nada menos do que 15 posições entre as 100 maiores do Estado. É verdade que a concorrência dos produtos chineses se acirrou – inclusive no mercado brasileiro. Mas a retomada da economia brasileira, que cresceu quase 5% em 2004, garantiu às companhias desse setor um resultado melhor. Juntas, as têxteis catarinenses listadas no ranking lucraram 41% a mais. Já aquelas que fecharam com prejuízo pelo menos reduziram as perdas – de R$ 153,3 milhões, em 2003, para R$ 32,7 milhões no ano passado. “Elas conseguiram se adequar à concorrência chinesa e fizeram investimentos na capacidade produtiva e no mix de produtos. Isso garantiu o avanço”, resume Osvaldo Moreira Mouat, presidente do Conselho de Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Confira a lista das 100 maiores de Santa Catarina na versão impressa de AMANHÃ

Na ponta do lápis, pode-se dizer que 2004 foi um ano bom para Santa Catarina, apesar de tudo. A soma total de VPGs, indicador exclusivo de GRANDES & LÍDERES para medir tanto o desempenho como o porte de cada empresa, cresceu cerca de 23%. Esse aumento, porém, teve um preço: a média de endividamento das 100 maiores do Estado subiu de 54,9% para 58% do ativo total – o maior avanço, em pontos percentuais, de toda a Região Sul. Com o câmbio desfavorável e a perspectiva de desaceleração na economia brasileira, 2005 dificilmente será melhor.

* Valor Ponderado de Grandeza – ponderação entre patrimônio líquido (50%),
receita bruta (40%) e resultado líquido do exercício (10%)

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