| Não chegou a ser um espetáculo
de crescimento. Mas em matéria de desempenho,
certamente foram as 100 maiores empresas de Santa
Catarina que brilharam na Região Sul, em
2004. Somada, a receita bruta das líderes
do Estado deu um salto de 24,8% em relação
a 2003 e, pela primeira vez, ultrapassou o faturamento
das 100 maiores do Paraná. Mesmo com dinheiro
no caixa, porém, as companhias não
relaxaram. Reduziram despesas, investiram na eficiência
– e lucraram mais. A média de rentabilidade
sobre receita das líderes bateu em 6,3%,
o melhor índice do Estado desde que o ranking
GRANDES & LÍDERES passou a focar a
Região Sul, em 2001.
As empresas do setor de alimentos foram as que
brilharam. Mais uma vez, Bunge, Sadia e Perdigão
ocuparam, respectivamente, o 1º, o 2º
e o 3º lugar no ranking de Santa Catarina.
O peso dessas três gigantes pode ser medido
pela soma de suas receitas: R$ 27,9 bilhões,
o equivalente a 43,7% de tudo que as top-100 catarinenses
faturaram em 2004. O desempenho até poderia
ter sido melhor, não fosse o embargo da
Rússia à carne brasileira –
que emperrou as exportações e atingiu
em cheio Santa Catarina, um dos maiores produtores
de carne suína do país. O embargo
russo só terminou em novembro de 2004.
Àquela altura, as empresas já vinham
prospectando novos mercados, especialmente na
Ásia e no Oriente Médio. A reabertura,
portanto, serviu apenas para tirar um pouco do
atraso. A Sadia, por exemplo, acabou fechando
o ano com um lucro de R$ 438,8 milhões.
Um resultado bom, é claro – mas levemente
inferior ao registrado em 2003, quando não
houve embargo nenhum.
 |
| Indústria têxtil:
ano foi de recuperação –
mas resultados poderiam ter sido melhores. |
O ano passado também foi de recuperação
para as empresas têxteis, que desta vez
ocuparam nada menos do que 15 posições
entre as 100 maiores do Estado. É verdade
que a concorrência dos produtos chineses
se acirrou – inclusive no mercado brasileiro.
Mas a retomada da economia brasileira, que cresceu
quase 5% em 2004, garantiu às companhias
desse setor um resultado melhor. Juntas, as têxteis
catarinenses listadas no ranking lucraram
41% a mais. Já aquelas que fecharam com
prejuízo pelo menos reduziram as perdas
– de R$ 153,3 milhões, em 2003, para
R$ 32,7 milhões no ano passado. “Elas
conseguiram se adequar à concorrência
chinesa e fizeram investimentos na capacidade
produtiva e no mix de produtos. Isso garantiu
o avanço”, resume Osvaldo Moreira
Mouat, presidente do Conselho de Integração
Internacional da Confederação Nacional
da Indústria (CNI).
Confira a lista das 100 maiores de Santa
Catarina na versão impressa de AMANHÃ

Na ponta do lápis, pode-se dizer que 2004
foi um ano bom para Santa Catarina, apesar de
tudo. A soma total de VPGs, indicador exclusivo
de GRANDES & LÍDERES para medir tanto
o desempenho como o porte de cada empresa, cresceu
cerca de 23%. Esse aumento, porém, teve
um preço: a média de endividamento
das 100 maiores do Estado subiu de 54,9% para
58% do ativo total – o maior avanço,
em pontos percentuais, de toda a Região
Sul. Com o câmbio desfavorável e
a perspectiva de desaceleração na
economia brasileira, 2005 dificilmente será
melhor.

* Valor Ponderado
de Grandeza – ponderação entre
patrimônio líquido (50%),
receita bruta (40%) e resultado líquido
do exercício (10%)
|