| Basta uma análise atenta
das tabelas de Grandes & Líderes para
perceber que 2004 não foi um ano trivial
– pelo menos no que diz respeito à
elite corporativa do Rio Grande do Sul. Juntas,
as 100 maiores empresas do Estado registraram
um avanço de 25% no Valor Ponderado de
Grandeza (VPG), o indicador exclusivo de GRANDES
& LÍDERES. Trata-se de um belo resultado.
Em Santa Catarina, por exemplo, o VPG somado das
líderes cresceu menos: 23%. No Paraná,
inflou 20%.
As exportações, é claro,
tiveram um papel fundamental nesse desempenho.
Pelas contas do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC),
os embarques gaúchos cresceram 23,2% em
2004. Isso já explica o salto na receita
bruta de diversas empresas entre as 100 maiores,
como Tramontina (alta de 24%), Copesul (31%) e
Randon (49%), entre outras. No entanto, vale lembrar
que Santa Catarina e Paraná também
foram muito bem, obrigado, nas vendas do porto
para fora. Ambos exibiram um aumento de 31,3%
nas exportações, bem maior do que
o do Rio Grande do Sul. Ou seja: desta vez, um
outro fator ajudou a alargar a vantagem gaúcha
sobre os vizinhos.
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| Ganhos pesados: indústria
metal-mecânica foi destaque entre as
100 maiores do RS. |
“A indústria nacional voltou a investir,
e, com isso, acionou alguns de seus principais
fornecedores, que estão no Rio Grande do
Sul”, avalia Igor Morais, assessor econômico
da Federação de Indústrias
do Estado (Fiergs). Em bom português, a
economia gaúcha também foi beneficiada
pela retomada do consumo interno. Siderurgia,
calçados, combustíveis, alimentos
e outros importantes ramos de atividade do Estado
voltaram a colher bons resultados Brasil adentro.
Um dos destaques foi o setor metal-mecânico,
cujas empresas listadas no ranking GRANDES &
LÍDERES registraram avanços acima
da média. A fabricante de tubos e perfis
de aço Zamprogna, por exemplo, viu seu
VPG inflar 46% em 2004. Já a Medabil, que
desenvolve estruturas metálicas para a
construção civil, cresceu 53% nesse
indicador. “A indústria pesada cresceu
muito em 2004, alavancando toda a economia gaúcha”,
resume Maria Conceição Schettert,
economista da Fundação de Economia
e Estatística (FEE). De fato, a receita
bruta das 100 maiores empresas do Rio Grande do
Sul cresceu 20% em 2004. Fechou em R$ 127 bilhões,
cifra maior do que a das 100 líderes paranaenses
e catarinenses somadas.
Confira a lista das 100 maiores do Rio
Grande do Sul na versão impressa de AMANHÃ

Boa safra – Outro fator
que assegurou boa saúde às grandes
companhias do Rio Grande do Sul foi a bela performance
do agronegócio. Ao todo, o país
colheu 119 milhões de toneladas de grãos
na safra terminada em 2004, o segundo melhor resultado
da história. A colheita farta robusteceu
os resultados das empresas que estão diretamente
ligadas ao campo. Que o diga a Adubos Trevo, cujo
VPG engordou 30,2%. Na fabricante de tratores
Agrale, de Caxias do Sul, o aumento foi ainda
maior: 40%.
Os analistas , porém, alertam: dificilmente
o Rio Grande do Sul conseguirá repetir
o desempenho em 2005. O Estado foi vítima
da seca mais rigorosa da história –
que, pelos levantamentos mais recentes, poderá
causar uma quebra de até 70% na colheita.
Além disso, a desvalorização
do dólar e a suspensão dos créditos
de ICMS pelo governo estadual remetem a um ano
de cintos apertados para os exportadores. “Não
acredito que o PIB gaúcho possa crescer
mais que 2% neste ano, sendo muito otimista”,
lamenta Marcelo Portugal, coordenador da faculdade
de Economia da UFRGS.

* Valor Ponderado
de Grandeza – ponderação entre
patrimônio líquido (50%),
receita bruta (40%) e resultado líquido
do exercício (10%)
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