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      Edição 212 - Julho de 2005
 

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    Análise das líderes – RS
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Basta uma análise atenta das tabelas de Grandes & Líderes para perceber que 2004 não foi um ano trivial – pelo menos no que diz respeito à elite corporativa do Rio Grande do Sul. Juntas, as 100 maiores empresas do Estado registraram um avanço de 25% no Valor Ponderado de Grandeza (VPG), o indicador exclusivo de GRANDES & LÍDERES. Trata-se de um belo resultado. Em Santa Catarina, por exemplo, o VPG somado das líderes cresceu menos: 23%. No Paraná, inflou 20%.

As exportações, é claro, tiveram um papel fundamental nesse desempenho. Pelas contas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), os embarques gaúchos cresceram 23,2% em 2004. Isso já explica o salto na receita bruta de diversas empresas entre as 100 maiores, como Tramontina (alta de 24%), Copesul (31%) e Randon (49%), entre outras. No entanto, vale lembrar que Santa Catarina e Paraná também foram muito bem, obrigado, nas vendas do porto para fora. Ambos exibiram um aumento de 31,3% nas exportações, bem maior do que o do Rio Grande do Sul. Ou seja: desta vez, um outro fator ajudou a alargar a vantagem gaúcha sobre os vizinhos.

Ganhos pesados: indústria metal-mecânica foi destaque entre as 100 maiores do RS.

“A indústria nacional voltou a investir, e, com isso, acionou alguns de seus principais fornecedores, que estão no Rio Grande do Sul”, avalia Igor Morais, assessor econômico da Federação de Indústrias do Estado (Fiergs). Em bom português, a economia gaúcha também foi beneficiada pela retomada do consumo interno. Siderurgia, calçados, combustíveis, alimentos e outros importantes ramos de atividade do Estado voltaram a colher bons resultados Brasil adentro. Um dos destaques foi o setor metal-mecânico, cujas empresas listadas no ranking GRANDES & LÍDERES registraram avanços acima da média. A fabricante de tubos e perfis de aço Zamprogna, por exemplo, viu seu VPG inflar 46% em 2004. Já a Medabil, que desenvolve estruturas metálicas para a construção civil, cresceu 53% nesse indicador. “A indústria pesada cresceu muito em 2004, alavancando toda a economia gaúcha”, resume Maria Conceição Schettert, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE). De fato, a receita bruta das 100 maiores empresas do Rio Grande do Sul cresceu 20% em 2004. Fechou em R$ 127 bilhões, cifra maior do que a das 100 líderes paranaenses e catarinenses somadas.

Confira a lista das 100 maiores do Rio Grande do Sul na versão impressa de AMANHÃ

Boa safra – Outro fator que assegurou boa saúde às grandes companhias do Rio Grande do Sul foi a bela performance do agronegócio. Ao todo, o país colheu 119 milhões de toneladas de grãos na safra terminada em 2004, o segundo melhor resultado da história. A colheita farta robusteceu os resultados das empresas que estão diretamente ligadas ao campo. Que o diga a Adubos Trevo, cujo VPG engordou 30,2%. Na fabricante de tratores Agrale, de Caxias do Sul, o aumento foi ainda maior: 40%.

Os analistas , porém, alertam: dificilmente o Rio Grande do Sul conseguirá repetir o desempenho em 2005. O Estado foi vítima da seca mais rigorosa da história – que, pelos levantamentos mais recentes, poderá causar uma quebra de até 70% na colheita. Além disso, a desvalorização do dólar e a suspensão dos créditos de ICMS pelo governo estadual remetem a um ano de cintos apertados para os exportadores. “Não acredito que o PIB gaúcho possa crescer mais que 2% neste ano, sendo muito otimista”, lamenta Marcelo Portugal, coordenador da faculdade de Economia da UFRGS.

* Valor Ponderado de Grandeza – ponderação entre patrimônio líquido (50%),
receita bruta (40%) e resultado líquido do exercício (10%)

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