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      Edição 212 - Julho de 2005
 

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Presença contumaz entre as 100 maiores empresas do Paraná, as cooperativas agroindustriais só fazem crescer. Neste ano, elas ocuparam 14 posições no ranking e ajudaram a consolidar o agronegócio como a principal engrenagem da economia paranaense. Por isso mesmo, o desempenho do Paraná no levantamento GRANDES & LÍDERES foi bom – mas nem tanto quanto em 2003. Tudo por causa das empresas do campo. “O Paraná é o Estado do Brasil em que o agronegócio tem a participação mais expressiva na economia”, atesta Carlos Olson, superintendente do BRDE em Curitiba.

Veja novamente o exemplo das cooperativas. O setor ganhou peso no ranking: representou 13,6% da soma total de VPGs do Paraná, ou 0,1 ponto percentual a mais do que em 2003. Parece pouco e é – afinal, o VPG paranaense cresceu 20% no mesmo período. Entretanto, as cooperativas perderam uma representante (na edição passada, elas ocupavam 15 posições entre as 100 maiores). Além disso, a média de crescimento do setor encolheu. Havia sido de mais de 35% em 2003, e não passou de 20% no ano passado.

Sede da C.Vale, em Palotina: industrializados asseguraram o crescimento em 2004.

O recuo não deixa de surpreender. Em geral, 2004 foi melhor do que 2003 para a maioria das empresas brasileiras. Parte da explicação está no fato de que as cooperativas ainda dependem muito da venda e exportação de commodities, cujos preços oscilam fortemente de um ano para o outro. No ano passado, as cotações não foram das melhores. Um levantamento do Instituto de Economia Agrícola, de São Paulo, calcula que os preços da soja em grão caíram, em média, 30% em 2004. Já o milho recuou 21,6% e o algodão, quase 40%. Ainda bem que a maioria das cooperativas também comercializa produtos industrializados, que não são tão vulneráveis às oscilações do mercado internacional. A C.Vale, de Palotina, é um exemplo. A empresa já obtém 20% da sua receita com a venda de cortes de carne de frango. Em Maringá, a Cocamar incluiu no portfólio sucos, maionese e outros produtos.

Confira a lista das 100 maiores do Paraná na versão impressa de AMANHÃ

Menos prejuízo – Não foram apenas as cooperativas que apostaram em produtos de maior valor agregado. Em 2004, as 100 líderes do Paraná exibiram a melhor média de rentabilidade sobre receita do Sul: 6,8%. Há dois motivos para a melhora no índice. Primeiro, o fato de que a economia paranaense foi a que mais cresceu na região, em 2004. Isso garantiu a retomada de alguns segmentos. “Bebidas e materiais elétricos cresceram mais. Mas têm pouca representatividade na nossa economia”, exemplifica Maurílio Schmidtt, economista da Federação de Indústrias do Estado (Fiep).

“Além disso, houve uma maturação dos investimentos realizados no Estado”, acrescenta Carlos Olson, do BRDE. Em outras palavras, as empresas do Paraná finalmente sentiram no bolso o efeito dos investimentos que vinham fazendo em expansão e qualificação de suas linhas produtivas. Como no caso da Renault. Embalada pelo bom momento do mercado automotivo, a montadora vendeu mais e, desta vez, gastou menos. Fechou com prejuízo – mas um prejuízo 50% menor do que o do ano anterior. Além dela, diversas outras companhias reduziram suas perdas em 2004. Prova disso é o fato de que as perdas totais das 100 maiores do Estado caíram 80%. Uma ótima notícia para o Paraná, que neste ano terá de contornar a queda nos preços das commodities e o câmbio desfavorável.

*Valor Ponderado de Grandeza – ponderação entre patrimônio líquido ajustado (50%),
receita bruta (40%) e resultado líquido do exercício (10%)

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