| Presença contumaz entre
as 100 maiores empresas do Paraná, as cooperativas
agroindustriais só fazem crescer. Neste
ano, elas ocuparam 14 posições no
ranking e ajudaram a consolidar o agronegócio
como a principal engrenagem da economia paranaense.
Por isso mesmo, o desempenho do Paraná
no levantamento GRANDES & LÍDERES foi
bom – mas nem tanto quanto em 2003. Tudo
por causa das empresas do campo. “O Paraná
é o Estado do Brasil em que o agronegócio
tem a participação mais expressiva
na economia”, atesta Carlos Olson, superintendente
do BRDE em Curitiba.
Veja novamente o exemplo das cooperativas. O
setor ganhou peso no ranking: representou
13,6% da soma total de VPGs do Paraná,
ou 0,1 ponto percentual a mais do que em 2003.
Parece pouco e é – afinal, o VPG
paranaense cresceu 20% no mesmo período.
Entretanto, as cooperativas perderam uma representante
(na edição passada, elas ocupavam
15 posições entre as 100 maiores).
Além disso, a média de crescimento
do setor encolheu. Havia sido de mais de 35% em
2003, e não passou de 20% no ano passado.
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| Sede da C.Vale, em Palotina:
industrializados asseguraram o crescimento
em 2004. |
O recuo não deixa de surpreender. Em geral,
2004 foi melhor do que 2003 para a maioria das
empresas brasileiras. Parte da explicação
está no fato de que as cooperativas ainda
dependem muito da venda e exportação
de commodities, cujos preços oscilam
fortemente de um ano para o outro. No ano passado,
as cotações não foram das
melhores. Um levantamento do Instituto de Economia
Agrícola, de São Paulo, calcula
que os preços da soja em grão caíram,
em média, 30% em 2004. Já o milho
recuou 21,6% e o algodão, quase 40%. Ainda
bem que a maioria das cooperativas também
comercializa produtos industrializados, que não
são tão vulneráveis às
oscilações do mercado internacional.
A C.Vale, de Palotina, é um exemplo. A
empresa já obtém 20% da sua receita
com a venda de cortes de carne de frango. Em Maringá,
a Cocamar incluiu no portfólio
sucos, maionese e outros produtos.
Confira a lista das 100 maiores do Paraná
na versão impressa de AMANHÃ

Menos prejuízo – Não
foram apenas as cooperativas que apostaram em
produtos de maior valor agregado. Em 2004, as
100 líderes do Paraná exibiram a
melhor média de rentabilidade sobre receita
do Sul: 6,8%. Há dois motivos para a melhora
no índice. Primeiro, o fato de que a economia
paranaense foi a que mais cresceu na região,
em 2004. Isso garantiu a retomada de alguns segmentos.
“Bebidas e materiais elétricos cresceram
mais. Mas têm pouca representatividade na
nossa economia”, exemplifica Maurílio
Schmidtt, economista da Federação
de Indústrias do Estado (Fiep).
“Além disso, houve uma maturação
dos investimentos realizados no Estado”,
acrescenta Carlos Olson, do BRDE. Em outras palavras,
as empresas do Paraná finalmente sentiram
no bolso o efeito dos investimentos que vinham
fazendo em expansão e qualificação
de suas linhas produtivas. Como no caso da Renault.
Embalada pelo bom momento do mercado automotivo,
a montadora vendeu mais e, desta vez, gastou menos.
Fechou com prejuízo – mas um prejuízo
50% menor do que o do ano anterior. Além
dela, diversas outras companhias reduziram suas
perdas em 2004. Prova disso é o fato de
que as perdas totais das 100 maiores do Estado
caíram 80%. Uma ótima notícia
para o Paraná, que neste ano terá
de contornar a queda nos preços das commodities
e o câmbio desfavorável.

*Valor Ponderado
de Grandeza – ponderação entre
patrimônio líquido ajustado (50%),
receita bruta (40%) e resultado líquido
do exercício (10%)
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