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      Edição 209 - Abril de 2005
 

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O avanço tecnológico levou a vida corporativa para
além dos limites de velocidade. Mas, afinal, o
que ganham (e perdem) as empresas supersônicas?


Rogério Kiefer

Muita gente parece ter dúvidas, mas, até onde se sabe, os dias, as semanas e os anos não encurtaram. Ainda assim, a sensação geral é de que o relógio acelerou. Hoje, executivos, profissionais liberais e trabalhadores simplesmente não conseguem acomodar em apenas 24 horas todas as tarefas que precisam cumprir no dia. E as empresas, que em poucas décadas tiveram de aprender a competir em uma escala nunca vista antes, parecem obrigadas a exigir cada vez mais pressa. Resultado: os prazos para a realização de projetos estão mais curtos, a velocidade nas inovações se torna maior e a rotina de trabalho, estressante como nunca.

Basta analisar alguns dados para perceber como a vida corporativa acelerou. Em 1914, o pioneiro da indústria automobilística e das linhas de montagem, Henry Ford, comemorava a façanha de montar um carro a cada 93 minutos. Hoje, o Complexo Industrial Ford Nordeste, inaugurado pela subsidiária brasileira da montadora há quatro anos, desova um veículo a cada 80 segundos. Mais: sozinha, a IBM registra 3,5 mil patentes por ano. Significa dizer que sai dos laboratórios da companhia uma dezena de novidades por dia.

Hoje, há quase um consenso sobre o acerto da famosa Lei de Moore. Formulado há 40 anos por um dos fundadores da Intel, Gordon Moore, o enunciado previa que o número de transistores em um chip duplicaria a cada 18 meses. Mais do que uma questão de engenharia, essa regra, que segue de pé, revela quanto a miniaturização e a velocidade no processamento de dados podem avançar e atingir níveis inimagináveis para a maior parte das pessoas. E é bom lembrar que, desde os tempos mais remotos, há uma ligação direta entre o avanço tecnológico e a aceleração das atividades produtivas (veja o quadro “Mais tecnologia, mais velocidade”)

Além disso, o progresso não é acompanhado por uma elevação no número de trabalhadores empregados. Bem pelo contrário: desde as ondas de downsizing e reengenharia, que varreram as companhias ao redor do mundo, nas décadas de 80 e 90, as companhias crescem, mas mantêm quadros de pessoal enxutos – principalmente no médio e no alto escalões. “Com a diminuição no número de cargos, as pessoas têm mais tarefas. E essas tarefas são cada vez mais abrangentes, o que aumenta muito a responsabilidade dos trabalhadores”, percebe Clarice Martins Costa, presidente da seccional gaúcha da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

Você tem a doença da pressa?

O teste abaixo foi retirado do livro Se Tiver Pressa, Ande Devagar, de Lothar Seiwert.
A obra, uma espécie de guia de auto-ajuda para pessoas que se sentem sem tempo, tenta mostrar como pessoas com perfis diferentes lidam com o relógio. Marque um ponto para cada afirmativa que estiver de acordo com seu modo de agir.

  1. Muitas vezes, dirijo pelo menos a dez quilômetros por hora mais depressa do que o permitido.
  2. Interrompo outros e/ou concluo suas frases.
  3. Em reuniões, fico impaciente quando alguém se afasta do assunto.
  4. Tenho dificuldade de respeitar pessoas que quase sempre se atrasam.
  5. Apresso-me para ser sempre um dos primeiros nas filas mesmo quando isso é desnecessário (por exemplo, desembarcar primeiro de um avião, por mais longa que for a espera pela bagagem).
  6. Quando estou numa loja ou em um restaurante, fico impaciente e me queixo, ou vou até embora se o atendimento demorar mais que alguns minutos; para mim, tempo é dinheiro!
  7. Geralmente considero aqueles que falam, agem ou decidem devagar como sendo menos capazes; admiro as pessoas que conseguem acompanhar meu ritmo acelerado! Orgulho-me de minha rapidez, eficácia e pontualidade.
  8. Considero o “não fazer nada” um tremendo desperdício de tempo.
  9. Orgulho-me de ter tudo pronto dentro dos prazos e deixaria de melhorar um produto se isso significasse um atraso.
  10. Geralmente incito meus filhos e meu/minha parceiro/a a se apressarem.

Avaliação

0 a 3 pontos: Parabéns! Você apresenta todas as condições de assumir encargos de maneira saudável e adota a máxima: “A força está na tranqüilidade”.

4 a 6 pontos: Você vive numa zona de perigo: analise bem sua rotina e se empenhe em adotar um equilíbrio maior entre situações estressantes e relaxantes.

7 e mais pontos: Você está com a doença da pressa. Reduza já seu número de rotações antes que seja tarde demais.


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