| O
que transforma uma simples fábrica de pregos em uma
genuína multinacional do aço? Que tipo de ferramentas
de gestão levam uma oficina catarinense de refrigeradores
a se tornar uma potência mundial? São questões
como essas que o ranking “Multinacionais do Sul”
tenta responder nas próximas 16 páginas. Em
análise estão as empresas que já conhecem
o caminho da competição global: Marcopolo, Weg,
Sadia, O Boticário entre outras. Todas elas foram avaliadas
por dez especialistas, que apontaram quais estão mais
avançadas na internacionalização de seus
negócios. Ao final, ficou claro que não existem
receitas simples para transformar empreendimentos em potências
globais. Cada empresa trilha um caminho próprio até
crescer e despertar tanto interesse quanto Gerdau e Embraco
– respectivamente, a campeã e a vice do levantamento
de AMANHÃ.
Há, porém, pontos em comum que merecem destaque.
Por exemplo: para a maioria dessas empresas, expandir suas
fronteiras não foi uma simples opção
ou capricho. Foi, isso sim, uma necessidade – algo indispensável
para manter seu ritmo de crescimento e saúde financeira.
Veja o que conta Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo
Gerdau, sobre a decisão da companhia de avançar
de uma ponta a outra das Américas. “Chegou um
momento em que a nossa capacidade de crescimento no Brasil
estava limitada. Fatalmente, se quiséssemos seguir
focados em siderurgia, nós deveríamos entrar
num caminho de internacionalização.
É evidente que nenhuma empresa – nem mesmo a
Gerdau – se torna uma multinacional apenas por força
das circunstâncias. A decisão de internacionalizar
também é sempre balizada por um firme código
de gestão.
Ou seja: todas essas companhias já são competitivas
dentro de casa antes de empregar mão-de-obra asiática
ou de aproveitar os ventos favoráveis das taxas de
câmbio. A Sadia, por exemplo, não tem nenhuma
fábrica lá fora. Mas os especialistas garantem
que, com seu atual modelo de gestão, a empresa não
terá problema para pisar em outros continentes. “Suas
unidades de operação são grandes e funcionam
com estruturas rígidas, feitas para produzir em larga
escala”, analisa David Travesso, um dos avaliadores
do ranking “Multinacionais do Sul”.
| A
metodologia |
Para elaborar o projeto “Multinacionais
do Sul”, AMANHÃ enviou questionários
às 50 empresas da região que mais exportaram
em 2003. As perguntas ajudavam a medir a importância
das operações internacionais nos negócios
de cada companhia. Verificou-se, por exemplo, quantas
fábricas, centros de distribuição,
escritórios comerciais e outros tipos de empreendimentos
(joint ventures, acordos tecnológicos,
alianças etc) eram mantidos no exterior. Da mesma
forma, foram apuradas informações como
número de países e de continentes alcançados
pelas exportações, número de patentes
registradas no exterior e atuação da empresa
em bolsas de valores na Europa e nos Estados Unidos.
Os questionários respondidos foram repassados
a uma equipe de dez especialistas (veja quem são
na página seguinte). A partir de uma análise
minuciosa dos dados, cada um deles apontou as três
empresas mais avançadas na internacionalização
de seus negócios, classificando-as em 1º,
2º e 3º lugares. Então AMANHÃ
conferiu pontos a cada uma das empresas, utilizando-se
do seguinte critério: para cada 1º lugar
obtido, a companhia ganhava três pontos; 2º
lugar, dois pontos; e 3º lugar, um ponto. No final,
a pontuação foi somada. As vencedoras
do projeto “Multinacionais do Sul” foram
as cinco que mais acumularam pontos.
|
|