| O dia 23 de outubro, que passou sem grande
repercussão, marca o aniversário de um feito
inédito da ciência brasileira: o vôo do
14 Bis, o avião criado por Santos Dumont. O quase esquecimento
da data é sintomático. Ainda hoje, os inventores
brasileiros são pouco valorizados e tratados por muitos
como caricaturas do professor Pardal, aquele personagem da
Disney que criava geringonças sem qualquer utilidade.
No mundo real, essa despreocupação com as novidades
tecnológicas tem reflexos bastante concretos e nem
um pouco engraçados. Hoje, o país apresenta
desempenho pífio na área de inovação.
As empresas locais enfrentam dificuldades para competir com
as multinacionais e a economia segue refém das exportações
de commodities agrícolas.
É fácil verificar o tamanho do atraso. Basta
analisar os dados do USPTO (United States Patent and Trade
Mark Office), versão norte-americana do Instituto Nacional
de Propriedade Industrial (INPI). Como chega a ser covardia
comparar o desempenho brasileiro com o dos líderes
da lista – Estados Unidos, Japão e Alemanha –,
vale a pena confrontar os dados nacionais com os da Coréia
do Sul. Afinal, há pouco mais de duas décadas,
o Brasil superava os coreanos em registros anuais no USPTO.
De lá para cá, a situação mudou.
Impulsionados por uma política agressiva de estímulo
à pesquisa, já em 2000 os coreanos registraram
34 vezes mais patentes do que os brasileiros nos Estados Unidos.
Pior: enquanto o número de registros coreanos dobra
a cada quatro anos, o volume de pedidos brasileiros segue
estável. Gira em torno das 100 solicitações
anuais, volume que garante ao país a 28a colocação
do ranking de registros de patentes nos Estados Unidos –
atrás não só das grandes economias, mas
também de nações emergentes como China,
Índia, África do Sul e Cingapura. Não
é por acaso, portanto, que os brasileiros se empolguem
tão pouco no levantamento sobre competitividade feito
pelo Fórum Econômico Mundial. No item inovação
tecnológica, o Brasil ocupa a modestíssima 42ª
posição da lista.
A aridez criativa causa sérias perdas para as companhias
do país. “Inovar em produtos e processos é
fundamental para aumentar a competitividade das empresas”,
diz o presidente do recém-criado Movimento Catarinense
para a Excelência (MCE), Ernesto Heinzelmann. “Sem
isso, fica bastante complicado concorrer globalmente”,
completa o executivo, que também preside a Embraco.
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| Laboratório da Embraco: do
Brasil à China, uma legião de 400 pesquisadores |
A conta do prejuízo não fica só para
as empresas. O país todo perde. Ao se verem obrigadas
a importar máquinas e equipamentos, as companhias contribuem
para engrossar uma sangria de divisas que, só no ano
passado, custou mais de US$ 1 bilhão ao Brasil. E ao
que tudo indica em 2004 a despesa com royalties será
maior.
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