| Romeu
de Bruns Neto

É praticamente impossível
passar pela área industrial de Araucária,
na Região Metropolitana de Curitiba, sem
notar as tochas da Refinaria Presidente Getúlio
Vargas (Repar). Afinal, com mais de 100 metros
de altura, brilham como novas, depois que um batalhão
de 6 mil operários implementou a maior
parada de manutenção, desde que
a unidade de refino da Petrobras foi fundada,
no Paraná, há 27 anos (ver quadro
“Repar vira modelo”).
Mas toda essa faxina ainda é
pouco diante do que vem por aí. A Petrobras
anunciou que vai investir US$ 1 bilhão
na unidade, nos próximos anos, para, em
2010, ter no Paraná uma refinaria de padrão
mundial. Uma notícia e tanto para uma empresa
que já representa um quarto do PIB industrial
paranaense e 7% do PIB total do Estado. Sérgio
Czelusniak, gerente de investimentos da Repar,
explica que a estratégia tem dois objetivos:
diversificar a oferta e adequar a produção
ao rigor das normas ambientais, principalmente
em relação à gasolina.
Para produzir diesel mais limpo,
as modificações já foram
implantadas, com a inauguração,
em janeiro, da unidade de hidrodessulforização,
ao custo de US$ 150 milhões e com capacidade
para processar 5 mil metros cúbicos por
dia. Novos equipamentos retiram do óleo
diesel o enxofre, o principal poluente dos combustíveis.
O procedimento atende a normas ambientais que
entrarão em vigor só em 2006. “Nos
antecipamos e já estamos fornecendo diesel
com taxas de enxofre inferiores às especificações
atuais”, festeja o gerente.
Gasolina e diesel são os
principais produtos da Repar, respondendo juntos
por cerca de 80% do faturamento – o Paraná,
por sinal, é grande consumidor de diesel,
devido ao peso do agronegócio na economia
estadual. Mas, em 2010, essa participação
deverá ser menor. Um capítulo importante
nos planos da empresa é a diversificação.
Com a diminuição das importações,
cada vez mais as refinarias processam petróleo
pesado, característica principal do produto
extraído da Bacia de Campos (RJ), de onde
procede a maior parte da ma-téria-prima.
Petróleos mais pesados geram produtos mais
pesados, como é o caso do coque, combustível
sólido de larga utilização
na indústria siderúrgica e cimenteira,
um novo filão para a Repar. “O coque
é um forte gerador de riqueza”, garante
Czelusniak, que ainda não sabe precisar
de quanto será o incremento no faturamento.
“Refinarias que trabalham com esse produto
são mais competitivas.”
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| Faxina geral: depois
da parada técnica, investimento em
tecnologia e diversificação |
Além de uma nova unidade
para produção de coque, o investimento
vai permitir à refinaria ingressar na fabricação
de solvente e propeno, produtos utilizados pela
indústria petroquímica para fabricar
plásticos e espumas. Por fim, o setor de
destilação, onde é processada
a primeira parte do refino, será ampliado
em 10%, aumentando a capacidade instalada de 189
mil barris por dia.
Classificada de médio porte
na escala de avaliação da Petrobras,
a Repar se destaca por seus resultados operacionais.
Em julho, obteve o primeiro lugar na avaliação
da estatal no quesito produção.
Além disso, obteve avaliações
positivas de organismos internacionais como o
KBC (na área de refino) e o Independent
Project Analysis e Project Management Institute
(no gerenciamento de projetos), o que a coloca
entre as melhores do setor da América Latina.
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