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      Edição 203 - Setembro de 2004
 

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A Petrobras vai investir US$ 1 bilhão para transformar a paranaense Repar em uma refinaria de padrão internacional – e afinada com o meio ambiente

Romeu de Bruns Neto

É praticamente impossível passar pela área industrial de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, sem notar as tochas da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). Afinal, com mais de 100 metros de altura, brilham como novas, depois que um batalhão de 6 mil operários implementou a maior parada de manutenção, desde que a unidade de refino da Petrobras foi fundada, no Paraná, há 27 anos (ver quadro “Repar vira modelo”).

Mas toda essa faxina ainda é pouco diante do que vem por aí. A Petrobras anunciou que vai investir US$ 1 bilhão na unidade, nos próximos anos, para, em 2010, ter no Paraná uma refinaria de padrão mundial. Uma notícia e tanto para uma empresa que já representa um quarto do PIB industrial paranaense e 7% do PIB total do Estado. Sérgio Czelusniak, gerente de investimentos da Repar, explica que a estratégia tem dois objetivos: diversificar a oferta e adequar a produção ao rigor das normas ambientais, principalmente em relação à gasolina.

Para produzir diesel mais limpo, as modificações já foram implantadas, com a inauguração, em janeiro, da unidade de hidrodessulforização, ao custo de US$ 150 milhões e com capacidade para processar 5 mil metros cúbicos por dia. Novos equipamentos retiram do óleo diesel o enxofre, o principal poluente dos combustíveis. O procedimento atende a normas ambientais que entrarão em vigor só em 2006. “Nos antecipamos e já estamos fornecendo diesel com taxas de enxofre inferiores às especificações atuais”, festeja o gerente.

Gasolina e diesel são os principais produtos da Repar, respondendo juntos por cerca de 80% do faturamento – o Paraná, por sinal, é grande consumidor de diesel, devido ao peso do agronegócio na economia estadual. Mas, em 2010, essa participação deverá ser menor. Um capítulo importante nos planos da empresa é a diversificação. Com a diminuição das importações, cada vez mais as refinarias processam petróleo pesado, característica principal do produto extraído da Bacia de Campos (RJ), de onde procede a maior parte da ma-téria-prima. Petróleos mais pesados geram produtos mais pesados, como é o caso do coque, combustível sólido de larga utilização na indústria siderúrgica e cimenteira, um novo filão para a Repar. “O coque é um forte gerador de riqueza”, garante Czelusniak, que ainda não sabe precisar de quanto será o incremento no faturamento. “Refinarias que trabalham com esse produto são mais competitivas.”

Faxina geral: depois da parada técnica, investimento em tecnologia e diversificação

Além de uma nova unidade para produção de coque, o investimento vai permitir à refinaria ingressar na fabricação de solvente e propeno, produtos utilizados pela indústria petroquímica para fabricar plásticos e espumas. Por fim, o setor de destilação, onde é processada a primeira parte do refino, será ampliado em 10%, aumentando a capacidade instalada de 189 mil barris por dia.

Classificada de médio porte na escala de avaliação da Petrobras, a Repar se destaca por seus resultados operacionais. Em julho, obteve o primeiro lugar na avaliação da estatal no quesito produção. Além disso, obteve avaliações positivas de organismos internacionais como o KBC (na área de refino) e o Independent Project Analysis e Project Management Institute (no gerenciamento de projetos), o que a coloca entre as melhores do setor da América Latina.

 

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