| Felipe
Polydoro

Foi assim a descoberta e posterior
colonização da América: na
frente, rumaram os desbravadores, corajosos e
brutos, alheios ao que encontrariam. Só
depois, quando o terreno já parecia menos
inóspito, e os índios, menos hostis,
os “homens comuns” da Península
Ibérica embarcaram nas caravelas para começar
a colonização. O desembarque das
empresas portuguesas e espanholas no mercado brasileiro
segue lógica parecida. A partir da metade
dos anos 90, grandes companhias ibéricas
passaram a investir maciçamente no Brasil,
atraídas pelos processos de privatização
de setores como o de telecomunicações,
o energético, o financeiro e o de petróleo.
Como depois ficou provado, aquele movimento foi
rumo ao desconhecido: elas não imaginavam
que se deparariam com um mercado tão complexo.
Hoje, o mercado brasileiro deixou
de ser uma terra de selvagens aos olhos ibéricos.
Está claro que as gigantes da península
funcionaram tal qual desbravadores. Abriram o
caminho para as médias e pequenas empresas
de Portugal e da Espanha, as protagonistas da
segunda onda de investimentos, que ainda se encontra
no nascedouro. “As grandes companhias que
queriam vir já vieram”, defende Vicente
Manito, presidente da Câmara Espanhola de
Comércio no Brasil. “Agora, é
hora de as pequenas e médias investirem”,
completa, avisando que, em breve, a câmara
lançará um serviço especial
para as pequenas espanholas interessadas em apostar
no Brasil.
A primeira onda durou até
o final da década de 90 e teve seu ápice
em 2000, quando o Brasil recebeu um total de US$
32 bilhões de investimentos diretos do
exterior. A sucessão de crises a partir
de 2001 e a sensação de incerteza
em torno da eleição presidencial
reduziram a pilha de dinheiro enviada da península
para o Brasil. O novo boom deve principiar agora,
em 2004 – caso a recuperação
econômica do país se confirme.
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Lula
e Aznar (ex-primeiro-ministro da Espanha):
em busca de negócios, Brasil afina
discurso
com os ibéricos |
Esse segundo movimento apresenta
diferenças marcantes em relação
ao primeiro. A começar pelas cifras envolvidas,
bastante inferiores se comparadas à gastança
da época das privatizações.
Em três anos, de 1998 a 2000, as companhias
espanholas investiram um total de US$ 20 bilhões
no Brasil. As portuguesas, US$ 7 bilhões.
“Temos de ser realistas: os patamares não
serão os mesmos”, admite Luiz Gonzáles
de Andrada, coordenador do Centro de Promoção
de Investimentos para a Iberoamérica da
Confederação das Organizações
Empresariais da Espanha (CEOE, na sigla em espanhol).
A previsão de Andrada é de que o
investimento espanhol no Brasil ficará
na casa dos US$ 3 bilhões ao ano daqui
em diante. Parte disso virá do dispêndio
das pequenas e médias, parte serão
aportes das grandes nas suas operações
brasileiras (veja os planos de algumas das
principais companhias ibéricas para o Brasil
nas próximas páginas).
Além de terem muito menos
dinheiro para gastar, as empresas menores tendem
a buscar soluções mais econômicas
na hora de investir no exterior. Uma das alternativas
das ibéricas que apostam no Brasil é
se associar a companhias locais. É o que
pretende a Polimaia, firma média portuguesa
com planos ambiciosos para o Brasil. Dona de quatro
lojas de cosméticos de luxo em Portugal,
a companhia está articulando uma parceria
com quatro empresários brasileiros para
lançar um sistema de franquias. Detalhe:
no mercado europeu, a companhia não atua
no varejo, apenas distribui produtos. O franchising
seria uma opção exclusivamente brasileira.
A meta é inaugurar 30 franquias até
2010 – outras 20 lojas devem ser abertas
com recursos próprios.
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