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      Edição 198 - Maio de 2004
 

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Começa uma nova onda de investimentos dos países ibéricos no Brasil. Com uma diferença: desta vez, as protagonistas são as pequenas e médias empresas


Felipe Polydoro

Foi assim a descoberta e posterior colonização da América: na frente, rumaram os desbravadores, corajosos e brutos, alheios ao que encontrariam. Só depois, quando o terreno já parecia menos inóspito, e os índios, menos hostis, os “homens comuns” da Península Ibérica embarcaram nas caravelas para começar a colonização. O desembarque das empresas portuguesas e espanholas no mercado brasileiro segue lógica parecida. A partir da metade dos anos 90, grandes companhias ibéricas passaram a investir maciçamente no Brasil, atraídas pelos processos de privatização de setores como o de telecomunicações, o energético, o financeiro e o de petróleo. Como depois ficou provado, aquele movimento foi rumo ao desconhecido: elas não imaginavam que se deparariam com um mercado tão complexo.

Hoje, o mercado brasileiro deixou de ser uma terra de selvagens aos olhos ibéricos. Está claro que as gigantes da península funcionaram tal qual desbravadores. Abriram o caminho para as médias e pequenas empresas de Portugal e da Espanha, as protagonistas da segunda onda de investimentos, que ainda se encontra no nascedouro. “As grandes companhias que queriam vir já vieram”, defende Vicente Manito, presidente da Câmara Espanhola de Comércio no Brasil. “Agora, é hora de as pequenas e médias investirem”, completa, avisando que, em breve, a câmara lançará um serviço especial para as pequenas espanholas interessadas em apostar no Brasil.

A primeira onda durou até o final da década de 90 e teve seu ápice em 2000, quando o Brasil recebeu um total de US$ 32 bilhões de investimentos diretos do exterior. A sucessão de crises a partir de 2001 e a sensação de incerteza em torno da eleição presidencial reduziram a pilha de dinheiro enviada da península para o Brasil. O novo boom deve principiar agora, em 2004 – caso a recuperação econômica do país se confirme.

Lula e Aznar (ex-primeiro-ministro da Espanha):
em busca de negócios, Brasil afina discurso
com os ibéricos

Esse segundo movimento apresenta diferenças marcantes em relação ao primeiro. A começar pelas cifras envolvidas, bastante inferiores se comparadas à gastança da época das privatizações. Em três anos, de 1998 a 2000, as companhias espanholas investiram um total de US$ 20 bilhões no Brasil. As portuguesas, US$ 7 bilhões. “Temos de ser realistas: os patamares não serão os mesmos”, admite Luiz Gonzáles de Andrada, coordenador do Centro de Promoção de Investimentos para a Iberoamérica da Confederação das Organizações Empresariais da Espanha (CEOE, na sigla em espanhol). A previsão de Andrada é de que o investimento espanhol no Brasil ficará na casa dos US$ 3 bilhões ao ano daqui em diante. Parte disso virá do dispêndio das pequenas e médias, parte serão aportes das grandes nas suas operações brasileiras (veja os planos de algumas das principais companhias ibéricas para o Brasil nas próximas páginas).

Além de terem muito menos dinheiro para gastar, as empresas menores tendem a buscar soluções mais econômicas na hora de investir no exterior. Uma das alternativas das ibéricas que apostam no Brasil é se associar a companhias locais. É o que pretende a Polimaia, firma média portuguesa com planos ambiciosos para o Brasil. Dona de quatro lojas de cosméticos de luxo em Portugal, a companhia está articulando uma parceria com quatro empresários brasileiros para lançar um sistema de franquias. Detalhe: no mercado europeu, a companhia não atua no varejo, apenas distribui produtos. O franchising seria uma opção exclusivamente brasileira. A meta é inaugurar 30 franquias até 2010 – outras 20 lojas devem ser abertas com recursos próprios.

 

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