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      Edição 196 - Março de 2004
 

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Veja a lista das 20 grandes empresas exportadoras
da Região Sul do país, responsável por 40% do superávit da balança comercial brasileira no ano passado


Paulo César Teixeira

O ano de 2003 foi repleto de boas novas para as exportações brasileiras. O saldo da balança comercial praticamente dobrou ao alcançar o superávit de US$ 24,8 bilhões, ante US$ 13,1 bilhões no ano anterior. As vendas externas somaram US$ 73 bilhões – um crescimento de 21,1%. Mais: 19 dos 27 Estados registraram recordes nos negócios com o exterior. E 17 deles turbinaram suas exportações a taxas superiores à média nacional.

As empresas da Região Sul do país contribuíram, e muito, para engordar o saldo da balança comercial. Elas foram responsáveis por cerca de 40% do superávit brasileiro. Com base nos dados fornecidos pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelas próprias companhias, AMANHÃ chegou à lista das 20 principais exportadoras da região. A líder é a Bunge do Brasil, que exportou US$ 646,3 bilhões no ano passado, através do portos do Sul. No total das exportações brasileiras, a companhia com sede em Gaspar (SC) e unidades nos três Estados do Sul, tem participação de 2,6%, firmando-se como a quarta maior exportadora no ranking nacional.

Embarque de soja no porto de Paranaguá (PR): desempenho do agronegócio alavancou as exportações em 2003

 

Dona das marcas Delícia, Mila, Soya e Primor, a Bunge lidera no Brasil o mercado de margarinas, óleos e gorduras vegetais, assim como de farinhas industriais e pré-misturas para panificação. É a maior processadora mundial de oleaginosas, além de ser a primeira da América Latina na industrialização de soja e trigo e na produção de fertilizantes. “Em 2003, a performance do agronegócio, especialmente no caso da soja, foi determinante para o desempenho de nossas vendas externas”, afirma o diretor de comunicação da Bunge, Adalgiso Telles. A safra recorde de grãos (123 milhões de toneladas) forneceu a munição necessária para a ofensiva da companhia no comércio mundial.

Com a ajuda de São Pedro – Como se não bastasse, as exportações brasileiras contaram com a sorte, ou melhor, com a ajuda de São Pedro. Enquanto o clima foi camarada por aqui, o excesso de chuvas provocou a quebra da safra dos Estados Unidos, que deixaram de produzir 12 milhões de toneladas de soja no ano passado. Os relâmpagos causaram nervosismo na Bolsa de Chicago, onde a cotação do produto, em poucos meses, pulou de US$ 11 para US$ 15. “Em 2003, o Brasil desbancou os Estados Unidos como o maior exportador de soja do mundo. Tudo leva a crer que, em quatro ou cinco anos, o país produzirá mais do que os norte-americanos”, prevê Telles.

A ampliação das vendas em mercados que não são considerados tradicionais também colaborou para a decolagem da Bunge. Nos últimos dois anos, a empresa robusteceu em 20% os negócios com os países asiáticos, principalmente China e Índia. “A soja e seus derivados integram a cesta de produtos básicos. Para um país com 1,3 bilhão de consumidores, como a China, importar soja é fundamental”, observa o diretor da Bunge. A expectativa é a de que, em 2004, as exportações da empresa cresçam outros 20%.


 

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