| Paulo
César Teixeira

O ano de 2003 foi repleto de boas
novas para as exportações brasileiras.
O saldo da balança comercial praticamente
dobrou ao alcançar o superávit de
US$ 24,8 bilhões, ante US$ 13,1 bilhões
no ano anterior. As vendas externas somaram US$
73 bilhões – um crescimento de 21,1%.
Mais: 19 dos 27 Estados registraram recordes nos
negócios com o exterior. E 17 deles turbinaram
suas exportações a taxas superiores
à média nacional.
As empresas da Região Sul
do país contribuíram, e muito, para
engordar o saldo da balança comercial.
Elas foram responsáveis por cerca de 40%
do superávit brasileiro. Com base nos dados
fornecidos pelo Ministério de Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior e
pelas próprias companhias, AMANHÃ
chegou à lista das 20 principais exportadoras
da região. A líder é a Bunge
do Brasil, que exportou US$ 646,3 bilhões
no ano passado, através do portos do Sul.
No total das exportações brasileiras,
a companhia com sede em Gaspar (SC) e unidades
nos três Estados do Sul, tem participação
de 2,6%, firmando-se como a quarta maior exportadora
no ranking nacional.
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| Embarque
de soja no porto de Paranaguá (PR):
desempenho do agronegócio alavancou
as exportações em 2003 |
Dona das marcas Delícia,
Mila, Soya e Primor, a Bunge lidera no Brasil
o mercado de margarinas, óleos e gorduras
vegetais, assim como de farinhas industriais e
pré-misturas para panificação.
É a maior processadora mundial de oleaginosas,
além de ser a primeira da América
Latina na industrialização de soja
e trigo e na produção de fertilizantes.
“Em 2003, a performance do agronegócio,
especialmente no caso da soja, foi determinante
para o desempenho de nossas vendas externas”,
afirma o diretor de comunicação
da Bunge, Adalgiso Telles. A safra recorde de
grãos (123 milhões de toneladas)
forneceu a munição necessária
para a ofensiva da companhia no comércio
mundial.
Com a ajuda de São Pedro
– Como se não bastasse, as exportações
brasileiras contaram com a sorte, ou melhor, com
a ajuda de São Pedro. Enquanto o clima
foi camarada por aqui, o excesso de chuvas provocou
a quebra da safra dos Estados Unidos, que deixaram
de produzir 12 milhões de toneladas de
soja no ano passado. Os relâmpagos causaram
nervosismo na Bolsa de Chicago, onde a cotação
do produto, em poucos meses, pulou de US$ 11 para
US$ 15. “Em 2003, o Brasil desbancou os
Estados Unidos como o maior exportador de soja
do mundo. Tudo leva a crer que, em quatro ou cinco
anos, o país produzirá mais do que
os norte-americanos”, prevê Telles.
A ampliação das vendas em mercados
que não são considerados tradicionais
também colaborou para a decolagem da Bunge.
Nos últimos dois anos, a empresa robusteceu
em 20% os negócios com os países
asiáticos, principalmente China e Índia.
“A soja e seus derivados integram a cesta
de produtos básicos. Para um país
com 1,3 bilhão de consumidores, como a
China, importar soja é fundamental”,
observa o diretor da Bunge. A expectativa é
a de que, em 2004, as exportações
da empresa cresçam outros 20%.
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