| Andreas
Müller
| Uma das mais bem-sucedidas fabricantes de
softwares de gestão do país,
a catarinense Logocenter quase trocou de nome
há cerca de dois anos. A idéia
era rebatizá-la como “Logix”,
nome de sua principal marca – e que,
na época, era bem mais famosa do que
a própria Logocenter. “Tínhamos
Logix ERP, Logix CRM, Logix BI... Muitos clientes
pensavam que nossa empresa se chamava Logix”,
lembra Álvaro Junckes, presidente da
companhia. A mudança de nome, porém,
não vingou. Ao contrário: foi
justamente aí que os executivos resolveram
investir para valer na grife Logocenter. “Começamos
a dar uma ênfase maior a ela. Os nomes
dos produtos ainda são fortes e aparecem
nos anúncios, é claro. Mas aos
poucos eles vão diminuindo, enquanto
a marca da empresa é realçada”,
confessa Junckes. |
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A Logocenter é parte de um seleto grupo
de companhias que, em matéria de marketing,
têm adotado um posicionamento pouco comum
no Brasil: o de reforçar a marca empresarial
em vez de apostar tudo na propaganda de seus produtos.
Por enquanto, essa nova postura é mais
visível naqueles setores cujas vendas estão
umbilicalmente ligadas ao desempenho do varejo,
como o de alimentos, higiene, bebidas, cigarros
etc. Por exemplo: há pouco tempo, a gaúcha
Vonpar – distribuidora da Coca-Cola no Rio
Grande do Sul e em Santa Catarina – mandou
estampar seu próprio logotipo nos caminhões
que transportam a bebida para ambos os Estados.
De quebra, retirou dos veículos o famoso
(e mais conhecido) logo da Coca-Cola. Já
a Nestlé lançou uma campanha institucional
na mídia, com peças publicitárias
que mostravam os produtos e associavam a empresa
a valores sociais e ambientais. E há ainda
o caso da Unilever, que fabrica desde sucos até
sabão em pó. A multinacional tem
realizado campanhas cujo objetivo é, literalmente,
mostrar a cara aos consumidores. Um dos anúncios
elenca as marcas mais famosas comercializadas
pela companhia no Brasil – Omo, Hellmann’s,
Kibon, Dove e outras – e lança
uma provocação simpática:
“Vive na sua casa, mas você não
sabe o nome? Muito prazer: Unilever”.
Há um novo patamar na briga das empresas
pelo mercado”, analisa Jaime Troiano, diretor
da Troiano Consultoria. “Antes, as grandes
disputas pelo consumidor se davam entre as marcas
de produto. Agora, elas acontecem também
entre as marcas corporativas”, explica.
Trata-se de uma mudança estratégica.
Faz tempo que as empresas vêm buscando ferramentas
mais eficientes para aumentar o valor percebido
de suas mercadorias. Muitas delas começam
a aproveitar o prestígio de suas próprias
grifes empresariais para despertar essa percepção.
“As organizações sempre acreditaram
que seu produto era o foco da comercialização.
A única preocupação era com
a quantidade de vendas. Isso mudou”, diagnostica
Carlos Mussi, coordenador do curso de especialização
em Marketing da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC). Segundo ele, valores do mundo
empresarial como ética, responsabilidade
social e respeito ao meio ambiente agora fazem
parte da escala de valores dos consumidores. Daí
a importância de as marcas refletirem, também,
as qualidades das empresas que existem por trás
delas. “Tornou-se importante que a memorização
do consumidor se dê não apenas sobre
os produtos, mas sobre a origem deles”,
garante Mussi.
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Anúncio
institucional da Unilever: apresentação
ao consumidor |
Guerra do varejo - Há
um outro fator que ajuda a explicar essa mudança.
É a incrível aceitação
que as chamadas “marcas próprias”,
criadas pelo varejo, adquiriram entre as classes
mais populares nos últimos anos. Um exemplo
é o Carrefour, que comercializa detergentes
de sua própria grife, ou o Sonae, que adota
a mesma estratégia para vender arroz e
outros alimentos. Não há como negar:
ágeis e com escala para praticar preços
agressivos, as redes varejistas criaram uma relação
muito mais profunda com o consumidor do que as
marcas tradicionais.“O discurso das indústrias
sempre foi algo do tipo ‘se você não
encontrar o nosso açúcar no supermercado,
troque de supermercado’. Mas a verdade é
que as pessoas trocam de açúcar.
Ninguém mais consegue superar a força
do varejo”, conta o publicitário
Stalimir Vieira. Prova dessa força são
os investimentos em marketing nos pontos-de-venda,
que já absorvem 25% de toda a verba destinada
a publicidade e propaganda no Brasil, conforme
dados do Point-of-Purchase Advertising Institute
(Popai), organismo internacional que estuda o
assunto. E ao que tudo indica essa proporção
tende a aumentar. Segundo o Popai, 45% das vendas
da indústria brasileira se concentram,
hoje, no grande varejo – os outros 55% são
escoados através de pequenos e médios
estabelecimentos comerciais. “As grandes
redes de lojas estão tomando o lugar
da própria mídia como elemento de
difusão de marca”, diagnostica Vieira.
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