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      Edição 196 - Março de 2004
 

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Um dos mais respeitados cardiologistas do país, Fernando Lucchese revela como se transformou em um consultor de saúde e de corporações e ainda consegue tempo para escrever best sellers

Tatiana Csordas

Fernando Lucchese, 56 anos, é uma empresa – e muito bem- sucedida. Como cardiologista, coordena mais de 1.300 cirurgias por ano. E é reconhecido pela precisão de suas mãos. Pelo seu consultório, passam executivos das mais importantes corporações do Rio Grande do Sul. Dessa forma, acaba sabendo dos bastidores da vida corporativa – e participando de decisões fundamentais que alteram o rumo de empresas e empresários. Como escritor, tornou-se best seller. Escreveu seis livros, entre eles Pílulas para Viver Melhor, que vendeu 150 mil exemplares. Arranja ainda tempo para gravar um programa de rádio, com o padre Marcelo Rossi sobre saúde e religião, que é retransmitido para 130 emissoras do país. Nesta entrevista, Lucchese teve a idéia de mais um livro e admitiu que o escritor também precisa dos conselhos do médico.

O que levou o senhor, um cardiologista renomado, a escrever livros?
Eu quis complementar minha atividade médica. Descobri que eu posso salvar mais gente com programas de televisão, de rádio e com livros do que no meu consultório.

O senhor, com certeza, ganha dinheiro com isso também...
Evidentemente. Depois do primeiro livro, eu passei a levar a sério. O primeiro eu queria que fosse de apoio para minha atividade de médico, para dar para os pacientes. Mas depois, quando começou a vender, eu me dei conta de que também tinha um negócio na mão.

E esses negócios extraconsultório, como os livros e as palestras, rendem mais que o consultório?
Não, não (risos). Quando alguém chega e me diz que eu vou virar escritor, respondo: “Não me deseje mal”. Minha primeira atividade é a cirurgia; a segunda, a clínica; a terceira, a atividade de professor. E a quarta abrange coisas, como televisão, rádio, jornal e livros. Não ganho nada com a maioria delas, mas faço bastante divulgação para complementar minha atividade de médico.

E isso leva mais pacientes para o seu consultório?
Todo dia aparece alguém com um livro. Mas o maior público vem da informação de paciente para paciente. Meus livros são muito baratos. A maioria custa cerca de R$ 10. E recebo 10% a 12% de participação na comercialização. Para fazer dinheiro, eu teria de vender 1 milhão de livros.

O senhor é uma holding? É médico, coordena uma rede de médicos, é escritor, conferencista... Como faz para administrar essa empresa chamada Fernando Luchese?
Ela tem todas as características de uma empresa comum: contabilidade, funcionários, business plan, programa de qualidade. E nós gerenciamos nossas atividades do dia-a-dia, usando as regras da qualidade total.

Sua carreira também segue essas regras?
Eu faço isso para minha carreira e para tudo. Tenho planos para os próximos cinco, 10 e 15 anos. Eu sei exatamente o que eu estarei fazendo daqui a 15 anos – mas é claro que posso morrer neste período.

E o que o senhor vai estar fazendo daqui a 15 anos?
É segredo total. Esse é um dos segredos da empresa: não se conta. Eu sei o dia em que vou sair de dentro da sala de cirurgia, vou me despedir de todos os meus colegas e dizer: “Essa foi a minha última cirurgia”.

E isso vai acontecer...
Só Deus sabe. (risos)

E depois que parar de operar?
É uma coisa que também está planejada, mas eu posso abrir um pouquinho esse véu. Posso escrever romances. Mas quem sou para competir como Moacyr Scliar, que fez uma carreira como escritor e médico?

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