| Fernando Lucchese, 56 anos,
é uma empresa – e muito bem- sucedida.
Como cardiologista, coordena mais de 1.300 cirurgias
por ano. E é reconhecido pela precisão
de suas mãos. Pelo seu consultório,
passam executivos das mais importantes corporações
do Rio Grande do Sul. Dessa forma, acaba sabendo
dos bastidores da vida corporativa – e participando
de decisões fundamentais que alteram o
rumo de empresas e empresários. Como escritor,
tornou-se best seller. Escreveu seis livros, entre
eles Pílulas para Viver Melhor,
que vendeu 150 mil exemplares. Arranja ainda tempo
para gravar um programa de rádio, com o
padre Marcelo Rossi sobre saúde e religião,
que é retransmitido para 130 emissoras
do país. Nesta entrevista, Lucchese teve
a idéia de mais um livro e admitiu que
o escritor também precisa dos conselhos
do médico.
O que levou o senhor, um cardiologista
renomado, a escrever livros?
Eu quis complementar minha atividade médica.
Descobri que eu posso salvar mais gente com programas
de televisão, de rádio e com livros
do que no meu consultório.
O senhor, com certeza, ganha dinheiro
com isso também...
Evidentemente. Depois do primeiro livro, eu passei
a levar a sério. O primeiro eu queria que
fosse de apoio para minha atividade de médico,
para dar para os pacientes. Mas depois, quando
começou a vender, eu me dei conta de que
também tinha um negócio na mão.
E esses negócios extraconsultório,
como os livros e as palestras, rendem mais que
o consultório?
Não, não (risos). Quando alguém
chega e me diz que eu vou virar escritor, respondo:
“Não me deseje mal”. Minha
primeira atividade é a cirurgia; a segunda,
a clínica; a terceira, a atividade de professor.
E a quarta abrange coisas, como televisão,
rádio, jornal e livros. Não ganho
nada com a maioria delas, mas faço bastante
divulgação para complementar minha
atividade de médico.
E isso leva mais pacientes para o seu
consultório?
Todo dia aparece alguém com um livro. Mas
o maior público vem da informação
de paciente para paciente. Meus livros são
muito baratos. A maioria custa cerca de R$ 10.
E recebo 10% a 12% de participação
na comercialização. Para fazer dinheiro,
eu teria de vender 1 milhão de livros.
O senhor é uma holding?
É médico, coordena uma rede de médicos,
é escritor, conferencista... Como faz para
administrar essa empresa chamada Fernando Luchese?
Ela tem todas as características de uma
empresa comum: contabilidade, funcionários,
business plan, programa de qualidade.
E nós gerenciamos nossas atividades do
dia-a-dia, usando as regras da qualidade total.
Sua carreira também segue essas
regras?
Eu faço isso para minha carreira e para
tudo. Tenho planos para os próximos cinco,
10 e 15 anos. Eu sei exatamente o que eu estarei
fazendo daqui a 15 anos – mas é claro
que posso morrer neste período.
E o que o senhor vai estar fazendo daqui
a 15 anos?
É segredo total. Esse é um dos segredos
da empresa: não se conta. Eu sei o dia
em que vou sair de dentro da sala de cirurgia,
vou me despedir de todos os meus colegas e dizer:
“Essa foi a minha última cirurgia”.
E isso vai acontecer...
Só Deus sabe. (risos)
E depois que parar de operar?
É uma coisa que também está
planejada, mas eu posso abrir um pouquinho esse
véu. Posso escrever romances. Mas quem
sou para competir como Moacyr Scliar, que fez
uma carreira como escritor e médico?
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