| Tatiana
Csordas e Rogério
Kiefer

Ainda que as projeções
de expansão do PIB estejam bastante aquém
do “espetáculo do crescimento”
anunciado pelo presidente da República,
a economia gaúcha dá sinais de recuperação
do otimismo. Um pacote de investimentos capitaneado
pela indústria aponta para um cenário
animador a partir de 2004. Os projetos já
confirmados totalizam quase R$ 10 bilhões.
E devem gerar cerca de 13 mil postos de trabalho,
entre empregos diretos e indiretos. A nova unidade
da General Motors, que até o fechamento
desta edição ainda não estava
oficializada, soma outros R$ 720 milhões
a esse montante. E novos investimentos devem ser
anunciados. Quase R$ 14 bilhões estão
em negociação em mais de 90 projetos.
“É claro que nem todos devem ser
confirmados”, admite Luis Roberto Ponte,
secretário do Desenvolvimento e Assuntos
Internacionais (Sedai).
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| Investimento
turbinado: Refap aplica R$ 2,4 bilhões
para aumentar a produção na
perspectiva de uma reação do
mercado |
O mais vistoso dos empreendimentos
é bancado pela Petrobras, que até
2007 está mobilizando quase R$ 50 bilhões
em projetos espalhados pelo país. O respingo
gaúcho chega a R$ 2,4 bilhões e
dá novo fôlego para a Refinaria Alberto
Pasqualini (Refap), de Canoas, na Região
Metropolitana de Porto Alegre. Iniciado em 2001,
o projeto de expansão da unidade já
consumiu R$ 1,4 bilhão e deve absorver
outros R$ 920 milhões só este ano.
Quando tudo estiver pronto, no início de
2005, a empresa controlada pela Petrobras (70%)
e pela espanhola Repsol (30%) terá capacidade
de refino de 30 milhões de litros de petróleo
por dia – uma expansão de 50%. É
uma aposta no futuro. “A ampliação
foi projetada para que pudéssemos atender
a uma demanda maior do que a que existia quando
o projeto foi concebido. Em 2005, na arrancada,
teremos excedentes”, admite Hildo Henz,
presidente da Refap. Para dar vazão ao
maior volume que será produzido, a empresa
já pensa em exportar diesel e gasolina
e enviar parte dos combustíveis para São
Paulo, o maior mercado consumidor do país.
Outra saída é fortalecer o pólo
petroquímico gaúcho, com a maior
oferta de nafta – matéria-prima utilizada
pela indústria petroquímica para
a produção de eteno (veja a
reportagem “Músculos à
prova” nesta edição).
“Estamos negociando e podemos afirmar que
há várias empresas interessadas,
como a Braskem, a Ipiranga e a Polibrasil”,
revela Henz.
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