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      Edição 195 - Janeiro/Fevereiro de 2004
 

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O mercado religioso cristão movimenta bilhões,
cresce a uma taxa de 30% ao ano e desponta como referência de marketing para as empresas


Leandro Demori

O poder da fé não atrai somente fiéis. A inspiração divina faz sucesso também no mundo dos negócios. No Brasil, os faturamentos bilionários do comércio religioso são de fazer inveja a gigantes multinacionais. Estimativas apontam um total de R$ 8 bilhões por ano, movimentados apenas com a venda de artigos para católicos – 74% da população do país segundo o IBGE. A força do marketing celestial impressiona. Atentos, muitos profissionais estão descobrindo que podem aproveitar todo esse poder para promover, até mesmo, produtos que nada tenham a ver com os rituais sagrados.

No enorme mercado da grife “Jesus”, a diversidade de produtos impera. Tradicionais imagens de santos, terços e bíblias dividem a prateleira com artigos do catolicismo moderno: chaveiros, camisetas, chinelos, cadernos, CDs, filmes, relógios e até cartões de crédito são exemplos do que a força do marketing cristão é capaz de vender. Acredita-se que existam mais de 4 mil pontos-de-venda desses artigos no país.

Há mais de 30 anos dedicado ao comércio de imagens de santos, César Majewski, sócio-proprietário da loja Estrela do Oriente, no centro de Porto Alegre, lembra que o comércio já teve altos e baixos. “Mas nada se compara aos dias de hoje”, afirma. O católico praticante diz que, graças à popularização da Igreja (capitaneada por verdadeiras estrelas pop como o Padre Marcelo Rossi), as lembranças divinas caíram de vez nas graças dos fiéis – sobretudo dos jovens, antes, compradores pouco assíduos.

Desde que a juventude começou a se engajar aos cultos, as vendas de artigos religiosos não param de crescer – em média 30% ao ano, segundo organizadores das duas maiores feiras cristãs do país (leia quadro “É dia de feira”). Conforme André Ricardo Souza, que fez dissertação de mestrado na USP com o tema “Padres cantores, missas dançantes: a opção da Igreja Católica pelo espetáculo com mídia e marketing”, para conquistar esse filão as pesadas estruturas religiosas precisaram mudar, seguindo moldes de empresas do segmento teen. “Os sermões se tornaram mais curtos, superficiais e voltados ao indivíduo; o coletivo ficou em segundo plano”, garante. Para ele, as promessas de um paraíso terreno, e não celestial, é que andam fazendo sucesso.

Qualquer semelhança com as características da “geração Internet” (velocidade e busca do prazer imediato) não é mera coincidência. “Os padres pop conhecem técnicas de marketing, estudam comunicação e contratam especialistas para fazer tudo funcionar como o planejado”, revela. Nas paróquias modernas, explica Souza, todo o trabalho de comunicação é entregue a profissionais.
Para Antônio Kater Filho, é um claro sinal dos tempos. Teólogo com mestrado em Marketing, Kater se considera o apóstolo do “marketing católico” no Brasil – aliás, expressão criada por ele em 1993. Ele próprio admite que usa os “4Ps“ de Kotler (Produto, Praça, Preço e Promoção) para alavancar as vendas da Igreja. Segundo ele, a promoção da imagem da Igreja é positiva e necessária, e pode servir de exemplo às empresas que querem conquistar o cliente.

 Deus seja louvado  

No mundo todo, cerca de mil bíblias são vendidas por minuto

No Brasil, a vendagem recorde de mais de 32 milhões de CDs com trechos bíblicos deve render a Cid Moreira um registro no Guiness Book

Estrelado pelo padre Marcelo Rossi, o filme Maria, Mãe do Filho de Deus foi um dos campeões de bilheteria entre os filmes nacionais em 2003: 2,2 milhões de espectadores

O padre também vendeu mais de 6 milhões de discos em sua breve carreira como cantor

 


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