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A expectativa na última semana de novembro
era grande. O governo prometera anunciar naqueles
dias a sua aguardada política industrial,
instrumento deixado em desuso por pelo menos dez
anos no Palácio do Planalto. No dia 26
de novembro, o ministro Luiz Fernando Furlan divulgou
um documento com as diretrizes gerais do plano
os detalhes só virão a público
em março próximo. Lá está
escrito: uma das metas é elevar a participação
do comércio exterior no PIB do país
de 20%, hoje, para 35% em 2007, tendo como carro-chefe
o avanço nas exportações.
Trata-se de uma excelente notícia para
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Os três Estados do Sul carregam no seu DNA
a vocação exportadora. Os gaúchos
são a segunda unidade federativa que mais
vende para o exterior, perdendo apenas para São
Paulo. O Paraná aparece em quarto, e Santa
Catarina, em quinto. Ou seja, dos cinco Estados
que mais exportam no Brasil, três são
do Sul.
O costume de focar o mercado externo é
um dos fatores que deve levar as economias da
região a se expandirem em ritmo superior
à nacional. As exportações
brasileiras vêm inflando ano a ano e em
2004 não deve ser diferente. A melhoria
sincronizada nas economias mundiais abre espaço
para as exportações brasileiras
continuarem crescendo, acredita Gilmar Mendes
Lourenço, coordenador de análise
conjuntural do Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social (Ipardes). Lourenço
avisa, porém, que o Paraná deve
crescer apenas um pouco mais do que o Brasil.
O Ipardes prevê expansão de 4% no
Estado, ante 3,5% no país. A regra também
vale para gaúchos e catarinenses. A Federação
das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs)
prevê um incremento de 3,7% no PIB estadual,
levemente superior aos 3,4% antevistos para a
economia brasileira. Nos últimos anos,
as economias dos três Estados do Sul se
diversificaram, o que naturalmente as leva a acompanhar
mais de perto o desempenho de todo o país.
Se Rio Grande do Sul e Paraná dependessem
do agronegócio como em outros tempos, certamente
o avanço no PIB seria bem superior ao brasileiro
em tempos de sucessivos recordes no campo.
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| Fábrica
da GM, em Gravataí (RS): Sul mais acelerado
que o Brasil |
É claro que o setor agrícola continua
importante e será responsável
pela expansão econômica do Sul. Se
São Pedro ajudar, o Brasil vai colher mais
uma safra recorde no próximo ano: 125 milhões
de toneladas. No Sul, espera-se uma produção
de 8 milhões de toneladas de soja
foram 7,5 milhões em 2003. Além
disso, neste ano, os produtores esperaram mais
tempo para vender a soja, e os estoques estão
bem maiores que o normal. Calcula-se que, em todo
o Brasil, há quase 4 milhões de
toneladas de soja da safra 2003 descansando nos
armazéns, volume que vai engrossar as estatísticas
de exportação de 2004. Para completar,
a tendência é de que o preço
das commodities se mantenha alto em 2004.
A Organização das Cooperativas do
Estado do Paraná (Ocepar) prevê um
crescimento de pelo menos 20% no faturamento das
cooperativas no próximo ano. É
uma previsão conservadora. O aumento pode
ser bem maior, empolga-se Nelson Costa,
superintendente da Ocepar.
A má notícia para o agronegócio
foi o anúncio do governo russo de que vai
restringir ainda mais a entrada da carne de frango
e de suíno do Brasil. Em ambos os casos,
as vendas devem cair pelo menos 50%. A Rússia
é um dos maiores mercados para esses produtos
no caso da carne de porco, é o principal.
A medida atinge em cheio os três Estados
do Sul, que são grandes exportadores de
carne.
Afinidade Em todas as previsões
de expansão do PIB brasileiro, a indicação
é de um desempenho melhor da indústria
em relação ao setor de serviços.
Trata-se de mais um fator a impulsionar a economia
do Sul em ritmo mais acelerado do que o da economia
brasileira. Os três Estados principalmente
Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm
perfil industrial. E, como as fábricas
andaram devagar em 2003, o espaço para
recuperação é maior. Além
disso, as indústrias do Sul são
exportadoras por natureza (vide companhias como
Marcopolo, Weg, Embraco, Tramontina, Volkswagen).
Uma das nossas ênfases é justamente
estimular as exportações,
revela Rodrigo Loures, presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná
(Fiep).
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Cofres
vazios
Um pequeno exercício matemático
envolvendo o orçamento de Santa Catarina
mostra a parca margem de investimento público
dos Estados brasileiros. O gasto total catarinense
para o próximo ano está estimado
em R$ 5 bilhões. Tirando todas as
despesas, sobra apenas 1% para os investimentos.
Ou seja, parcos R$ 50 milhões. Nos
outros Estados do Sul, a situação
não é diferente. O governo
gaúcho começou janeiro com
a previsão de separar mais de R$
1 bilhão para investimentos. A crise
apertou e, no fim das contas, o dispêndio
cairá pela metade: R$ 550 milhões.
No Paraná, os investimentos previstos
para 2003 foram de R$ 747 milhões
praticamente o mesmo montante desembolsado
para pagar encargos da dívida do
Estado. Pior: no final do ano, o governo
paranaense cortou programas sociais para
tapar um rombo de R$ 1,4 bilhão.
A capacidade de investimento dos governos
está caindo e não vai melhorar
tão cedo, prevê o analista
Nelson Carneiro, da Global Invest, especialista
em contas públicas. a saída
parece ser mesmo as PPPs (Parcerias Público-Privadas).
Ciente disso, o governo gaúcho já
enviou para a Assembléia sua própria
proposta de PPP iniciativa que os
vizinhos do Sul ainda não tomaram.
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