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A rotina de Luis Fernando Verissimo não é muito
diferente daquela que os executivos enfrentam no batente corporativo.
Tal como um gerente, o escritor gaúcho também
se desdobra para honrar prazos de produção
no caso, de seus livros, roteiros e crônicas diárias.
E zela por um padrão de qualidade que, nos últimos
20 anos, assegura-lhe o título de escritor que mais
vende no Brasil. Verissimo esbanja, ainda, uma competência
cada vez mais valorizada no ambiente empresarial: a criatividade.
Diariamente, o autor lida com a tarefa de reinventar suas
próprias histórias, argumentos e personagens.
Ele próprio garante, porém, não utilizar
método nenhum para isso. O negócio é
começar o texto e ver o que acontece. Passando as primeiras
linhas, o resto vem. Apenas me preocupo em variar de assunto
e, em bom português, variar de approach,
revela a AMANHÃ, com a ironia habitual.
Historicamente, as empresas que buscam a criatividade tratam
seus funcionários como clones de Luis Fernando Verissimo
esperando que eles tenham idéias geniais apenas
por força do hábito ou por um talento inato.
Muitas dessas companhias oferecem prêmios em dinheiro
para os empregados que inventam algo inusitado ou lucrativo.
Os casos de sucesso, no entanto, costumam ser tão raros
quanto os bons escritores. E não é por acaso.
Estudos recentes mostram que as premiações são
insuficientes para manter as organizações na
era da inovação. Realizadas nos Estados Unidos
por instituições como a Harvard Business School,
essas pesquisas deixam um recado claro: foi-se o tempo em
que os gestores podiam esperar pelos lampejos criativos dos
funcionários. Hoje, é necessário treinar
as pessoas para que elas desenvolvam novas idéias todo
santo dia. O próprio modelo de gestão das empresas
tem de mudar, reservando espaços para que a criatividade
se torne um processo rotineiro e sistemático.
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| Hora da reunião: presidente
da Quattuor, Pinheiro montou um espaço de lazer
na empresa para estimular os insights dos funcionários |
Antigamente, acreditava-se que a criatividade era um dom:
ou você tinha, ou não tinha. Hoje, no entanto,
sabemos que todo o mundo tem um potencial que pode ser desenvolvido
por meio de treinamento e de estímulos adequados,
conta Victor Mirshawka Junior, autor do livro Gestão
Criativa (DVS Editora, 358 páginas). Para se ter
uma idéia, algumas universidades norte-americanas e
européias oferecem até aulas de criatividade
aplicada para seus alunos. No Brasil, a disciplina é
obrigatória em todos os cursos da Fundação
Armando Álvares Penteado (FAAP), de São Paulo
Mirshawka, aliás, é um dos professores.
Basicamente, os estudantes aprendem a utilizar estratégias
e modelos de pensamento alternativos que, juntos, podem levar
à inovação. As aulas de criatividade
não têm nada a ver com talento. É impossível
ensinar alguém a ser um grande músico,
avisa Mirshawka. Mas podemos treinar as pessoas para
que elas pensem diferente. Pedagogicamente, é quase
como ensiná-las a tocar violão, compara.
As técnicas de treinamento partem de uma premissa
bastante aceita pelos pesquisadores da mente humana: a de
que todas as pessoas nascem criativas, mas perdem essa habilidade
com o passar dos anos. Uma criança sempre está
disposta a experimentar tudo, inclusive aquilo que os pais
proíbem, exemplifica Sérgio Navega, diretor
e fundador da Intelliwise Research and Training, companhia
especializada em pesquisas e seminários sobre Inteligência
Artificial. Com o amadurecimento, explica ele, os filhos percebem
que as limitações impostas pelos pais servem
de proteção contra acidentes, machucados e outros
problemas. A descoberta, porém, costuma ser perversa
para a criatividade. Ainda que de forma inconsciente, os jovens
passam a sentir medo de desafiar o senso comum. Ainda mais
quando isso significa quebrar velhas regras de conduta. Nas
empresas, é normal os chefes se esforçarem para
manter estruturas e métodos de sucesso comprovado.
Ocorre que, assim, fica difícil inovar, diz Navega.
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