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      Edição 193 - Novembro de 2003
 

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A queda dos Estados mais ricos mostra que segue a
descentralização da economia brasileira. No Sul, o Paraná
amplia a vantagem sobre o Rio Grande do Sul.

Felipe Polydoro


Desde que o Ranking dos Estados foi publicado pela primeira vez, em 1996, o retrato que apareceu foi de um país em vias de descentralização. Oito anos depois, fica evidente que o processo continua a pleno vapor. Em 2003, embora as posições tenham se mantido, quase todos os Estados mais ricos registraram queda na pontuação. Mas não porque a economia deles esteja arrefecendo. "O que acontece é que os Estados que ocupam postos mais baixos vêm crescendo em um ritmo mais forte", explica Antônio Cordeiro, sócio-diretor da Simonsen e coordenador técnico do ranking. Afinal, a pontuação do ranking é medida pela comparação do desempenho de cada Estado com a média brasileira.

Unidade da Perdigão em Rio Verde, Goiás: nascida
dos incentivos fiscais

Neste ano, os destaques entre os dez mais competitivos foram Goiás, Bahia e Espírito Santo, todos com saltos na pontuação. Goiás e Bahia, donos dos crescimentos mais expressivos, colhem os frutos da atração de indústrias - às custas, principalmente, de incentivos fiscais. O marco na terra do acarajé foi a instalação da Ford em Camaçari, concluída em 2001. Desde então, várias outras empresas investiram em terras baianas. Os lances mais recentes foram o anúncio de uma unidade da Hyundai, investimento de US$ 200 milhões, e da fábrica de celulose que a Aracruz vai construir com a companhia sueco-finlandesa Stora Enso, negócio de US$ 1,2 bilhão. Em Goiás, a obra mais grandiosa foi a indústria de R$ 700 milhões da Perdigão em Rio Verde. Outro setor em expansão é o farmacêutico. Hoje, há 20 empresas do segmento já instaladas e outras dez estão implantando unidades no Estado. "Goiás tem uma posição estratégica, porque está no centro do país. Isso ajudou a atrair muitas empresas nos últimos anos", acredita Wellington Vieira, gestor técnico da Fieg, a federação das indústrias local.

O principal motor do Espírito Santo vem sendo o petróleo, atividade que até alguns anos atrás não era tão representativa. Nos últimos meses, a Petrobras descobriu várias novas áreas de exploração no Estado. A estimativa é de que a produção triplique até 2005. "Nossas reservas totalizam 4 bilhões de barris", conta Júlio César Bueno, presidente da Agência de Desenvolvimento em Rede do Espírito Santo. O volume seria suficiente para abastecer todas as refinarias da Petrobras por mais de seis anos. A exploração de todo este
petróleo significará US$ 8 bilhões em royalties para o caixa capixaba.

Entre os seis Estados mais ricos, o único que registrou crescimento em relação ao ano passado foi o Paraná, que alargou a vantagem, comparado ao Rio Grande do Sul. A diferença agora atinge cinco décimos - no ano passado, era de apenas um. O avanço mais contundente do Paraná foi no quesito riqueza. Pela primeira vez, os paranaenses superam os gaúchos neste ranking. Agora, o Rio Grande perde para o vizinho de região tanto em riqueza quanto em infra-estrutura.

Por sinal, Paraná, Rio Grande do Sul e todos os seis principais Estados do país pioraram em infra-estrutura. O fenômeno segue a mesma lógica do ranking de competitividade: reflete a melhora dos Estados menos ricos. E revela que a descentralização deve continuar nos próximos anos. Afinal, com o fim dos incentivos fiscais, a infra-estrutura adquire ainda mais importância na atração de investimentos. Não é à toa que os dez Estados mais abastados confeccionaram planos robustos para melhorar a estrutura em logística e energia, por exemplo.

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