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Desde que o Ranking dos Estados foi publicado pela primeira
vez, em 1996, o retrato que apareceu foi de um país em vias
de descentralização. Oito anos depois, fica evidente que o
processo continua a pleno vapor. Em 2003, embora as posições
tenham se mantido, quase todos os Estados mais ricos registraram
queda na pontuação. Mas não porque a economia deles esteja
arrefecendo. "O que acontece é que os Estados que ocupam postos
mais baixos vêm crescendo em um ritmo mais forte", explica
Antônio Cordeiro, sócio-diretor da Simonsen e coordenador
técnico do ranking. Afinal, a pontuação do ranking é medida
pela comparação do desempenho de cada Estado com a média brasileira.
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Unidade da Perdigão
em Rio Verde, Goiás: nascida
dos incentivos fiscais |
Neste ano, os destaques entre os dez mais competitivos foram
Goiás, Bahia e Espírito Santo, todos com saltos
na pontuação. Goiás e Bahia, donos dos
crescimentos mais expressivos, colhem os frutos da atração
de indústrias - às custas, principalmente, de
incentivos fiscais. O marco na terra do acarajé foi
a instalação da Ford em Camaçari, concluída
em 2001. Desde então, várias outras empresas
investiram em terras baianas. Os lances mais recentes foram
o anúncio de uma unidade da Hyundai, investimento de
US$ 200 milhões, e da fábrica de celulose que
a Aracruz vai construir com a companhia sueco-finlandesa Stora
Enso, negócio de US$ 1,2 bilhão. Em Goiás,
a obra mais grandiosa foi a indústria de R$ 700 milhões
da Perdigão em Rio Verde. Outro setor em expansão
é o farmacêutico. Hoje, há 20 empresas
do segmento já instaladas e outras dez estão
implantando unidades no Estado. "Goiás tem uma
posição estratégica, porque está
no centro do país. Isso ajudou a atrair muitas empresas
nos últimos anos", acredita Wellington Vieira,
gestor técnico da Fieg, a federação das
indústrias local.
O principal motor do Espírito Santo vem sendo o petróleo,
atividade que até alguns anos atrás não
era tão representativa. Nos últimos meses, a
Petrobras descobriu várias novas áreas de exploração
no Estado. A estimativa é de que a produção
triplique até 2005. "Nossas reservas totalizam
4 bilhões de barris", conta Júlio César
Bueno, presidente da Agência de Desenvolvimento em Rede
do Espírito Santo. O volume seria suficiente para abastecer
todas as refinarias da Petrobras por mais de seis anos. A
exploração de todo este
petróleo significará US$ 8 bilhões em
royalties para o caixa capixaba.
Entre os seis Estados mais ricos, o único que registrou
crescimento em relação ao ano passado foi o
Paraná, que alargou a vantagem, comparado ao Rio Grande
do Sul. A diferença agora atinge cinco décimos
- no ano passado, era de apenas um. O avanço mais contundente
do Paraná foi no quesito riqueza. Pela primeira vez,
os paranaenses superam os gaúchos neste ranking. Agora,
o Rio Grande perde para o vizinho de região tanto em
riqueza quanto em infra-estrutura.
Por sinal, Paraná, Rio Grande do Sul e todos os seis
principais Estados do país pioraram em infra-estrutura.
O fenômeno segue a mesma lógica do ranking de
competitividade: reflete a melhora dos Estados menos ricos.
E revela que a descentralização deve continuar
nos próximos anos. Afinal, com o fim dos incentivos
fiscais, a infra-estrutura adquire ainda mais importância
na atração de investimentos. Não é
à toa que os dez Estados mais abastados confeccionaram
planos robustos para melhorar a estrutura em logística
e energia, por exemplo.
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