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      Edição 190 - Agosto de 2003
 

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A valorização do dólar foi o fator que mais influenciou
o desempenho das empresas do Sul em 2002 –
para o bem ou para o mal

Itaipu registrou um lucro estrondoso em 2002, disparado, o maior da Região Sul: R$ 3 bilhões. Como o preço da energia vendido pela usina é balizado pelo dólar, a valorização da divisa rendeu bons ganhos. Outra paranaense, a Renault perdeu uma montanha de dinheiro no ano que passou. Foram R$ 1,4 bilhão de prejuízo, o segundo maior entre as 500. Motivo: o repique da moeda americana engordou a dívida da companhia, boa parte dela em dólar. Adivinhe qual a principal explicação para o lucro de mais de R$ 800 milhões da Gerdau, para o salto de quase 60% na receita da Bunge e para o prejuízo de R$ 1,5 bilhão da AES Sul - e para inúmeros outros feitos e fracassos das companhias listadas no ranking GRANDES & LÍDERES em 2002.

Pegue-se o exemplo das energéticas. Em 2001, entre perdas e ganhos, o conjunto das empresas do ramo exibia um superávit de R$ 1,7 bilhão. Foi o setor mais bem-sucedido do ranking. Em 2002, o saldo murchou para apenas R$ 292 milhões. E o setor só não amargou um déficit daqueles porque a Itaipu contabilizou um lucro astronômico. A alta no preço da energia e o efeito do dólar turbinado no passivo puseram as distribuidoras - e algumas geradoras, como a Tractebel - no vermelho. No setor metal-mecânico, não houve quem se salvasse: o conjunto das companhias foi deficitário em R$ 982 milhões. Um ano antes, mesmo que não tivesse esbanjado saúde, o segmento havia chegado a um superávit de R$ 125 milhões. É bem verdade que a grande responsável pelo péssimo desempenho foi a Renault e os seus R$ 1,4 bilhão que escoaram pelo ralo.

Entre as vitoriosas de 2002, muitas ganharam uma mãozinha do dólar para emplacar bons números. É o caso das representantes do agro-negócio. Das 33 companhias agrícolas que aparecem no ranking, apenas três perderam dinheiro. Os lucros suplantaram os prejuízos em R$ 458 milhões. Como é sabido, o Brasil é um grande exportador de grãos, e a competitividade do país cresceu ainda mais com a variação cambial. Que o digam as cooperativas agrícolas - como a paranaense Coamo, que viu a receita inflar 42% e o lucro líquido alcançar R$ 170 milhões. Outro vencedor, o setor siderúrgico ostentou um superávit de R$ 857 milhões. Na realidade, R$ 839 milhões desse bolo são do Grupo Gerdau, que possui nove fábricas no exterior e vende mais da metade de sua produção lá fora.


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