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Itaipu registrou
um lucro estrondoso em 2002, disparado, o maior
da Região Sul: R$ 3 bilhões. Como
o preço da energia vendido pela usina é
balizado pelo dólar, a valorização
da divisa rendeu bons ganhos. Outra paranaense,
a Renault perdeu uma montanha de dinheiro no ano
que passou. Foram R$ 1,4 bilhão de prejuízo,
o segundo maior entre as 500. Motivo: o repique
da moeda americana engordou a dívida da
companhia, boa parte dela em dólar. Adivinhe
qual a principal explicação para
o lucro de mais de R$ 800 milhões da Gerdau,
para o salto de quase 60% na receita da Bunge
e para o prejuízo de R$ 1,5 bilhão
da AES Sul - e para inúmeros outros feitos
e fracassos das companhias listadas no ranking
GRANDES & LÍDERES em 2002.
Pegue-se
o exemplo das energéticas. Em 2001, entre
perdas e ganhos, o conjunto das empresas do ramo
exibia um superávit de R$ 1,7 bilhão.
Foi o setor mais bem-sucedido do ranking. Em 2002,
o saldo murchou para apenas R$ 292 milhões.
E o setor só não amargou um déficit
daqueles porque a Itaipu contabilizou um lucro
astronômico. A alta no preço da energia
e o efeito do dólar turbinado no passivo
puseram as distribuidoras - e algumas geradoras,
como a Tractebel - no vermelho. No setor metal-mecânico,
não houve quem se salvasse: o conjunto
das companhias foi deficitário em R$ 982
milhões. Um ano antes, mesmo que não
tivesse esbanjado saúde, o segmento havia
chegado a um superávit de R$ 125 milhões.
É bem verdade que a grande responsável
pelo péssimo desempenho foi a Renault e
os seus R$ 1,4 bilhão que escoaram pelo
ralo.
Entre as vitoriosas de 2002, muitas ganharam
uma mãozinha do dólar para emplacar
bons números. É o caso das representantes
do agro-negócio. Das 33 companhias agrícolas
que aparecem no ranking, apenas três perderam
dinheiro. Os lucros suplantaram os prejuízos
em R$ 458 milhões. Como é sabido,
o Brasil é um grande exportador de grãos,
e a competitividade do país cresceu ainda
mais com a variação cambial. Que
o digam as cooperativas agrícolas - como
a paranaense Coamo, que viu a receita inflar 42%
e o lucro líquido alcançar R$ 170
milhões. Outro vencedor, o setor siderúrgico
ostentou um superávit de R$ 857 milhões.
Na realidade, R$ 839 milhões desse bolo
são do Grupo Gerdau, que possui nove fábricas
no exterior e vende mais da metade de sua produção
lá fora.

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